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NEOABJECCIONISMO

O abjeccionismo baseia-se na resposta de cada um à pergunta: QUE PODE FAZER UM HOMEM DESESPERADO QUANDO O AR É UM VÓMITO E NÓS SERES ABJECTOS?- Pedro Oom .-As palavras são meras formalidades... O NEOABJECCIONISMO, n

NEOABJECCIONISMO

O abjeccionismo baseia-se na resposta de cada um à pergunta: QUE PODE FAZER UM HOMEM DESESPERADO QUANDO O AR É UM VÓMITO E NÓS SERES ABJECTOS?- Pedro Oom .-As palavras são meras formalidades... O NEOABJECCIONISMO, n

29
Set12

AS TÁGIDES VOLTARAM!

NEOABJECCIONISMO
cópia de tela de Nadir Afonso
**
AS TÁGIDES VOLTARAM!
**
prostrado à beira do Tejo
os meus olhos
procuram as Tágides antigas
tão de tanto belas
para que me sorriam
perfumadas
em aromas de poemas
*
tremelicam as luzes a norte
ao longo da marginal
pela fresca brisa beijadas
nada na negra noite
agita a mansidão das ondas do rio
que me refrescam
o lânguido pensamento
*
as Tágides morreram todas
fantasias de poetas
que nelas viam os sorrisos
da alta inspiração
doutro mote se faz agora
a terna poesia
uma flor uma ave ou mulher
*
estou às portas da cidade
escrevo e pinto
enrolado nos sons da melodia
que tem Lisboa
sobre os escombros onde sinto
sonhos de fantasia
num grito que em mim ecoa
*
ninguém sabe de que morreram
as Tágides  amorosas
ninfas do Tejo manjares
de poetas e poetisas
que naufragavam para serem amadas
nos cânticos e preces
amontoadas em orgias nocturnas
*
um rumorejo nas lisas águas
uma barbatana caudal
cabelos longos enrolados em rosas
Tágides ninfas ou musas
de versos cadastrados em sítios
seios cobertos de espuma
e sorrisos são elas as Tágides voltaram!
**
sulcam as águas da esperança
de onde vieram não sei
sobem o rio coloridas são amores
que o mar arrasta p'ra foz
saltam remoinhos reencontro de correntes
adamastores rendidos
aportam a Lisboa a acordar
autor: jrg
07
Set12

TRAFARIA ou o MITO DA ESPERANÇA MORTA!

NEOABJECCIONISMO
imagem pública tirada da net

«««//»»»
TRAFARIA ou o 
MITO DA ESPERANÇA MORTA
***

a vila pasma moribunda
de silêncio frente a Lisboa adormecida
um barco de pesca atraca sem ruído
no cais da lota enquanto o país se afunda
grita a gaivota alerta à vida
na mansidão do Tejo ouço um vagido
é a esperança que minh'alma ronda
*
é tempo de incendiarmos as palavras
inflamá-las de coragem e amor
e atirá-las sobre os vermes que avançam
incólumes sobre a terra que lavras
pela planície humana apavorada uma flor
que ao soprar dos ventos ranjam
as portas que na tua alma de combate abras
*
cheira a pólvora seca
fulminante ou rastilhos de uma revolta
explodem palavras obscenas
na vila onde um vagabundo disseca
a vida que parou à sua volta
caras vermelhas de indignação serenas
pela sordidez do poder à solta
*
é preciso salvar a esperança
vitima de minorias absolutas obscuras
dada à praia ainda em agonia
se for preciso convoquemos uma criança
ou mulheres livres de roupas escuras
para comandar a força da nossa cobardia
a vila treme a ver se Lisboa avança
*
e é todo um clamor a norte a sul
de mães e filhos saídas do silêncio a acordar
fecharam escolas asilos e tavernas
a estrada tomou da luz a cor do céu azul
fábricas escritórios bancos a encerrar
porque a esperança é o que faz andar as pernas
é a alma de viver fora do casul (o)
*
marcham bombeiros e polícias à paisana
chegam à vila dos passos os rumores
das vozes saem cânticos de esperança a renascer
Lisboa a fervilhar de emoção abana
é um país que se agiganta sem medos nem temores
por uma vez a verdade sem mentira vai vencer
num volte face sobre a loucura agreste e desumana
*
quem disse que a esperança morreu
ou que o silêncio a mataria por demência
não viu que havia gente a pensar
nem o ventre da mulher onde ela renasceu
só havia nas crianças essa consciência
quando sorriam sobre a tristeza dum povo a definhar
Vitória! em Portugal a Primavera amanheceu!

autor: jrg
13
Dez11

SUBTERRÂNEOS...

NEOABJECCIONISMO

foto pública tirada da net 

*

SUBTERRÂNEOS...

*

a linha metro d'aço
electrificada
em tanta alta tensão
ruído gente
atropelo chiadeira
o tropeçar
na troca do passo

*

atravessar escuridão
túneis labirintos
num apoio de cotovelo
entre oscilatórios
movimentos de fixar os olhos
veloz como pensamento
de que se faz ilusão

*

o que pensamos
não o que fazemos
emocionais alianças
que nos tocam 
efémeras
mas o que nos dói de pensar
e disfarçamos

*

a falta de coragem
a deriva
em volta do labirinto
testar no outro
a nossa cobardia
na mansidão consentida
adúltera selvagem

*

a arte esventrada
nas paredes
por onde os olhos rasam
sem tempo d'entender
quanto ruído
e luz e medo em correria
na mente cansada

*

o aperto constrangido
aromas voláteis
rostos invioláveis
o choro compulsivo de crianças
na melodia dos pedintes
que sangram
ante o mutismo empedernido

*

chegar e ou talvez partir
a de que instante
rompendo o tempo
sem vento nem frio chuva
como se de uma mina
de que somos o filão inesgotável
de gente triste a sorrir

autor: jrg

27
Nov11

LISBOA A CIDADE...

NEOABJECCIONISMO
imagem de Barragon
*
LISBOA A CIDADE
***
de onde a vejo
Lisboa pelo sol recortada
entre torres e abismos
fecho os olhos a ver se almejo
sinal da alma apaixonada
que povoa o pensamento de lirismos
num abraço e doce beijo
**
como pontas aguçadas
as torres solitárias do Restelo
a Torre o Centro Cientifico
marcas de almas da vida já passadas
Miraflores e o Castelo
o rio que corre para o mar fatídico
e nem um ar de gentes apressadas
**
nada no murmúrio do vento
a cidade fervilha de silêncio subterrânea
a ensaiar um grito de esperança
ou de amor que satisfaça a contento
a frieza d'oratória em litania
que resiste à crueldade da temperança
despida de sentimento
**
à esquerda a linha
no esplendor da luz majestosa
bafejando palácios e gentios
numa partida de golfe onde se cozinha
e tece a teia densa pegajosa
que prende a alma humana pelos fios
na avidez torpe e comezinha
**
de onde a vejo
Lisboa imensa a Capital do reino
ainda aurífera de vã beleza
a percorrer os túneis por um doce beijo
de raros amantes em retiro
sem o aroma de violetas com tristeza
a reprimir o sonho no desejo
**
é tudo falso e consentido
na revolta por ter medo na manifestação
no manifesto a sombreado
há em Lisboa a marca subjacente ao alarido
que enegrece de humanidade o coração
que quebra no ânimo insurrecto o almejado
acontecer do tempo renascido
**
alongo a vista a ver se alcanço
dentro das casas vazias de alegre sorriso
um movimento do inconsciente
um riso transparente de criança e logo avanço
armado do amor de que preciso
a despertar do sono a letargia permanente
onde a cidade mergulha sem descanso
**
autor: jrg
16
Out11

15 DE OUTUBRO 2011 NA RUA...A MANIFESTAÇÃO DE LISBOA...

NEOABJECCIONISMO
foto pública tirada da net
15 DE OUTUBRO 2011 NA RUA...
A MANIFESTAÇÃO DE LISBOA...
***
Outubro solarengo
as folhas mal começam a cair
o trânsito cortado
policias fardados e à paisana
apitos desesperados
de pessoas acossadas medianas

ligo o rádio
a ver se há noticias
Antena um relato de futebol
TSF bola em movimento
Antena dois toca musica sacra
algo no mundo está morrendo

lá vem a massa humana
será gente?
será extensa espessa?
ou um filamento a conta gotas
que murmura e grita
sem medo do sistema que a agita

entro pela cabeça embandeirada
a ver em cada rosto
o propósito de ir até ao fim
olho por olho e o sorriso
o gesto a força da alma indignada
aspiro dos corpos a esperança

crianças a pé ao colo
mulheres da nova MÁTRIA em construção
empunham as palavras
empunham a vontade de vencer
acreditando na evidência
de serem a força insubmissa da revolta

choro de emoção
a lembrar outros já longínquos momentos
atravesso a humana multidão
que sai à rua a tomar da consciência
que não são reses 
apascentadas por pastores sem dimensão

murmuro Mátria..à Mátria...pela Mátria
toco corpos e palavras
troco sorrisos desfaço teias
são muitos trazem de sonhos a alma cheia
são como um rio que anseia o mar
da liberdade em abundância

procuro a ver de quem conheça
mas os rostos são todos tão iguais
e volto à cabeça
a ver se me acho nas parecenças
com a sensação de ser eu em cada um
no rompimento do silêncio

penso nas centenas de cidades
nos oitenta países todos juntos na corrente
que decretam o fim da insanidade
por um conceito novo de humanismo emergente
que liberte a cativa humanidade
que a devolva sem demora à sua gente

o rio de gente desagua em delta
numa envolvência frente ao parlamento
empunham cartazes exigentes
exibem pensamentos virtudes de excelência
contra a rapina que os quer insolventes
reclamam BASTA não pagamos mais

autor: jrg

27
Mar10

ESTADOS DA ALMA...

NEOABJECCIONISMO

 

se eu fosse caule e tu flor...
se corressem dentro de mim os teus anseios...
se eu dentro de ti esbanjasse amor...
se para atingir um fim fossemos os meios...

o direito constitucional à livre circulação de pessoas no território Português, não é reconhecido nem respeitado na entrada e saída de Lisboa pela margem sul do Tejo... para um vagabundo, deslocando-se  a pé, ou de bicicleta, a única alternativa é a ponte de Vila Franca...e ninguém se preocupa com este atentado aos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos...

mandaste-me amor belo presente
na tua alma embrulhado de lascívia
o teu corpo inteiro em chama ardente
que no meu se embrenhou em rebeldia

corremos o risco de sermos considerados lá fora tanto como desconsiderados cá dentro...que élites vos legamos, juventude!...as drogas enriqueceram criminosos impunes e destruiram gerações de líderes competentes...

tomei um chá de Lúcia lima
para aquietar meu coração
é uma planta em cuja estima
confio a alma plena de ilusão

sempre que desvendamos um mistério que nos apaixonou, o resultado é uma desilusão...é assim o homem...o segredo da mulher é manter-se misteriosa...

há um corpo de mulher assim despida
no meio do mar sobre a restinga
base efémera enquanto vaza ali detida
baluarte da maré que nela vinga

há pessoas aprisionadas dentro da sua consciência e da consciência dos que influiram na sua formação, para se libertarem precisam de assumir a sua inconsciência...

quando eu sinto que me sentes
e tu sentes que eu te sinto
se sentes que eu sei que não mentes
e eu sinto que sabes que não minto...

na guerra só há uma estação, o Inverno infernal...só na guerra não é crime matar, a morte do outro é considerada legitima defesa, mesmo que o matador seja o agressor...lembrei-me disto a propósito da Primavera...

em cada Primavera a esperança
do renascimento na fecundidade
sentir a alma pura da criança
que teima em ser de nós realidade

nos anos 60 a expectativa era saber se a máquina viria para substituir o homem, ou para lhe proporcionar mais lazer e fruição dos saberes... inegavelmente a máquina proporcionou ao homem a era do conhecimento global, mas, a par do desenvolvimento , vem arredando cada vez mais homens do mercado de trabalho e corremos o risco de nos transformarmos em subsidio dependentes, até à falência inevitável do estado social...

quando pensava nos medos
e de como das amarras me libertei
eis que surgem novos enredos
no homem kafkiano de fora da lei

casar era um conceito que permitia ao homem dispôr de uma mulher submissa, para sexo, comida, cama e roupa lavada... não obstante a evolução operada nos últimos anos, ainda há demasiados homens que pensam assim...

vou embora!...
não estou para te aturar
não vás!...lá fora...
há gente que desespera de esperar

vou embora!...
fartei-me de maus tratos
não vás!...prometo agora...
respeitar os teus direitos

vou embora!...
não acredito em novas boas intenções
não vás!...linda...sedutora
descobri de mim novas versões

autor das reflexões e dos poemas: JRG
23
Out08

LUIS PACHECO (DIVULGAÇÃO)

NEOABJECCIONISMO
Ele tinha uma doença genética que desenvolveu e se propagou a outras espécies congéneres, mais tarde catalogada como doença ou vírus da ALEGRIA.
Relembro o homem que vejo na imagem de um ser alto, esguio, de olhos a saírem das órbitas, devido em parte ás grossas lentes, e com um sorriso de sarcasmo, ou malicioso, que ostentava mesmo nos momentos de maior contrariedade.
Um amante apaixonado de viver tudo e de tudo, em maldição absoluta, porque não é possivel viver infectado de ALEGRIA e ser-se abençoado, num reino onde imperava a tristeza.
  j.r.g.
 
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Da entrevista:
O Estado Novo prendeu-o por politiquices e por ter amado menores. Frequentou o curso de Filologia Românica na Faculdade de Letras e a meio mandou o curso dar uma curva ao bilhar russo. Entretanto, a Inspecção de Espectáculos admitiu-o como agente fiscal, mas sedentarismo não combinava com o seu feitio. Preferiu a situação que considera invejável: desempregado. Depois, funda a editora Contraponto onde a corrente surrealista viu muitos dos seus autores publicados. Crítico literário e cultural, tradutor, colaborou em diversos jornais e revistas, ‘O Globo’, ‘Afinidades’, ‘Seara Nova’, ‘Diário Popular’. A sua escrita caracterizada de irreverência e de poesia esbofeteou a torpeza intelectual e desafiou o lápis azul da censura Salazarista. Luiz Pacheco, que, em tempos, se fez sócio do Benfica para ir aos bailes e do Sporting para ir à natação, já não dança e não aprendeu a nadar. Apesar de ter andado perto do fundo, acaba por vir sempre à tona e ao seu ritmo.
_Tinha dito que não saía do lar do Príncipe Real. Afinal, enganou-se. Vive com o seu filho.
Um gajo também se engana! A vida nos lares é uma espécie de regimento. Horários. E mais horários. E eu estive em três. O pior era a convivência com os moribundos e as moribundas. Deprimente. Os tipos iam buscar os velhos às camas e espetavam com eles num buraco a que chamavam sala do convívio. Qual convívio? Convívio nenhum! Velhotes com os olhos fechados e outros que estavam nas últimas. Ah... e havia um animador que se punha a contar de um até ao número dez. Quando a gente pensava que o tipo ia fechar a goela, desatava a dizer a numeração em forma decrescente. Ele fazia coisas incríveis! Mandava pôr a mão para cima, para trás, para os lados. Eu sei lá. O último lar era muito mau. Tinha lá uma mulata que era cleptomaníaca. Roubou uma velha muito afanada e eu também fui roubado.
_O Luiz é que não está nada afanado...
Eu não estou afanado? A miúda deve estar a brincar! Eu não estou nada bem. Tenho muitas doenças, talvez umas vinte e três. Agora tenho uma m. chamada incontinência. Para um gajo é muito mau andar de fraldas. Mas a vista é a pior das mazelas.
_Se fosse menos teimoso já tinha sido operado.
Não conte com isso! Tenho medo. E não é da anestesia. Medo das consequências. A merda da operação pode provocar um acidente cardiovascular e já viu o que era? Dizem que é coisa muito simples, mas isso são conversas. Nessa eu não caio!
_Voltar a ler não é um estímulo?
Oh miúda, eu já li muito. Nem queira saber o que eu já li. Agora é a minha filha que me lê os artigos de jornais e algum livro que eu queira ler. Ocupo o raio do tempo a ver a RTP Memória. Estou a ver coisas que nunca tinha visto. Como por exemplo, o Júlio Isidro, o Zip-Zip. Gosto de ver velhadas. Entretenho-me com o humor fabuloso do Vasco Santana, do António Silva. O Solnado é uma merda. Uma invenção. Um disparate. O Herman José é diferente. Basta ser de origem alemã para saber o que está a fazer .
_O melhor aluno do Liceu Camões gosta de velhadas...
Não me faça rir. Mas fui o melhor daquela malta toda. Entrei em 1936 e fiquei lá oito anos. Sentava-me sempre na carteira da frente, porque os meus olhos já eram dois sacanas. O avô desse tipo chamado Eduardo Prado Coelho foi meu professor. Nós cagávamo-nos no gajo.
_Quem eram os seus colegas?
Lembro-me do José Manuel Serra, que foi director do Teatro Nacional de São Carlos, Lobo Saias, que chegou a ministro, e outros.
Os liceus não eram mistos, portanto, miúdas não eram pêras doces...
Imagine que nem podíamos chegar ao pé de uma escola feminina. Quando chegou a altura da universidade, o convívio não foi fácil. Não estávamos habituados. Pedir um lápis emprestado era cá uma trabalheira. Só para não haver contacto, deixávamos cair o raio do lápis ao chão.
_Entretanto, os contactos melhoram... esteve preso no Limoeiro devido a aventuras amorosas.
Prenderam-me por razões políticas e por ter desflorado umas garotas que eram menores. Mas atenção: eu também era menor! Uma ocasião foram duas irmãs ao mesmo tempo. Foi cá uma chatice... Antigamente, rapazes e raparigas faziam o que hoje fazem, mas com a diferença: não tinham o à-vontade que existe hoje. A pílula foi a estrondosa revolução. Ouvir dizer que, até, os homens já podem tomar essa m. Eu nunca tomei. E sou contra o aborto. Hoje em dia as garotas têm muitas facilidades...!
_Um rol de contraceptivos e a pílula do dia seguinte
O que é isso? O comprimido do dia a seguir à cegada?
_Sim. É contra o aborto e a favor da despenalização?
É claro! Prender moças é um autêntico disparate. Mas há malta que diz que aborta porque rejeita ter filhos indesejados. Ouça cá uma coisa: uma rapariga que se deita com um rapaz sabe do risco. E há outra malta que diz que não consegue criar filhos. Mentira. É só conversa. Eu sem cheta, desempregado, tenho oito filhos. Uma vez, fui deixar um filho à Casa Pia. Se os ‘gansos’ eram bem tratados? Coitados. Aquilo era uma miséria.
_Voltando à prisão. Como era no Limoeiro?
Uma prisão para os gajos que esperavam julgamento. Havia batota que não era a feijões, mas a dinheiro. Estava lá um enfermeiro tarado que vendia penicilina misturada com água. O refeitório era umas mesas corridas e havia um tipo que distribuía a comida. Os acordos davam direito ao prato ficar mais cheio. Naquela merda havia estratos sociais. A Sala dos Menores, a Sala dos Primários, para os estreantes, a Sala Comum, que era para a maralha, e a Sala dos Bacanos, onde estavam aqueles que tinham conhecimentos fora da prisão. Como eu. Da segunda vez que estive dentro, o Artur Ramos telefonou ao pai, que era director-geral da Penitenciaria e pôs-me cá fora.
_Um homem que nunca gostou de regras nasceu no seio de uma família de militares...
Não venha com as perguntas feitas de casa. O meu avô materno era capitão-de-mar-guerra, engenheiro maquinista, e o meu avô paterno, coronel da artilharia, dirigiu o Arquivo histórico-militar. Eram militares, mas pareciam ser outras pessoas. Tinham boa cara. O pai do meu pai, aquando da primeira incursão monárquica, comandada pelo Paiva Couceiro, foi a Chaves dar umas bombadas nos canhões e teve de fugir. O meu pai estava a tirar o curso na Faculdade de Letras para ser diplomata, mas como aconteceu a Primeira Grande Guerra, a diplomacia foi para o galheiro. Não acabou o curso. Nem eu.
_Por razões diferentes?
Sim. Os professores na Faculdade de Letras eram uns chatos. Excepto o Vitorino Nemésio (que me deu 18 valores) e o Delfim Santos. Nunca engraxei o Nemésio, eu não era igual ao Urbano e ao David. Mas espere aí, deixe-me falar do ano que antecedeu a faculdade. Em 1943, quando acabei o liceu, o meu pai disse que não tinha dinheiro para eu estudar na Faculdade. Falou com o professor João de Brito, que me deixou assistir às aulas. Eu era um aluno fantasma. Não me perguntavam nada, o que era maravilhoso. Nos intervalos ia para a biblioteca. Devorei Gil Vicente, Garcia de Resende, Fernão Lopes e outros. Por essa altura comecei a dar explicações. Portanto, aprendia e ensinava. Foi um ano em cheio! No final, fiquei muitíssimo bem classificado no exame de admissão à Faculdade de Letras de Lisboa, no Curso de Filologia Romântica, e consegui ficar isento das propinas.
_Saiu da faculdade e, em 1946, foi admitido como agente fiscal da Inspecção de Espectáculos.
Aquilo era uma treta. Não inspeccionávamos nada.
_Quando é que funda a editora Contraponto?
A editora começou a funcionar em 1951, logo depois do primeiro número da revista. Nasceu no ensaio de uma terceira via e só tinha um critério: os gajos do Estado Novo não podiam entrar. Vivia um bocado à mercê do facto de eu e o Jaime Salazar sermos amigos. Quando foi publicado o ‘Discurso sobre a Reabilitação do Real Quotidiano’, de Mário Cesariny, o Jaime ficou f. Pensava que a editora era só para ele. Mais tarde, o mesmo aconteceu com Cesariny, quando Herberto apareceu. Razão tinha o Gaspar Simões em chamar- -me ‘O sacristão do Surrealismo’, por publicar aquela gajada. Não faz muito tempo, vendi a editora à irmã do Manuel Alegre por um preço de m..
_Era amigo de Cesariny?
Essa pergunta traz água no bico. Dizem que nós éramos amantes. Um disparate. O gajo não fazia o meu género. Eu nunca tive a mania de Paris. Ele tinha.
_A sua colaboração nos jornais começou no ‘O Globo’, em 1945, e ainda há dez anos escrevia na imprensa
O Nicolau Santos, que na altura era director do jornal ‘O Público’, convidou-me para escrever uma crónica. Os gajos até pagavam bem. Mas tiveram o azar de anunciar Luiz Pacheco escritor polemista. Dava-lhes jeito que eu desse porrada. Mas durante meses não lhes fiz a vontade. Podem contar comigo para dar porrada, mas jamais por incumbência.
_É verdade que, uma vez, enquanto traduzia um livro, esteve quase para ser publicado um palavrão?
Publicado não digo, mas aquilo fez-me correr. Eu estava a traduzir um livro para crianças e havia uma palavra cujo significado em Português eu não encontrava. Para não me esquecer escrevi a vermelho c. Quando me lembrei... falei à editora, que me disse que o livro já estava nas mãos do revisor. Corri para a casa do gajo. E lá estava o c. marcado a vermelho, mas fui a tempo. O c. foi substituído por penacho.
_É autor de muitos livros, mas nunca escreveu romances.
Porque é preciso ter disciplina. Mas não é como escritor que posso ser importante. Se me perguntarem da minha importância é como editor. Editei muitos livros que eram muito baratos. Tinha bons autores, Raul Leal, Natália Correia, António Maria Lisboa, Herberto Hélder, Vergílio Ferreira, Mário Cesariny. Jamais editaria, por exemplo, o Fernando Namora. Ele era um aldrabão. Ou o José Agualusa, que não escreve nada. É um pateta alegre.
_O que é preciso para escrever bem?
Ler muita coisa. Estar atento. E há gajos que escrevem sem nunca terem lido uma frase.
_Gosta da escrita de António Lobo Antunes?
Muito. Gosto quando ele fala do bairro onde nasceu, Benfica. Tem muitas qualidades e anos de escrita. Mas é um bocado apanhado da pinha. Também tem a maluqueira de dizer que não consegue viver sem escrever. E tem razão. Ele é o escritor mais internacional de Portugal.
_E José Saramago?
Também, embora de maneira diferente. Mereceu o Nobel. Saramago e o Lobo Antunes têm uma coisa em comum: são escritores que já só escrevem para o estrangeiro.
_O que nos diz dos políticos?
São uns m. Comparados com eles próprios. Aquela que foi ministra das Finanças era uma tipa séria, mas era cá um camafeu.
_Gosta do José Sócrates?
Quem é? Não o conheço.
_Mas gosta de Pedro Santana Lopes?
É um ‘bom vivan’. Não deixou obra nenhuma, mas sabe viver. Andava nas discotecas e estes gajos – o pequeno, o gajo que é quase anão – fez-lhe a folha. O Santana é um senhor. Gosta das noites. E bebe o seu copinho. Eu deixei de beber há uma semana. Ao almoço bebia vinho – tinto, pois está claro. Quando se fala em vinho fala-se em tinto.
_João Soares, quando era presidente da Câmara Municipal de Lisboa, fez-lhe uma visita e trouxe-lhe umas garrafas de tinto.
E que belo tintol! Apareceu no Natal, com um funcionário. Trouxe-me vinho, um belo presunto e livros. Vinha com a ideia maluca de eu fazer um artigo sobre o governador do Costa do Castelo.
_O País reconhece as pessoas?
Não podemos falar de um só País. De Lisboa ao Porto existem dois países ou, talvez, existam quatro países em Portugal. Por exemplo, o Mário Soares, quando era Presidente da República, deu-me 650 contos. Uma vez, no Chiado pedi-lhe 20 paus emprestados. E ele deu-mos. Este presidente, o actual, que tem aquela cara, não me deu nada.
_Vive de alguma pensão?
Tenho um subsídio de 120 contos, graças ao Alçada Baptista. E também ao Balsemão, que teve a feliz ideia de inventar o decreto do mérito cultural. O Santana despachou um decreto que favorece pessoas que estão na minha situação. Mas não é por isso que gosto do rapaz. O tipo sabe o que é bom. O que é bom para mim são umas garotas, que vêm cá de manhã para me fazerem a higiene. Não é mau.

QUESTIONÁRIO

Um País... Montijo

Uma pessoa... D. Afonso Henriques

Um livro... ‘Gustavo, o Estroina’, de Paulo Koque

Uma música... ‘Variações’ de Goldberg

Um lema... Não me lixem. Não me chatem

Um clube... Clube Jardinense, o clube do Montijo
 
 
Miriam Assor
 

(retirado da net de uma entrevista ao Jornal Correio da Manhã.)

20
Out08

A POESIA DE MARIA TERESA I

NEOABJECCIONISMO

                  água

 

Chove! E a água corre...

corre pelo chão

O vento Norte

sopra forte

como um tufão

vindo do além

Chove! E a água corre...

corre pelo chão

Parece alguém

fugindo à sorte

temendo a morte

que cedo ou não

sempre vem

     maria teresa

 

                       por de sol 

 

Há um céu vermelho

de vários tons quentes

um mar prateado sereno

um quadro electrizante

que dá forças...aquece a alma

a noite cai devagarinho

de mansinho para não assustar

                             os duendes

e docemente penetrante

a primeira estrela brilhando

parece dançar alegremente

sinal de vitalidade que se sente

neste por de sol resplandecente

que sempre acentua o nascer

das almas simples e o morrer

                                    eternamente

            maria teresa

 

22
Ago08

CRÓNICA DA CIDADE GRANDE

NEOABJECCIONISMO

Vista de onde eu a vejo, a Cidade é  extensa e intensa, dorme de luzes acesas em continuo e tem  a Lua poderosa como estigma dos sonhos.

Estou do outro lado da Cidade grande, descaído para a foz do rio  que a banha vindo de Espanha. Na marginal correm luzes possessas sem destino. Infinitas. Sei quando é o comboio, pelas janelas iluminadas, o som das rodas nos carris de ferro, ou quando é uma ambulância que se esgueira por entre os possessos dos outros, distraídos, a verem de onde vem o som de alarme, de SOS, se é para eles ou para uns outros .

Estou na penumbra da outra margem obscura frente à cidade grande e tive sonhos, tenho sonhos, de ser grande como a Cidade

O brilho da Lua quase ofusca as luzes da Cidade e produz ecos que ressoam na minha memória incandescente. A brisa é fresca, suave, amena e em frente há casa com luzes acesas.

Fixo os meus olhos em uma delas, é como se um pisca-pisca alucinante, como um íman poderoso, distante, me apelasse o registo. Sim, são dois vultos que se movem, parecem lutar pela posse de algo que não vejo ainda bem. Sinto que são um homem e uma mulher, ainda jovens. Acusam-se mutuamente, gritam, choram e agarram-se desesperadamente, soltando palavras que ferem. Culpabilizando-se. E movem-se em contínuos movimentos de vai e vem em roda de um candeeiro de mesa ou de tecto.

_Acreditei nos teus sentimentos. Na tua lealdade. Saíste-me um traste. São palavras da mulher entre soluços de dor profunda._ deixaste de me amar.

_Tu é que só pensas em ti, não tens a noção de projecto conjunto, de espaço. Já não me amas e eu amo-te. Quero amar-te sempre. _São dele, as palavras proferidas  no silêncio aparente da Cidade. Silêncio absurdo sobressaindo dos ruídos.

Percebo, o que eles disputam. É algo invisível que se lhes escapa a cada gesto Disputam amor, algo que sentiram, que sentem, mas que não entendem como se esfuma, se esvai deles que o  querem reter, porque o queriam estanque, à mão de cada zanga, à mão dos desejos quando o desespero de ficar só aperta o sentimento de amar.

Desvio os olhos para a luz azul celeste na negritude da noite. Impaciente perante a passividade, o condutor liga a sirene. Leva uma criança que chora, que arde em febre de origem desconhecida. Um homem e uma mulher trocam olhares de socorro mútuo. Dizem palavras com os olhos, entre si e para a criança que lhes estende os braços. O seu filho. E é amor o que vejo, tanto que me seduz, me pára o pensamento, me encanta de mim, porque são formas de amor distintas que eu vejo naqueles olhos e naqueles olhares. Amores diversos, acutilantes, que se entrecruzam.

Curiosidade geométrica

autor:João Vicente

Gente jovem deambula pelas ruas em busca de mais horas de vida. Garrafas de cerveja nas mãos, risos estridentes, palavreado fácil, inútil. Apenas palavras para se ouvirem. Palavras que procuram projectar alegrias em si e nos outros. Palavras , por vezes amargas, outras obscenas, arrogantes ou simplesmente afectuosas, se são amantes. Palavras para esquecer ao dealbar do dia.
Que fiz? Por onde andei? Que foi que disse ou prometi? E a quem? E amanhã?

Vejo brigas, discussões fúteis que provocam agressões. Assaltos de delinquentes menores.

Capitães da rua, decididos, disciplinados, cheios de vontade de serem maiores, ou tão grandes como a cidade. Seguem em grupo porque sozinhos perdem a força. Caçam como as Leoas, em grupo, escolhem a presa, também a mais fraca, debilitada.

Há gente que trabalha, despudoradamente, trabalha na noite para que a Cidade não estagne. Trabalham para poder pagar tudo o que gastam , que se torna numa justificante, para  continuarem a trabalhar. A apresentação, o carro, a alimentação, a casa própria, o estatuto, a moda.

Vagabundos alienados procuram insistentemente nos caixotes de lixo algo que os reconforte. Têm pressa, antes da recolha que os inibe desse prazer de achar. Vasculham. Lançam impropérios por entre os dentes moídos, descarnados quando se riem.

Ás vezes procuram apenas um pedaço de cartão que lhes sirva de cama, um leito diferente, de cores e cheiros. Discutem uns com os outros, é meu! A garrafa vazia.

A Lua aproxima-se inexoravelmente da linha do horizonte, de onde passará para o outro lado de onde a vemos, estamos, de onde estou. E sei que o seu movimento produz mutações, alimenta desejos. Sei que influi na essência das almas que vagueiam na noite. E nas que dormem, que se disputam nos sonhos.

Estamos no dealbar de uma nova aurora e ainda tenho tempo de olhar a luz fraca, adormecida, do 12º , imponente, do lado de onde o Sol nasce, e aperceber-me dos movimentos exaltados de dois amantes que se entregam, como que na totalidade, tal a fluidez dos gestos e dos aromas que me chegam, os gemidos de prazer, os beijos, os ais do clímax, dum absoluto de amor.

Olho os corpos desnudos, despreocupados, relaxantes que as mãos de um e outro se acariciam ternurentos.

E mais à frente, salteando de janela em janela, os solitários que a insónia mantém vigilantes, desesperados de procuras insistentes sem achado: os amores frustrados, amigos desleais, contas por pagar, o desemprego, os pais que os abandonaram sem afectos, filhos desviados, os objectivos difusos, falhas de amor próprio, procuram, no passado, no seu passado, razões de afectação ao presente e esquecem-se de si, do seu interior onde tudo adormecido podia despertar, onde se asfixiam na amalgama de sentimentos profundos, dolorosos que  se comprimem na ânsia de se soltarem, de uma palavra chave, uma luz, um milagre de si.

Sinto uma mudança brusca na aragem e um clarão ténue de claridade. Vai ser dia.

Ouço as vozes cavernosas dos primeiros pescadores, dos que chegam e dos que partem.

É o momento preciso em que a Cidade perde o brilho entre a bruma opaca da manhã junto ao rio.

Imensa, a Cidade grande, é agora um esboço e regurgita de um outro tipo de vida.

 

 

10
Jul08

JOÃO VILARET - CÂNTICO NEGRO

NEOABJECCIONISMO

João Villaret

 

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 Registo aqueles dias à hora do almoço. O S. Jorge imponente nos silêncios.O silêncio do palco iluminando a sombra . O silêncio de quem veio e se senta reverente na plateia que se adensa. O palco adereçado para o espectaculo como se ele estivesse lá. A cadeira, o piano, O facho de luz sobre  o invisivel da imagem.

Tu e eu de mãos dadas. Sustendo-nos de respirar.

Assina -Virginia Bettencourt

 

 Sem dúvida o melhor declamador de todos os tempos, em Portugal. Deu alma à poesia Portuguesa, imortalizou poetas e poemas e este Cântico Negro, de um poeta maldito, eximio de força e de criatividade da arte e dizer. Eximio na afirmação de ser Português.

Nós somos assim. Podem avisar-nos, demonstrar por A mais B que vamos no caminho errado, apontar-nos um outro rumo, que nós dizemos não, "não vou por ai. Só vou por onde me levarem os meus próprios passos" A minha homenagem de culto, ao poeta e ao intérprete

Neo

 

 Gostaria de lembrar um outro aspecto que considero muito importante na personalidade de João Villaret, e que tem a ver com o contributo que ele deu a uma liberdade que ainda vinha longe. Dos palcos dos Teatros do Parque Mayer, quando o homenzinho da censura adormecia, João Villaret aproveitava para dizer todas as verdades que lhe ocorriam sobre o triste país em que vivíamos. Ele ridicularizava Salazar, dizia o que lhe vinha à cabeça, e com isto arriscou a a vida por uma liberdade que para ele já não chegou a tempo. Obrigada, João Villaret.

Assina - Teresa Mascarenhas

 

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