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NEOABJECCIONISMO

O abjeccionismo baseia-se na resposta de cada um à pergunta: QUE PODE FAZER UM HOMEM DESESPERADO QUANDO O AR É UM VÓMITO E NÓS SERES ABJECTOS?- Pedro Oom .-As palavras são meras formalidades... O NEOABJECCIONISMO, n

NEOABJECCIONISMO

O abjeccionismo baseia-se na resposta de cada um à pergunta: QUE PODE FAZER UM HOMEM DESESPERADO QUANDO O AR É UM VÓMITO E NÓS SERES ABJECTOS?- Pedro Oom .-As palavras são meras formalidades... O NEOABJECCIONISMO, n

04
Ago12

GOSTAVA DE SER POETA !

NEOABJECCIONISMO
Ilha de Paquetá-ou Ilha da Poesia-foto pública
*
GOSTAVA DE SER POETA
**
gostava de ser poema
regaço de flor mulher
preso à alma por algema
forrada de malmequer
*
que lábios tão belos
que beijos tão doces excitantes
sinto o teu peito arfando
arrepiam e suam os meus pelos
tua alma e minha amantes
o absinto do cálice entornando
amo-te dos pés aos cabelos
*
gostava de ser poesia
vai e vem onda do mar
preso a ti de fantasia
barco de amor a vogar
*
que olhos tão penetrantes
que brilho do teu rosto emana
sinto a alma a palpitar
de teus encantos perturbantes
do sorriso luz humana
que inunda de cor meu respirar
ondas de mar ondulantes
*
gostava de ser soneto
ou canto maior de poeta
da tua vida amuleto
em cada verso um alerta
*
que seios tão redondos
sonhos firmes d'anseios arfando
a cada passo arrojados
botões de flores tão me queridos
toco leve porque apertando
temo que por excesso apalpados
flácidos te fiquem horrendos
*
gostava de ser na rima
aberta fechada ou profunda
o que na alma apruma
o amor maior que te inunda
*
que corpo d'alma beleza
que cheiros sabores tacteados
carácter bondade doçura
sorrisos que abalam a tristeza
dos dias apunhalados
porque não há vida sem loucura
nem amor sem realeza
*
Gostava de ser poeta
de te rimar paixão sem pudor
se me chamassem pateta
corava de orgulho e de amor
jrg
21
Nov09

OARISTO!!!...

NEOABJECCIONISMO

 

 

 

 

 

 

tão belos enlevados eram teus seios

que bicho insano corroeu

quando me contaste teus receios

confesso vacilei mas o amor prevaleceu

 

bem sinto a frustração de os não ter

a dor aguda que se instalou sem solução

maior que a sensação de não tirar prazer

é sentir que o corpo se perdeu na ablação

 

não juro nem prometo sinto na alma

ser do teu corpo o mais fiel servidor

como um eunuco que se castra no harém clama

quero ser remédio que cura a tua dor

 

é bonito ouvir de quem se ama tais propósitos

mas sei que a vida que é sendo atraiçoa

uma mulher bonita sedutora atrai casos insólitos

nos desejos íntimos que a libido não perdoa

 

é verdade que o sendo na vida é imutável

mas encaro dentro de mim a revolução

que permita ser um fim a variável

e seja interdito cair em outra sedução

 

o tempo será bom mestre quero acreditar

vamos fazer amor como antigamente

estou curiosa de sentir o que mudou ou vai mudar

em mim em ti em nós na nossa mente

 

beijo-te os pés as pernas o sexo até aos lábios

continuo inebriado dos teus cheiros

não dei por ter saltado o lugar dos frutos sábios

sei que foi um momento absoluto de meus anseios

 

autor: JRG

 

 

 

 

07
Set09

N A N Y - 3ª PARTE

NEOABJECCIONISMO

 

 

 

 

 

 

 

Doll Dream

 

autor:José Luis Cunha - olhares .com

 

 

 

 

 

Anamar e eu próprio caminhavamos lado a lado por entre a multidão que entretanto  tinha afluído à praia,  na manhã  solarenga a queimar os últimos dias de Verão, indiferentes à chilreada das crianças, aos olhares cobiçosos que a miravam, que a despiam voluptuosamente, tal a beleza que se elevava do seu corpo, da majestade natural do seu andar, como se saltitasse, leve, os seios dela em turrinhas provocantes no meu braço deixado propositadamente a jeito de receber o encosto, sentia os bicos dos mamilos, salientes, isolados do conjunto mamário, por vezes ela abraçava-me e eu sentia toda a totalidade. Despudoradamente deixei de me preocupar com a saliência do meu sexo sob o calção, apenas o acomodei, ao longo da barriga, para que não fosse uma evidência perturbante

 

Anamar falava ainda do livro que ambos tínhamos lido e que nos impressionara pelo rigor estético da abordagem aos amores alimentados no silêncio dos corpos, as carências conjugais, as certezas mentidas a si próprios que alimentam as dúvidas. Nany é um romance de interiores.

_Explica-me isso de ser um romance de interiores, como uma arte decorativa... e soltei uma gargalhada.

_Repara, tudo se desenvolve no ecrã do computador, excepto quando se encontram para o envenenar, ela e o amante autêntico, Artur, por quem ela tinha de facto uma paixão, mandara até emissários para o testar, se ele se interessava dela, se tinha compromissos. Ele apareceu num momento fatídico de exasperação interior dela, do seu eu inconstante, a sonhar devaneios, em desvario, queria sentir a libertação de sensações que se acumularam e aquele personagem, galante, caliente, de palavras cruas e olhar penetrante na alma, encantava-a, como se fosse uma pausa até que o outro estivesse disponível, se vissem cara a cara, como aconteceu.

O livro mexera com ela, Anamar, senti toda a efervescência do corpo, o brilho dos olhos, os apertos que me dava no braço, os seios dela.

A casa tinha uma sala ampla com vista de mar e era limpa duas vezes por semana por uma mulher que colaborava na manutenção da casa e das roupas desde que Adélia morrera.

Adélia era a minha companheira, o grande amor da minha vida e tinham passado 10 anos desde então. Ela disse-me que eu arranjaria outra mulher, fez-me prometer-lhe que o faria e eu fiquei este tempo todo à espera de alguém, sem sexo, sem carinhos, sem calor nem frio, eu ausente em mim, numa parte de mim e agora, Anamar, os pés descalços sobre os azulejos luzidios, uma alma transparente de onde eu via um mundo paradisíaco à minha espera.

_Tenho uma paixão por lingerie, disse ela, naturalmente, no tom suave e quente da sua voz que me soava em melodia.

Eu estava em frente da janela grande, de costas voltadas para o mar e vejo-a subir subtilmente o vestido,   ou a túnica, as pernas, as coxas, a casquinha de cor preta com desenhos rendados de flores e cupidos espetando corações.

_São Lotus...

_Hã...

_Os desenhos...são flores de Lótus e eros caçando seus amores na magia dos aromas. Gostas?

Os nossos olhos não despregam, rutilantes de uma luz que nos inebriava e conduzia de gesto em gesto, as pulsações dos nossos corações, eu ouvia o meu e o dela, ou era apenas o dela ou só o meu, toc, toc, toc, uma vontade crescente de a abraçar, de ser em ela.

Junto à vulva um relevo que me prendia, o corte perfeito, adequado às suas formas.  Erótica, toda ela na sua simplicidade de mulher, os seios saindo da abertura da túnica, apelativos, os dedos compridos nas mãos bem cuidadas, os lábios sequiosos, embora húmidos de se morderem, beijei-a demoradamente, os nossos corpos enleados, a pele electrizante de encontro à minha, um ardor de fogo em toda a volta do corpo,   do lado de fora, a senti-la quente, os olhos fechados por momentos, longos, e quando se abrem dizem tanto da luz que emanam.

Levanto-a do chão com os meus braços e deito-a no tapete grande que há na sala, com motivos de deusas adejando sobre corpos nus de mancebos pujantes de sensualidade.

Fico assim, por um momento, de joelhos a ver o seu corpo a adensar-se na caixa dos sonhos, ou das imagens que edito num recanto da mente, ela olha-me docemente, estende-me os braços e eu debruço-me sobre os seus pés que beijo com toda a ternura que sinto,   ela encolhe-se com cócegas, chama-me doido, seu doido querido e eu sigo o caminho, beijo as pernas, os joelhos e detenho-me ante os cupidos, os corações vermelhos no fundo preto da cueca, o cheiro que me vem de dentro dela que me inunda de prazer, de desejo, de felicidade e beijo o espaço pudico, a vulva por sobre a cueca, ela aperta-me a cabeça, agarra-se aos meus cabelos, afasta as pernas, o meu nariz rasga em movimentos dúcteis a cavidade da vulva, surgem pontinhos luminosos, gotículas de fluidos que se espraiam da vagina, ela aperta-me mais de encontro ao fogo que me exalta e solta ais sumidos, levanto a cueca, uma nesga lateral,   com os dedos afasto os lábios raiados de sangue, a purificação do sangue e absorvo todo aquele odor que se apossa de mim, beijo o clítoris, Anamar puxa-me para cima, ainda me detenho no umbigo, beijo a barriga, as partes laterais do corpo e chego às maminhas, os mamilos evidenciando-se, destacando-se escuros na pele clara e já ela, louca, impaciente, mexe no meu sexo e fá-lo entrar na ânsia que a consome em fogo alucinante, beijamo-nos, as línguas num rodopio de dentro das bocas, revolvendo salivas, sabores de frutos, sinto o meu sexo dentro dela, sinto tudo dela, contracções, espasmos, fluidos que se libertam, de súbito ela atira-me ao tapete e ergue-se sobre mim, metida em mim, sem se soltar, o dorso levantado, as pernas abertas sobre o meu corpo deitado, a mamas balouçando enlouquecidas, os olhos revirados, as minhas mãos nas maminhas dela, os mamilos, os ais dela e meus, e de dentro uma revolução emotiva, absoluta, abrasadora

Anamar caiu sobre mim, exausta, beijámo-nos e ficamos deitados sem dar conta do tempo, inseridos um no outro.

Ao lado, caído no chão, o livro do nosso desassossego, NANY.

 

 autor:jrg

 

23
Ago09

N A N Y - 2ª PARTE

NEOABJECCIONISMO

 

 imagem da net

 

 A minha alma passeou a sua inquietude nos sonhos da noite mal dormida, o corpo dorido, ante o alvor que corria célere e se mostrava  na sua evidência de luz a meus olhos povoados de imagens sombrias, a aclarearem-se.

É um encontro de estranhos, de mim em mim, surpreso de me ver cativo duma mulher. Há quanto tempo o meu coração, a mente, o corpo estável, habituado a amar a única mulher que me amou sentidamente. Era assim, mesmo após a morte, sentia-me desligado de um qualquer enlace que se sobrepusesse ao único e grande amor de toda uma vida.

A imagem de Anamar impunha-se-me insistente, toda ela luz, sabores, cheiros, toda ela uma melodia única nos sons da voz, candidamente doce, pegajosa, a imiscuir-se nos poros da pele, a apelar um entendimento subtil.

Avisto o infinito do mar, de onde me encontro sobre a cama, a planta Tropical tombada sobre a parte direita da janela a toda a largura do terraço, com as portas ao meio, de correr. Há uma bruma à flor da água, flocos níveos como fumo de fogueira mal apagada.

O sol ainda por detrás da falésia, apenas o vislumbre dos seus raios  uniformes que cortam a neblina, as flores que rejubilam amanhecidas, orvalhadas dos néctares nocturnos.

Foi uma noite de inquietação da alma, sem descanso, a mente febril dilacerando-se entre a memória e a realidade a procurar impor-se como uma evidência, a a afirmação de que o ser é sendo, o que ontem era um principio inabalável, hoje aparece em contornos de dúvidas instaladas porque houve uma emoção nos sentidos.

Visto o calção azul escuro que há muito jazia na gaveta e isso é um sinal que o meu ego se prepara para cultivar a aparência, a camisa de xadrez azul claro sobre fundo branco, os chinelos de cabedal abertos ao joanete sobressaindo dos meus pés que me parecem enormes.

A praia ainda semi deserta, esplanadas fechadas, o sol já sobre a falésia, rutilante de luz, caminho ao longo do paredão na direcção do Norte, à minha esquerda o mar de um azul fascinante, as ondas mansas, pessoas que se passeiam cortando a água com os pés, chapinhando-se e penso inevitavelmente nela, esbelta, os olhos doces sobre o meu corpo, o gesticular das mãos que compõem o explanar do seu ponto de vista.

À minha direita o que resta da mata de acácias, os parques de campismo, será que ela vem? Que impressão lhe terei causado? A suficiente para que se dê ao trabalho de vir de novo, na incógnita do que poderá acontecer, no aprofundar de questões da intimidade que aproximam ou afastam, que inibem ou despoletam emoções.

O meu olhar fixa-se, de súbito na silhueta de mulher sentada sobre a pedra grande , à entrada do esporão, o vestido tipo  roupão avermelhado, os óculos escuros, os braços exímios descaídos sobre o corpo e o livro preso na axila do lado esquerdo dela. Sinto toda a harmonia do ser que ela é, ou que se me evidencia como sendo. Aproximo-me , o coração em palpitações de adolescente ante o seu primeiro namoro e penso que é assim sempre que há uma verdade nos sentimentos, um click de sedução consentida, a voz presa na garganta ressequida.

_ Anamar!...

Ela vira-se e deixa-me abismado sobre mim, tirou os óculos e toda a luminosidade dos olhos estavam patentes, como se tivessem estado a chorar, ou uma memória, um sentir que se tivesse soltado de dentro de si e o sorriso, aberto, agradado, agradável.

_João Maria!...

Abraçámo-nos, os seios dela de novo no meu peito, os nossos rostos encostados, tão próximos, perfumes alucinantes vindos dos lábios abertos, apelantes e eu arfante, a sentir o coração dela, a ouvir as batidas aceleradas do meu, tão próximos os lábios carnudos, flores vermelhas humedecidas e afundo-me neles, os meus lábios nos dela, dois toques, frescura e fogo de dentro e embrenho-me e ela embrenha-se, as línguas percorrem-se e ladeiam o interior da boca, as laterais, o céu da boca, salivas entrelaçadas de uma doçura quase extravagante, lábios com lábios, as línguas num devaneio possessivo, os nossos corpos colados, roçando-se, o meu sexo levantado, saltitante e julgo perceber o concavo desenhado do sexo dela  sob o vestido, onde o meu sexo se acoita prazenteiro, despudorado, as minhas e as mãos dela percorrendo a costas em movimentos circulares, respiração contida, arfante e contida a espaços. Loucos.

_Perdoa-me!...o teu poder foi mais forte...

Os olhos dela tremelicaram, ainda mal refeita, passando a língua pelos lábios, voluptuosa, trémula a voz, entre sumida e grave, quase patética se vista de um outro angulo.

_Teria de ser um perdão mútuo porque eu também não me contive, foi um impulso...

Demos as mãos e caminhámos no sentido da esplanada. No areal os gritos agudos das crianças soltando as energias acomodadas desde a cidade. Atiram-se areia uns aos outros e chapinham na água que vem beijar-lhes os pés puros de meninos.

_Digo-te que eu própria me surpreendo. Venho de uma separação conflituosa, como te disse, um homem que se alterou a dado passo da relação, que se assumiu como se tivesse tomado posse de mim, exibia-me, a sua mulher, prendia-me até os pensamentos, o gosto de andar despida dentro da casa, ejacular-se dentro de mim e soltar-se, sem se importar com a minha própria satisfação, alhear-se dos meus anseios, dos meus projectos, possuir-me... _ Deixa-me possuir-te!..._ era como ele me dizia,  ter-me para ele, dócil, submissa.

Aperto-lhe a mão pequenina entre a minha, macia a pele, os dedos esguios, os seios dela batem no meu braço de vez em quando com a oscilação dos corpos no andar e digo-lhe que gostava de ser dentro dela e de a sentir ser dentro de mim

Anamar volta-se e beija-me de leve os lábios.

_És um ser muito querido.

_Acabaste o livro?

_É um livro intenso, de culto pela personagem da mulher, das mulheres todas embutidas na Nany da sua paixão, saída do virtual, deixando-se tomar da paixão dela, ele, um homem velho saudoso da sua juvenilidade, ou da juvenilidade da mulher que é o seu amor de sempre, surpreendido de ser o alvo, o objecto do amor confesso de uma mulher muito mais jovem, bonita, com uma vida confortável, a questionar-se do porquê e do que fazer ao senti-la frágil, ansiosa de o ter como amante.

Anamar fala efusivamente do livro, da substância do livro, percorre os personagens, a entende-los à luz da sua própria imagem.

_E as cenas de sexo, alta madrugada toquei-me ...estou toda molhada...são cenas que saltam do livro e nos colocam dentro da cena, vivenciando-a, depois, toda a teia perversa que ela engendra para acabar a relação, a intriga em volta dele, fazendo-o acreditar que fora um devaneio da sua própria inconstância, o desprezo com que o foi destruindo até que não representasse mais um perigo para a manutenção do seu estatuto de mulher de bem.

E ele, louco, gritando na cidade, julgando que estava à beira do mar: " Nany, Nany!!!..."

 Tomámos o café na esplanada, Anamar de costas para o mar, em frente dos meus olhos, o recorte do tom laranja avermelhado do vestido ou túnica de tecido leve sobre o azul forte do mar e digo-lhe que nos está a acontecer algo de imprevisto, que a estou a sentir como uma célula que brota de mim para fora e que se inclina para reentrar, num ir e vir diáfano que me atordoa que me faz sorrir.

_Estou como que numa euforia em que me apetece gritar, soltar gargalhadas intempestivas sem nada que as justifique, adejar sobre nós os dois, os nossos corpos revolvendo-se, como se te conhecesse há séculos, fazer loucuras, beijar-te, mostrar-te o meu corpo...

Ouço a sua voz melodiosa, o brilho cativante dos olhos, os lábios que se mexem, se mordem a sentir sensações dela, do interior dela, as mãos num rodopio de gestos que procuram completar as palavras, as pernas que se abrem e fecham, o corpo todo em movimento, um movimento que vem de dentro e de súbito, aquele cheiro antigo, há quanto tempo? o cheiro do interior do sexo, absorvente e digo-lhe.

_Podiamos fazer um almoço para nós em minha casa...

Anamar sorri, toda ela, o rosto, o corpo esbelto, um sorriso franco, abrangente, a inteirar-se do meu convite, a sentir que é o momento que secretamente ansiava, secretamente dela própria e faz uma cara preocupada.

_Aceito, mas quero dizer-te que estou no terceiro dia da menstruação.

Dito isto levou os dedos aos lábios e encolheu-se toda na cadeira, como se se desse conta que dissera um disparate, se predispusera a ter sexo comigo, se adiantara em relação ao momento.

_Se não te incomoda eu adoro ser dentro de ti, menstruada, o meu sexo envolto no teu sangue que se purifica, o teu cheiro activo nascido do mais intimo. É isso, a menstruação  altera  o efeito sedutor de mistura com os cheiros da apetência sexual. Torna-os exaltantes a nos sublimarem num absoluto de amor.

Ela ri-se de novo, a alma em redor, a praia "deserta" num repente. Pego na mão dela e vamos...

 

autor:j.r.g.

10
Jul08

JOÃO VILARET - CÂNTICO NEGRO

NEOABJECCIONISMO

João Villaret

 

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 Registo aqueles dias à hora do almoço. O S. Jorge imponente nos silêncios.O silêncio do palco iluminando a sombra . O silêncio de quem veio e se senta reverente na plateia que se adensa. O palco adereçado para o espectaculo como se ele estivesse lá. A cadeira, o piano, O facho de luz sobre  o invisivel da imagem.

Tu e eu de mãos dadas. Sustendo-nos de respirar.

Assina -Virginia Bettencourt

 

 Sem dúvida o melhor declamador de todos os tempos, em Portugal. Deu alma à poesia Portuguesa, imortalizou poetas e poemas e este Cântico Negro, de um poeta maldito, eximio de força e de criatividade da arte e dizer. Eximio na afirmação de ser Português.

Nós somos assim. Podem avisar-nos, demonstrar por A mais B que vamos no caminho errado, apontar-nos um outro rumo, que nós dizemos não, "não vou por ai. Só vou por onde me levarem os meus próprios passos" A minha homenagem de culto, ao poeta e ao intérprete

Neo

 

 Gostaria de lembrar um outro aspecto que considero muito importante na personalidade de João Villaret, e que tem a ver com o contributo que ele deu a uma liberdade que ainda vinha longe. Dos palcos dos Teatros do Parque Mayer, quando o homenzinho da censura adormecia, João Villaret aproveitava para dizer todas as verdades que lhe ocorriam sobre o triste país em que vivíamos. Ele ridicularizava Salazar, dizia o que lhe vinha à cabeça, e com isto arriscou a a vida por uma liberdade que para ele já não chegou a tempo. Obrigada, João Villaret.

Assina - Teresa Mascarenhas

 

08
Jul08

FRANÇOISE HARDY - 1944

NEOABJECCIONISMO

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nota. A imagem perde qualidade á medida que se expande. A voz mantém o tom.

 

 

É uma das mais bela mulheres  do mundo em meados dos anos 60. Uma voz suave melodiosa, romântica e envolta de suaves mistérios. Um encanto total. Uma sedução envolvente de toda a sua coreografia, ela própria. Esbelta.  É a voz e o rosto, no feminino da canção Francesa da época. É a paixão, ou o modelo de muitos jovens em todo o mundo.

As suas canções têm um significado profundo, um romantismo atractivo, sedutor. Mesmo que não se entenda a letra, a voz e a expressão artística que assume no rosto e nos gestos, transportam-nos a mundos subliminares de excepção.

 A sua figura produz um encantamento na sedução do seu olhar.

 Simples, elegante, transmite igualmente, uma imagem da mulher do futuro. Interessante, culta, sem as frivolidades que se associavam ao género feminino.

É uma expressão do sonho de ser mulher.

 

 

  

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09
Jun08

UM POVO.UMA NAÇÃO-O FUTEBOL-A SELECÇÃO

NEOABJECCIONISMO

É uma Nação em festa. Bandeiras nas janelas, nos carros, em volta das pessoas em camisas , panos e outros artefactos. É o tema de todas as conversas. A selecção.

São um conjunto de jovens, briosos, elegantes, ricos e que do futebol têm o engenho e a arte não querem mais do que isso, ser da arte interpretes valorosos e de tal tirarem proveitos financeiros.

Mas o povo a Nação, que sempre se levanta por uma boa causa, enorme e em emoção se agiganta, vê, na selecção, a oportunidade de ser grande, de ver reconhecido o valor de ser Nação.

Tarefa dura, ser a parte maior da ambição, onde outros também o são.

Que interessa o poema, a ficção, as artes e as ciências do homem, da civilização, a medicina, A engenharia, onde a grandeza que somos é uma evidência, calada na propaganda de que somos os últimos em quase tudo o que edifica uma Nação?

Dirão que são pequenas ilhas sem honra Universal e que o futebol, isso sim, é toda uma Nação.

E não é Português, o homem que idealizou e conseguiu unir um povo inteiro à volta de uma ideia, a selecção. Seria desperdício cooptá-lo para Ministro da Educação?

Sabendo nós que o verdadeiro déficit do País, é na área da educação, porque espera o Primeiro Ministro?

Scolari, já a Ministro da Educação.

01
Jun08

DA FILOSOFIA DA EXISTÊNCIA

NEOABJECCIONISMO

No amor nunca os pratos da balança estão equilibrados. E como a essência do amor é etérea, quem pesa mais é quem ama menos.

Vergilio Ferreira

O vocabulário do amor é restrito e repetitivo, porque a sua melhor expressão é o silêncio. Mas é deste silêncio que nasce todo o vocabulário do mundo.

Vergílio Ferreirara

Ama-se a vitória difícil, porque a derrota lhe preenchia quase todo o espaço possível. E foi com o que restava que se venceu em todo ele.

Vergílio Ferreira

02
Mai08

DISSECAÇÃO DA PALAVRA AMOR

NEOABJECCIONISMO

Pego na palavra amor. Ostento-a num papel branco onde desenhei a várias cores o A o M o O o R. .

Está perfeito. Primeiro em dégradé de cada uma das cores básicas: o vermelho, o verde, o azul, o amarelo, o preto, Depois utilizo folhas de papel coloridas. Coloco-as uma a uma na frente dos meus olhos, com os óculos de dioptria e meia. Fixo a palavra, a cor, a palavra. Soletro-a. Pronuncio-a em voz baixa. A meia voz. Grito-a. Apaparico-a de tons, suaves, quentes, sussurrantes, agudos, raivosos, blasfemos e volto à ternura que a palavra envolve, que ela pretende ser ainda, desde que a criaram e lhe atribuíram uma significação. A M O R. . .

Sirvo-me de um pequeno binóculo. Aumento a palavra. Reduzo. Aumento

Penso nos poemas exaltados, as odes, a lírica ,a epopeia, o  soneto, o verso trepidante a esmo, sem rima, em catadupas de enlevado orgasmo existencial. E na prosa sibilina que génios ou simples escribas de ocasião elevados ao panteão das musas eruditas por lobbies de promíscuas intenções, E em como a palavra resistiu, resiste, no âmago de si própria indecifrável, indetectável o sentimento do sentido, a aferição da grandeza.

Ela, a palavra A M O R. . , continua a ser utilizada por todos na medida das suas conveniências. Mais ou menos ferida de significante erudição.

O amor da mãe pelo seu filho gritado até à exaustão, não a impede de permitir e colaborar na sua violação, do filho, da filha, quando uma outra significação de amor, o próprio ou o carnal, de sexo e orgias consequentes, ou as drogas paradisíacas e ou afrodisíacas ingeridas para suprir a falta de amor e inventar um novo, artificial e efémero, amor que basta no momento e acalma o frenesim da solidão de si, de se não ter, de se não achar.

O amor de amigo, falso, misericordioso. Envolto em enredos desculpabilizantes. Em evasões de raciocínio denso e mirabolante .

O amor de pai como só ele sabe amar. Intransigente. Austero na aplicação das leis primárias e a utilizar a palavra na medida do querer ser ou parecer, como pilar da união, cada vez mais perene, da família e a delegar na mulher dele, mãe dos filhos ou madrasta, a administração do amor quanto baste.

28
Abr08

ZÉ DO PAPO-O ERRADIO MAL CHEIROSO NUM DIA DE SORTE

NEOABJECCIONISMO

Zé do papo, o vagabundo glorioso que varria, quer dizer, andava por, toda a cidade, mais propriamente as partes mais nobres, da cidade, soletrando palavras obscenas e outras não tanto, em sussurros arfantes pelo cansaço de andarilho, catando aqui ou ali, alimento, objectos que lhe fossem úteis, favores subtis, encapotados de altiva sobriedade.

O que lhe dava mais gozo não era uma foda em qualquer gaja bem parecida que se enamorasse, enjeitada, das sua parcas qualidades atractivas, como ouvia a alguns basófias , nas noites sem chuva. O que lhe dava verdadeiramente um gozo de morrer a rir, de se peidar em jeito de fogo de artificio, era a imagem aflita dum ricaço, em carro de alto gabarito, entreabrindo a janela, um fio de espaço para deixar passar a voz melosa, a pedir-lhe, a ele Zé do papo, que arrastasse aquele caixote do lixo à entrada da garagem, para que a bomba de carro não saísse beliscado, e a corromper a liberdade da sua decisão com uma moeda reluzente, ouro e prata fingidos, por entre os dedos banhosos , da mão direita, sem anéis , no pequeno espaço aberto na medida certa para que os dedos dele não tocassem os do Zé, erradio e do papo. E o aroma dos seu pés não maculassem as ideias que acumulara.

-Zé, chega-me aquele caixote para lá. Tens aqui uma moeda. Olha que são dois euros.

Cabriolou numa reviravolta, sacou a moeda e dum salto lesto de genuína infantilidade, deu um piparote no dito, que se tombou.

E sem mais ligar ao banhoso , Zé do papo, olhos sagazes na procura, uma sandes inacabada e mista, olaré. Catou, catou e não achou mais nada com interesse. Juntou o derrame que meteu no caixote e seguiu adiante, comendo e cantarolando.

Havia uma espécie de tasca, um café avacalhado, como diziam. E foi para lá que foi regar com vinho, do tinto, aquela meia sandes e um coto de banana, ainda com casca que por último quase se perdia.

Zé do papo tinha um aspecto asqueroso à vista e fedia uma mistura de cheiros e aromas de frutas e odores do corpo macerado pelo pó e falta de água potável e sabão.

Tomava um banho de quinze em quinze dias, no abrigo e, quando havia, mudava alguma roupa. A merda no corpo dava-lhe saúde. Dizia por entre os dentes podres, os lábios gretados, grossos.

Saíu da tasca, cambaleando. Apanhou do chão o resto de meio cigarro e dirigiu-se a uma mulher,à porta da loja, a fumar, pedindo lume.

Zé do papo mirou-a bem. Era bonita. Jovem. E tinha um corpo escultural. Uma calça justa ao corpo. A meio, o rego da cona em evidência, entre os lábios fartos, Um papo de cona descomunal. Fazia-lhe o minete , o lambete , o que ela quisesse . Os olhos raiados de luxúria e fixos na imagem que o caracterizava. Zé do papo. Pedindo-lhe lume, se fazia favor e ela, de pronto, oferecendo-lhe o isqueiro,  que ficasse com ele. E a meter-se na loja, a fugir-lhe. Os dentes podres. O sorriso rebarbativo.

Seguiu um cu bamboleante que passava, a cueca entalada no rego entre nádegas rijas, ou bem compartimentadas, a sobressair das calças brancas de tecido fino.

Era outra das suas paixões: os papos de cona e as cuecas à transparência de calças ou vestidos. Havia algumas sem cuecas e era a pintelheira farta o que Zé do papo sorvia nos olhos turvos e atormentava a mente com motivos escabrosos de fodas em turbilhão num qualquer vão de escada.

Caía a noite. Crescia a noite. Mais um copo e outro e outro. Hoje tivera muitas emoções e foi-se deitar, num recanto de prédio, onde guardava os preparos e uma cadela vadia lhe fazia companhia.

Deitou-se. Acendeu um coto de cigarro. A cadela chegou-se a ele, meiga, os olhos doces e tristes. Zé do papo esperava companhia. A Zarolha.

E veio, trôpega, chiando ais. Sentou-se no colchão junto dele, sem  se aperceber do vulto que já lá estava, adormecido. Zé do papo apalpou-a no escuro.

-És tu? Zarolha do caralho ?

-Sou, sou, meu cabrão.

Zé do papo achegou-se a ela, levantou-lhe a farripa de saia, aspirou o ar com sofreguidão, a mistura de cheiros, mijo, espermas ressequidos, sarro e enfiou-lhe o caralho há muito faminto das sórdidas investidas que aplacassem a loucura das visões diurnas.

Ela, a Zarolha, não deu por nada. A cona chocalhando de espermas antigos e recentes. E ele, arfando e peidando-se , adensando o ar de novos perfumes e vapores.

A cadela dormindo.

 

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