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NEOABJECCIONISMO

O abjeccionismo baseia-se na resposta de cada um à pergunta: QUE PODE FAZER UM HOMEM DESESPERADO QUANDO O AR É UM VÓMITO E NÓS SERES ABJECTOS?- Pedro Oom .-As palavras são meras formalidades... O NEOABJECCIONISMO, n

NEOABJECCIONISMO

O abjeccionismo baseia-se na resposta de cada um à pergunta: QUE PODE FAZER UM HOMEM DESESPERADO QUANDO O AR É UM VÓMITO E NÓS SERES ABJECTOS?- Pedro Oom .-As palavras são meras formalidades... O NEOABJECCIONISMO, n

17
Set10

CÃES VADIOS...

NEOABJECCIONISMO

 

 

 

foto:flashcao.com com br
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olhos doces meigos tão carentes
pelos crispados de sujidade
lambem as mãos sedentos famintos
ganem por entre os dentes
quando sentem renascer a amizade
abandonados antes distintos

cães das mais diversas linhagens
objectos de um vão capricho
ou de crianças vencidas mimadas
sofrem de destinos selvagens
na rua a sós ao frio ou em nicho
corpos de úlceras chagadas

comem sôfregos restos de comida
curados por gente sem diploma
cãe vadios na rua disputam amigos
já ladram à gente mais temida
a quem os acarinha e tirou de coma
protejem em seus novos abrigos

olhos doces meigos fixos ternura
seguem o rasto da precaridade
perseguem em grupo cadelas no cio
fiéis ao instinto que os apura
são amigos leais ostentam vaidade
de ser como nós vitimas a frio

olho para eles ao sol estiraçados
de barriga cheia ou inda vazia
e penso há milénios o homem igual
vitima de outros mais avançados
sem a linguagem que nos distancia
quem nos marcou esta meta final

autor: JRG

27
Mar10

ESTADOS DA ALMA...

NEOABJECCIONISMO

 

se eu fosse caule e tu flor...
se corressem dentro de mim os teus anseios...
se eu dentro de ti esbanjasse amor...
se para atingir um fim fossemos os meios...

o direito constitucional à livre circulação de pessoas no território Português, não é reconhecido nem respeitado na entrada e saída de Lisboa pela margem sul do Tejo... para um vagabundo, deslocando-se  a pé, ou de bicicleta, a única alternativa é a ponte de Vila Franca...e ninguém se preocupa com este atentado aos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos...

mandaste-me amor belo presente
na tua alma embrulhado de lascívia
o teu corpo inteiro em chama ardente
que no meu se embrenhou em rebeldia

corremos o risco de sermos considerados lá fora tanto como desconsiderados cá dentro...que élites vos legamos, juventude!...as drogas enriqueceram criminosos impunes e destruiram gerações de líderes competentes...

tomei um chá de Lúcia lima
para aquietar meu coração
é uma planta em cuja estima
confio a alma plena de ilusão

sempre que desvendamos um mistério que nos apaixonou, o resultado é uma desilusão...é assim o homem...o segredo da mulher é manter-se misteriosa...

há um corpo de mulher assim despida
no meio do mar sobre a restinga
base efémera enquanto vaza ali detida
baluarte da maré que nela vinga

há pessoas aprisionadas dentro da sua consciência e da consciência dos que influiram na sua formação, para se libertarem precisam de assumir a sua inconsciência...

quando eu sinto que me sentes
e tu sentes que eu te sinto
se sentes que eu sei que não mentes
e eu sinto que sabes que não minto...

na guerra só há uma estação, o Inverno infernal...só na guerra não é crime matar, a morte do outro é considerada legitima defesa, mesmo que o matador seja o agressor...lembrei-me disto a propósito da Primavera...

em cada Primavera a esperança
do renascimento na fecundidade
sentir a alma pura da criança
que teima em ser de nós realidade

nos anos 60 a expectativa era saber se a máquina viria para substituir o homem, ou para lhe proporcionar mais lazer e fruição dos saberes... inegavelmente a máquina proporcionou ao homem a era do conhecimento global, mas, a par do desenvolvimento , vem arredando cada vez mais homens do mercado de trabalho e corremos o risco de nos transformarmos em subsidio dependentes, até à falência inevitável do estado social...

quando pensava nos medos
e de como das amarras me libertei
eis que surgem novos enredos
no homem kafkiano de fora da lei

casar era um conceito que permitia ao homem dispôr de uma mulher submissa, para sexo, comida, cama e roupa lavada... não obstante a evolução operada nos últimos anos, ainda há demasiados homens que pensam assim...

vou embora!...
não estou para te aturar
não vás!...lá fora...
há gente que desespera de esperar

vou embora!...
fartei-me de maus tratos
não vás!...prometo agora...
respeitar os teus direitos

vou embora!...
não acredito em novas boas intenções
não vás!...linda...sedutora
descobri de mim novas versões

autor das reflexões e dos poemas: JRG
22
Set08

MOVIMENTO PIJAMINHA (PARA O IPO)

NEOABJECCIONISMO

 

Do espaço Astrológico

http://espelhodevida.blogspot.com

Causas de todos

 




Movimento Pijaminha (para o IPO)

São necessários (principalmente) pijamas para as crianças que estão no
Instituto Português de Oncologia a fazer tratamentos de quimioterapia.
Após os tratamentos, os pijamas ficam muito sujos e gastam-se
rapidamente.
Esta ideia surgiu há dois anos e hoje já é apelidada de *Movimento
Pijaminha* pelo sucesso que têm tido os esforços conseguidos!
As necessidades existentes passam pela falta de pijamas, pantufas,
chinelos, meias, robes e fatos de treino.
Para todos a vida não está fácil, mas dentro das possibilidades de
cada um há sempre espaço para participar, comprando ou obtendo junto
de amigos e familiares agasalhos que já não sirvam.
No ano passado foram entregues 76 pijamas e o IPO ficou muito
satisfeito com esta dádiva.
Este ano vamos repetir a façanha, e se possível ultrapassar este número.
Se divulgarem já estão a ajudar!!!

 

             -------------------------------------------------------------------------------------------------------------

 

Correspondendo ao apelo veículado pela minha amiga Ana Cristina Corrêa Mendes em

http://espelhodevida.blogspot.com.

As minhas felicitações, a minha solidariedade, a minha partilha de espaço na divulgação.

 

22
Ago08

CRÓNICA DA CIDADE GRANDE

NEOABJECCIONISMO

Vista de onde eu a vejo, a Cidade é  extensa e intensa, dorme de luzes acesas em continuo e tem  a Lua poderosa como estigma dos sonhos.

Estou do outro lado da Cidade grande, descaído para a foz do rio  que a banha vindo de Espanha. Na marginal correm luzes possessas sem destino. Infinitas. Sei quando é o comboio, pelas janelas iluminadas, o som das rodas nos carris de ferro, ou quando é uma ambulância que se esgueira por entre os possessos dos outros, distraídos, a verem de onde vem o som de alarme, de SOS, se é para eles ou para uns outros .

Estou na penumbra da outra margem obscura frente à cidade grande e tive sonhos, tenho sonhos, de ser grande como a Cidade

O brilho da Lua quase ofusca as luzes da Cidade e produz ecos que ressoam na minha memória incandescente. A brisa é fresca, suave, amena e em frente há casa com luzes acesas.

Fixo os meus olhos em uma delas, é como se um pisca-pisca alucinante, como um íman poderoso, distante, me apelasse o registo. Sim, são dois vultos que se movem, parecem lutar pela posse de algo que não vejo ainda bem. Sinto que são um homem e uma mulher, ainda jovens. Acusam-se mutuamente, gritam, choram e agarram-se desesperadamente, soltando palavras que ferem. Culpabilizando-se. E movem-se em contínuos movimentos de vai e vem em roda de um candeeiro de mesa ou de tecto.

_Acreditei nos teus sentimentos. Na tua lealdade. Saíste-me um traste. São palavras da mulher entre soluços de dor profunda._ deixaste de me amar.

_Tu é que só pensas em ti, não tens a noção de projecto conjunto, de espaço. Já não me amas e eu amo-te. Quero amar-te sempre. _São dele, as palavras proferidas  no silêncio aparente da Cidade. Silêncio absurdo sobressaindo dos ruídos.

Percebo, o que eles disputam. É algo invisível que se lhes escapa a cada gesto Disputam amor, algo que sentiram, que sentem, mas que não entendem como se esfuma, se esvai deles que o  querem reter, porque o queriam estanque, à mão de cada zanga, à mão dos desejos quando o desespero de ficar só aperta o sentimento de amar.

Desvio os olhos para a luz azul celeste na negritude da noite. Impaciente perante a passividade, o condutor liga a sirene. Leva uma criança que chora, que arde em febre de origem desconhecida. Um homem e uma mulher trocam olhares de socorro mútuo. Dizem palavras com os olhos, entre si e para a criança que lhes estende os braços. O seu filho. E é amor o que vejo, tanto que me seduz, me pára o pensamento, me encanta de mim, porque são formas de amor distintas que eu vejo naqueles olhos e naqueles olhares. Amores diversos, acutilantes, que se entrecruzam.

Curiosidade geométrica

autor:João Vicente

Gente jovem deambula pelas ruas em busca de mais horas de vida. Garrafas de cerveja nas mãos, risos estridentes, palavreado fácil, inútil. Apenas palavras para se ouvirem. Palavras que procuram projectar alegrias em si e nos outros. Palavras , por vezes amargas, outras obscenas, arrogantes ou simplesmente afectuosas, se são amantes. Palavras para esquecer ao dealbar do dia.
Que fiz? Por onde andei? Que foi que disse ou prometi? E a quem? E amanhã?

Vejo brigas, discussões fúteis que provocam agressões. Assaltos de delinquentes menores.

Capitães da rua, decididos, disciplinados, cheios de vontade de serem maiores, ou tão grandes como a cidade. Seguem em grupo porque sozinhos perdem a força. Caçam como as Leoas, em grupo, escolhem a presa, também a mais fraca, debilitada.

Há gente que trabalha, despudoradamente, trabalha na noite para que a Cidade não estagne. Trabalham para poder pagar tudo o que gastam , que se torna numa justificante, para  continuarem a trabalhar. A apresentação, o carro, a alimentação, a casa própria, o estatuto, a moda.

Vagabundos alienados procuram insistentemente nos caixotes de lixo algo que os reconforte. Têm pressa, antes da recolha que os inibe desse prazer de achar. Vasculham. Lançam impropérios por entre os dentes moídos, descarnados quando se riem.

Ás vezes procuram apenas um pedaço de cartão que lhes sirva de cama, um leito diferente, de cores e cheiros. Discutem uns com os outros, é meu! A garrafa vazia.

A Lua aproxima-se inexoravelmente da linha do horizonte, de onde passará para o outro lado de onde a vemos, estamos, de onde estou. E sei que o seu movimento produz mutações, alimenta desejos. Sei que influi na essência das almas que vagueiam na noite. E nas que dormem, que se disputam nos sonhos.

Estamos no dealbar de uma nova aurora e ainda tenho tempo de olhar a luz fraca, adormecida, do 12º , imponente, do lado de onde o Sol nasce, e aperceber-me dos movimentos exaltados de dois amantes que se entregam, como que na totalidade, tal a fluidez dos gestos e dos aromas que me chegam, os gemidos de prazer, os beijos, os ais do clímax, dum absoluto de amor.

Olho os corpos desnudos, despreocupados, relaxantes que as mãos de um e outro se acariciam ternurentos.

E mais à frente, salteando de janela em janela, os solitários que a insónia mantém vigilantes, desesperados de procuras insistentes sem achado: os amores frustrados, amigos desleais, contas por pagar, o desemprego, os pais que os abandonaram sem afectos, filhos desviados, os objectivos difusos, falhas de amor próprio, procuram, no passado, no seu passado, razões de afectação ao presente e esquecem-se de si, do seu interior onde tudo adormecido podia despertar, onde se asfixiam na amalgama de sentimentos profundos, dolorosos que  se comprimem na ânsia de se soltarem, de uma palavra chave, uma luz, um milagre de si.

Sinto uma mudança brusca na aragem e um clarão ténue de claridade. Vai ser dia.

Ouço as vozes cavernosas dos primeiros pescadores, dos que chegam e dos que partem.

É o momento preciso em que a Cidade perde o brilho entre a bruma opaca da manhã junto ao rio.

Imensa, a Cidade grande, é agora um esboço e regurgita de um outro tipo de vida.

 

 

15
Ago08

O C O X O...

NEOABJECCIONISMO

Manuel e a serra, o serrote, rompendo a madeira, rasg, rasg, rasg, numa profusão de sons que parecem monótonos mas que se compõem em outros sons menores e meios sons, os arfantes dos pulmões estorricados por milhares de cigarros, dando origem a uma magnífica sinfonia de um só instrumento .

Os pássaros chilreiam em cima da bancada improvisada, pavoneando-se perante os gatos deitados na areia do quintal, numa sonolência pacifica de mesa farta, ou constantemente adiada.

Manuel, de vez em quando faz uma pausa, retira o boné, limpa o suor que desliza pelo rosto encanecido, sulcado de veios profundos, acende uma ponta de cigarro e aspira com satisfação, o fumo azulado que adeja sobre nós na calma do dia, olhando em volta, os pássaros, os gatos e eu.

_ Sr Manuel, a minha estante está pronta?

Faz um gesto largo, os olhos pequeninos que já terão sido grandes, quando habitava a vasta região Beirã, no limite da Beira, , raiando o Ribatejo.

_Está a secar da cola. Tinhas pressa?

_Não, mas queria pagar.

Os olhos avivaram-se. Não ter que pedir adiantamento, como quem mendiga, como se não fosse a paga pelo seu trabalho, a sua arte. Esperara todo o dia que ele viesse. E a tarde ainda ia a meio. Vagueou o olhar em redor, como quem não tem nada para dizer.

Veio ter comigo, cumprimentar-me, coxeando, a bengala de madeira que fora feita por ele, o aparelho da perna que emperrava de velho, ou do uso, ou de defeito de fabrico. E falava-me do tempo. Sim, o tempo ele mesmo, a rotação, a translação, as estações do ano e como contentar a todos se cada um tinha do tempo  uma ideia própria, só deles,de cada um.Como se o tempo fosse pertença do ser, ou da alma.

E nem se davam em como a Terra girava sobre si e à volta do Sol, em como a suas imprecações recaíam sobre si próprios.

_Eles protestam, - fazia um gesto vago com a cabeça, _mas não há como fugir ou protelar, o tempo faz o seu percurso e arrasta com ele todos os elementos, os concordantes e os contraditórios, não há como fugir-lhe.

Senhor Manuel, vamos beber um copo

 

boulevard de la liberté

Autor:Horey

 

Era uma figura de pequeno recorte, baixo e magro, a cara escanhoada, as mãos calejadas da serra e da plaina, do martelo, das caricias na madeira, como se fosse uma mulher bela.

_Vamos lá. Mas voltando ao tempo, acredita que é o grande mestre que tudo resolve. Repara como num dado momento, uma situação que parece impossível de entender, um imbróglio, e no momento seguinte, a cada instante que o tempo avança, tudo se decide pró ou contra, mas decide-se. Deixa de ser. Porque não há futuro, só passado e presente,

só sabemos o futuro passado... quando já é passado...

E veio, arrastando a perna e contando como foi que veio para a Capital mugir as vacas de um conterrâneo que fazia pela vida  vendendo o leite e das maroscas em que o iniciaram, colocando um pouco de água em tantas partes de leite, que era para liquefazer, dado que vinha muito espesso.

Fala-me da sua experiência como condutor de sidcar. E como uma ferida mal tratada, na canela, o levou à amputação da perna e ao escoar de tantos sonhos que construíra.

Falou-me de como conhecera a Maria, sua mulher, de como a  engravidou num momento de paixão e prometeu casar e casou, porque era homem de uma só palavra.

Tiveram cinco filhos, quatro raparigas e um rapaz. Mas este morrera de Tifo. Um desgosto que o marcou profundamente. Um filho varão.

A voz é arrastada. Tem bronquite, tosse e cospe num lenço que mantém nos bolso das calças, porque se recusa a cuspir no chão, nem para o ar...

Dei-lhe a estante a fazer, não que fosse uma necessidade absoluta, eu próprio a poderia ter feito, simples,as tábuas já cortadas na estância, uns pregos, a cola.  Dei-lha a fazer para que tivesse um trabalho diferente em que se empenhasse de raiz. Foi ele quem fez o desenho, as medidas, imaginou a cor que ficaria melhor na decoração da casa onde eu a ia colocar._Sr. Manuel, quanto é afinal a obra?

_Olha,  pá. Como vês está pronta. É só secar e aparar com um pouco de lixa nos locais da cola. Podes levá-la ainda hoje, mais logo, deixa o tempo agir, fazer o seu percurso_ os olhos nos meus olhos, a sopesar as palavras _ Pronto, são cem escudos. Tu pagaste a madeira, compraste a cola...

Os meus olhos nos dele, um sorriso. Tirei  da carteira o que tinha pensado e estendi-lhe as notas.

Agarrou-as pausadamente, sem pressas, como que envergonhado e de súbito, ao dar-se conta...

_Mas isto são 150!?...

Olho as mãos dele, trémulas, e penso que não tem ideia do valor do seu próprio valor.

_Mais logo passo para levar a estante. Foi o que lhe disse, já do lado de fora da cancela do quintal, escondendo os olhos para que ele não visse como se turvaram.

 

 

27
Jul08

NOSTALGIAS !...

NEOABJECCIONISMO

O café pastelaria, tertúlia , onde navegávamos, metafísicos , na abordagem do conhecimento das coisas novas que, afinal, eram comuns noutras paragens, deixou de existir há muito.

Foi loja de moda, de artesanato e agora é nada. Vazio. Nem a memória das divagações literárias, as fífias juvenis a procurar afirmação de personalidade. Jogos do ser e do nada.

Ao cimo da rua que começa no largo da praça em direcção ao mar. Mar que já esteve mais longe, deixando aos prazeres um extenso areal de areia fina, as dunas salpicadas de cardos e chorões , a esconder, por vezes,  actos de natureza proibida. Só resta, num recôndito do cérebro , o avivar das emoções de quem resiste. E saltam nomes na memória: Pedro, Carlos, Lauri , João,  o Sr. . Farinha, patriarca, as raparigas, Tatiana, as Ginas de Regina e Virgínia Jeni , de Eugénia, Irene...

Onde estão?

O café a meio cêntimo, os nata sem correspondência monetária a um escudo e vinte centavos. As andanças a pé 

Os projectos megalómanos, literatura, artes plásticas, ciência. O futuro com a guerra ali tão próxima e a legião de mulheres de xailes negros sobre roupa negra, que subiam a rua, passavam junto à montra apressadas, canastras à cabeça a ver o peixe chegar, daí a instantes, alheadas das congeminações efabuladas de uma pretensa elite desassossegada.

 Ir à praia a meio da noite e tomar banho desnudos, a luminosidade da água a cada braçada, magia e sedução dos sentidos. O prazer do nu, proibido, preconceituado. A sensação plena de livres.

Pedro, o chouriço roubado na pastelaria do largo, a garrafa de vinho comprada com a reunião dos trocos de cada um, o assalto à residência de Verão dos pais dele o churrasco em álcool , a amizade sem limites.

Foi piloto aviador. Achá mo-nos na Aldeia Formosa, numa manhã quente de África e fez questão de me lançar numa experiência única. Voar.

Um avião de guerra, morte destruição, dor, num dos raros momentos ao serviço da paz.

Pedro brincou com o pequeno T6 no ar rarefeito, subindo a pique, rumo ao infinito e de repente, uma inversão, rodando sobre si próprio, a descida vertiginosa.

Na subida, era como se todas as entranhas quisessem soltar-se do meu corpo miúdo, ao contrário da descida em que o cérebro parecia saltar a todo o momento. Náuseas .

Suicidou-se, poucos anos depois do regresso, com gás doméstico. Não com napalm.

Carlos, o poeta, engenheiro de sistemas, talvez o mais erudito da tertúlia , não terá resistido à pressão. De quê? Suicidou-se em condições misteriosas. Extrema terá sido a sua solidão, entre a mulher  Francesa e as filhas e a Ascenção da carreira. Onde ficava ele?

Irene , a bela e encantadora Irene . A medicina era a sua paixão. Salvar vidas. Aprender e dar tudo de novo. Minorar a dor, de preferência pediatria. Sonhadora, linda. Uma doença súbita e fatal. Um cancro galopante e imparável no sangue. Os sonhos desfeitos de encontro à interrogação que nos acode: Que andamos nós a fazer aqui? Que força é esta que nos impele a lutar, sem tréguas e a cair, desfalecidos, inertes, sem que o possamos impedir.

Regina, artista plástica de mérito, amante sublime do belo e de Lauri. O corpo miúdo, harmonioso Jeni, espalhafatosa, cheinha de corpo, mas lesta na procura do culto da alegria . Vê-la correr, esbaforida, o corpo gingão, Avenida acima para não perder o concerto de ditos de João Villaret . Tatiana, que casou com Pedro e o viu morrer, ou achou morto na banheira um dia, ou não soube evitar, de algum modo, evitar, que a solidão se instalasse .Lauri, Paris a rádio, os romances , o  teatro. A amizade perdida nas tragédias da vida, deslealdades. O irrazoável do teu ponto de vista, do meu que soçobrava .

E os outros?... Que é feito de vós.?...

 

 

 

 

10
Jul08

JOÃO VILARET - CÂNTICO NEGRO

NEOABJECCIONISMO

João Villaret

 

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 Registo aqueles dias à hora do almoço. O S. Jorge imponente nos silêncios.O silêncio do palco iluminando a sombra . O silêncio de quem veio e se senta reverente na plateia que se adensa. O palco adereçado para o espectaculo como se ele estivesse lá. A cadeira, o piano, O facho de luz sobre  o invisivel da imagem.

Tu e eu de mãos dadas. Sustendo-nos de respirar.

Assina -Virginia Bettencourt

 

 Sem dúvida o melhor declamador de todos os tempos, em Portugal. Deu alma à poesia Portuguesa, imortalizou poetas e poemas e este Cântico Negro, de um poeta maldito, eximio de força e de criatividade da arte e dizer. Eximio na afirmação de ser Português.

Nós somos assim. Podem avisar-nos, demonstrar por A mais B que vamos no caminho errado, apontar-nos um outro rumo, que nós dizemos não, "não vou por ai. Só vou por onde me levarem os meus próprios passos" A minha homenagem de culto, ao poeta e ao intérprete

Neo

 

 Gostaria de lembrar um outro aspecto que considero muito importante na personalidade de João Villaret, e que tem a ver com o contributo que ele deu a uma liberdade que ainda vinha longe. Dos palcos dos Teatros do Parque Mayer, quando o homenzinho da censura adormecia, João Villaret aproveitava para dizer todas as verdades que lhe ocorriam sobre o triste país em que vivíamos. Ele ridicularizava Salazar, dizia o que lhe vinha à cabeça, e com isto arriscou a a vida por uma liberdade que para ele já não chegou a tempo. Obrigada, João Villaret.

Assina - Teresa Mascarenhas

 

08
Jul08

FRANÇOISE HARDY - 1944

NEOABJECCIONISMO

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nota. A imagem perde qualidade á medida que se expande. A voz mantém o tom.

 

 

É uma das mais bela mulheres  do mundo em meados dos anos 60. Uma voz suave melodiosa, romântica e envolta de suaves mistérios. Um encanto total. Uma sedução envolvente de toda a sua coreografia, ela própria. Esbelta.  É a voz e o rosto, no feminino da canção Francesa da época. É a paixão, ou o modelo de muitos jovens em todo o mundo.

As suas canções têm um significado profundo, um romantismo atractivo, sedutor. Mesmo que não se entenda a letra, a voz e a expressão artística que assume no rosto e nos gestos, transportam-nos a mundos subliminares de excepção.

 A sua figura produz um encantamento na sedução do seu olhar.

 Simples, elegante, transmite igualmente, uma imagem da mulher do futuro. Interessante, culta, sem as frivolidades que se associavam ao género feminino.

É uma expressão do sonho de ser mulher.

 

 

  

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05
Jul08

FRANK SINATRA - 1915 - 1998

NEOABJECCIONISMO

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Foi um dos melhores intérpretes de música pop do século xx. Uma voz poderosa, inserida ou extrapolada de um estilo próprio de grande originalidade.

Goste-se ou não da América e ou dos Americanos, é dificil ficar indiferente ao seu estilo vibrante, à harmonia do canto e da música que nos faz transbordar de emoções de vitória.

 Escolhi estes dois temas, que vos ofereço para um momento de calma e reflexão

 

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"Só se vive uma vez e, do jeito que eu vivo, uma vez é suficiente"

Frank Sinatra

 

 Videos retirados do Yu Tub

 

29
Jun08

D E S A F I O A DUAS MÃOS

NEOABJECCIONISMO

DESAFIO. Eu Neoabjeccionismo e o Mocho Velho lançamos um desafio a todos, todas, nossos amigos e amigas, ou a quem nos visitar, que achem interessante responder de si a seis questões que julgamos pertinentes, colocadas por nós. E em que os comentários podem ser cruzados por entre todos os intervenientes

 Três destas questões, as colocadas pelo Mocho Velho, serão editadas neste blog. As três outras, colocadas pelo neo, eu próprio, serão colocadas no blog do Mocho Velho.
Esperamos a vossa participação com a alegria que vos, nos é própria:
 
                                        DESAFIO -Questões do Mocho Velho
 
1-.Como encara o suicido ( em geral)...................................................................................................................................
2- Qual é a melhor coisa, (concreta e definida), que uma pessoa pode deixar neste mundo?..........................................................................................................................................
3 -O que mais o (a) horroriza e transtorna no mundo actual?..........................................................................................................................................

 

O desafio está aberto a todos que queiram participar. Para ir a mocho velho: mochovelho

Estamos no dealbar de uma nova era, um nova ordem internacional surge, perfila-se no horizonte..

Os homens mostram-se incapazes de suster a derrocada do Planeta. É tempo das mulheres mostrarem a sua verdadeira face. E de os homens colaborarem com elas.

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