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NEOABJECCIONISMO

O abjeccionismo baseia-se na resposta de cada um à pergunta: QUE PODE FAZER UM HOMEM DESESPERADO QUANDO O AR É UM VÓMITO E NÓS SERES ABJECTOS?- Pedro Oom .-As palavras são meras formalidades... O NEOABJECCIONISMO, n

NEOABJECCIONISMO

O abjeccionismo baseia-se na resposta de cada um à pergunta: QUE PODE FAZER UM HOMEM DESESPERADO QUANDO O AR É UM VÓMITO E NÓS SERES ABJECTOS?- Pedro Oom .-As palavras são meras formalidades... O NEOABJECCIONISMO, n

27
Mar10

ESTADOS DA ALMA...

NEOABJECCIONISMO

 

se eu fosse caule e tu flor...
se corressem dentro de mim os teus anseios...
se eu dentro de ti esbanjasse amor...
se para atingir um fim fossemos os meios...

o direito constitucional à livre circulação de pessoas no território Português, não é reconhecido nem respeitado na entrada e saída de Lisboa pela margem sul do Tejo... para um vagabundo, deslocando-se  a pé, ou de bicicleta, a única alternativa é a ponte de Vila Franca...e ninguém se preocupa com este atentado aos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos...

mandaste-me amor belo presente
na tua alma embrulhado de lascívia
o teu corpo inteiro em chama ardente
que no meu se embrenhou em rebeldia

corremos o risco de sermos considerados lá fora tanto como desconsiderados cá dentro...que élites vos legamos, juventude!...as drogas enriqueceram criminosos impunes e destruiram gerações de líderes competentes...

tomei um chá de Lúcia lima
para aquietar meu coração
é uma planta em cuja estima
confio a alma plena de ilusão

sempre que desvendamos um mistério que nos apaixonou, o resultado é uma desilusão...é assim o homem...o segredo da mulher é manter-se misteriosa...

há um corpo de mulher assim despida
no meio do mar sobre a restinga
base efémera enquanto vaza ali detida
baluarte da maré que nela vinga

há pessoas aprisionadas dentro da sua consciência e da consciência dos que influiram na sua formação, para se libertarem precisam de assumir a sua inconsciência...

quando eu sinto que me sentes
e tu sentes que eu te sinto
se sentes que eu sei que não mentes
e eu sinto que sabes que não minto...

na guerra só há uma estação, o Inverno infernal...só na guerra não é crime matar, a morte do outro é considerada legitima defesa, mesmo que o matador seja o agressor...lembrei-me disto a propósito da Primavera...

em cada Primavera a esperança
do renascimento na fecundidade
sentir a alma pura da criança
que teima em ser de nós realidade

nos anos 60 a expectativa era saber se a máquina viria para substituir o homem, ou para lhe proporcionar mais lazer e fruição dos saberes... inegavelmente a máquina proporcionou ao homem a era do conhecimento global, mas, a par do desenvolvimento , vem arredando cada vez mais homens do mercado de trabalho e corremos o risco de nos transformarmos em subsidio dependentes, até à falência inevitável do estado social...

quando pensava nos medos
e de como das amarras me libertei
eis que surgem novos enredos
no homem kafkiano de fora da lei

casar era um conceito que permitia ao homem dispôr de uma mulher submissa, para sexo, comida, cama e roupa lavada... não obstante a evolução operada nos últimos anos, ainda há demasiados homens que pensam assim...

vou embora!...
não estou para te aturar
não vás!...lá fora...
há gente que desespera de esperar

vou embora!...
fartei-me de maus tratos
não vás!...prometo agora...
respeitar os teus direitos

vou embora!...
não acredito em novas boas intenções
não vás!...linda...sedutora
descobri de mim novas versões

autor das reflexões e dos poemas: JRG
15
Jan10

PENSAR...O PENSAMENTO...MEDITAR...O ÊXTASE...

NEOABJECCIONISMO

 

foto tirada da net

***

 

 

pensar...o pensamento...meditar...o êxtase...

***

são fases do homem sublimado

 

*****

 

pensar não é antever o que fazer no imediato

a cada partícula de segundo agir obcecado

oscilar entre o prazer ou ficar parado em bom recato

viver toda a vida como um boneco animado

 

o pensamento é olhar o corpo através da alma

é ver para dentro de toda a matéria nublada

ultrapassar o vento ir além do cosmos sentir a mão na palma

perscrutar o ser e nele reflectir o movimento vida gorada

 

meditar é sair do corpo e ser na alma serena exaltação

consolidar o pensamento dar ao tempo o tempo de acontecer

é ir além do saber acumulado o não saber e ser meditação

compor o puzzle sem se deixar da acalmia envelhecer

 

o êxtase apanha a alma num absoluto de solidão

fixa os motivos e os porquês da existência

como uma branca no consciente do ser em doce exortação

convoca todos os sentidos a assumirem de si a evidência

 

do acto de pensar chegámos ao humano pensamento

a meditar no tempo aportamos ao profundo êxtase

um homem uma mulher em subtil encantamento

fazem amor no abismo desde o topo até à base

 

agora quem faz que pensa é a máquina

passamos o tempo na espera ansiosa que ela medite

ela que usufrui do pensamento que a iquina

que nos leva pelo mundo em viagens sem limite

 

tudo o resto é sonho ou devaneio da alma acomodada

um arrufo de namoro uma alegria de alma sofrida

uma cobiça a teimosia de viver a vida em si fechada

e ir na onda da mediocridade aguerrida

 

autor: JRG

 

 

 

 

01
Jan10

NASCER E MORRER...

NEOABJECCIONISMO

Todo o artista em sua verdade mente

quando sugere o que de sua arte se interpreta

assim as palavras que a alma diz que sente

nos versos multicoloridos do poeta

 

a ilusão que se cria em tom de esperança

amanhã é outro dia o sol a Primavera

insidiosa a estropia da racional temperança

que faz o homem almejar a nova era

 

podia dizer-vos que é tudo falso

não há uma razão mítica para a existência

só mudou a forma a forca o cadafalso

porque  a tortura persiste uma evidência

 

nascemos nem sempre gerados com amor

dum simples acto de lasciva fornicação

criados com ou sem desvelo e dor

vivemos num frenesim complexo de ilusão

 

matamos odiamos por fúteis ninharias

acreditamos em deuses feitos da mesma maneira

elegemos conceitos falsos mitologias

e morremos senão antes de velhos à lareira

 

a cada novo ano explode a nova esperança

jogamos a vida nas orgias da sorte

sabendo sem saber que toda a abastança

não evita cedo ou tarde a nossa morte

 

olho a chuva que cai na terra enlameada

por magia faz brotar flores entre ervas daninhas

fornica a terra com amor e dela apaixonada

assim o homem insano se eterniza nas alminhas

 

autor: JRG

23
Set08

SER NEOABJECCIONISTA - OU A QUESTÂO DE DAR E TIRAR A CONFIANÇA

NEOABJECCIONISMO

O QUE É O NEO-ABJECCIONISMO


Chamo-me Luiz José Machado Gomes Guerreiro Pacheco, ou só Luiz Pacheco, se preferem. Tenho trinta e sete anos, casado, lisboeta, português. Estou na cama de uma camarata, a seis paus a dormida. É asseado, mas não recebo visitas. Também não me apetece fazer visitas. A Ninguém. Estou bastante só. Perdi muito. Perdi quase tudo.
Perdi mãe e perdi pai, que estão no cemitério de Bucelas. Perdi três filhos – a Maria Luísa, o João Miguel, o Fernando António –, que estão vivos, mas me desprezam (e eu dou-lhes razão). Perdi amigos. Perdi o Lisboa; a mulher, a Amada, nunca mais a vi. Perdi os meus livros todos! Perdi muito tempo, já. Se querem saber mais, perdi o gosto da virilidade; se querem saber tudo, perdi a honra. Roubei. Sou o que se chama, na mais profunda baixeza da palavra, um desgraçado. Sou, e sei que sou.
Mas, alto lá! sou um tipo livre, intensamente livre, livre até ser libertino (que é uma forma real e corporal de liberdade), livre até à abjecção, que é o resultado de querer ser livre em português.
Até aos trinta e sete anos, até há bem pouco tempo ainda, portanto, julguei que podia, era possível, ser livre e salvar-me sozinho, no meio de gente que perdeu a força de ser (livre e sozinha), e já não quer (ou mui pouca quer) salvar-se de maneira nenhuma. Julgava isto, creiam, e joguei-me todo e joguei tudo nisto. Enganava-me. Estou arrependido. Fui duro, fui cruel, fui audaz, fui desumano. Fui pior, porque fui (muitas vezes) injusto e nem sei bem ao certo quando o fui. Fui, o que vulgarmente se chama, um tipo bera, um sacana. Não peço que me perdoem. Não quero que me perdoem nada. Aconteceu assim.
Eu para mim já não quero nada, não desejo nada. Tenho tido quase tudo que tenho querido, lutei por isso (talvez o merecesse). Agora, já não quero nada, nada. Já tudo, tanto me faz; tanto faz.
Agora, oiçam: tenho dois filhos pequenos, o Luís José, que é o meu nome, e a Adelina Maria, que era o nome de minha Mãe. O mais velho tem 4, a pequenita dois, feitos em Fevereiro, a 8. Durmo com uma rapariga de 15 anos, grávida de sete meses, e sei que ela passa fome. É natural que alguns de vocês tenham filhos. Que haja, talvez, talvez por certo, mães e pais nesta sala. Não sei se já ouviram os vossos filhos dizerem, a sério, que estão com fome. É natural que não. Mas eu digo-lhes: é essa uma música horrível, uma música que nos entra pelos ouvidos e me endoidece. Crianças que pedem pão (pão sem literatura, ó senhores!) pão, pãozinho, pão seco ou duro, mas pão, senhores do surrealismo, e do abjeccionismo, e do neo-realismo e mesmo do abstraccionismo! Este mês de Março que vai acabar ou já acabou, pela primeira vez, eu ouvi os meus filhos com fome. E pela primeira vez, não tive que lhes dar. Perdi a cabeça, para lhes dar pão (ainda esta semana). Já não tenho que vender, empenhei dois cobertores, e um nem era meu. Tenho uma máquina de escrever, que é a minha charrua, e não a posso empenhar porque não a paguei; e tenho uma samarra, que no prego não aceitam porque agora vai haver calor e a traça também vai ao prego... Já não tenho mais nada. Tenho pedido trabalho a amigos e a inimigos. Humilhei-me, fiz sorrisos. Senti na face, expelido com boas palavras e sorrisos, o bafo da esperança, da venenosa esperança; promessas; risinhos pelas costas. Pedi trabalho aos meus amigos: Luís Amaro, da Portugália Editora; Rogério Fernandes, de Livros do Brasil; Artur Ramos; Eduardo Salgueiro, da Inquérito; dr. Magalhães, da Ulisseia; e Bruno da Ponte, da Minotauro, aqui presente, decerto. Alguns têm-me ajudado; mas tão devagarinho! tão poucochinho!
Sim, porque eu não faço (já agora, na minha idade!) todos os trabalhos que vocês querem! Só faço, já agora, coisas que sei e gosto: escrever umas larachas; traduzir o melhor que posso; mexer em livros, a vendê-los ou a fazê-los.
Nem quero vê-los a vocês, todos os dias! Ah! Não! Era o que me faltava! Vocês têm uma caras! Meu Deus, que caras que nós temos! Conhecem a minha? Vão vê-la ali ao canto, na folha rasgada do meu passaporte (sim, porque viagens ao estrangeiro (uma...) também já por cá passaram...) Viram? É horrível!... A mim, mete-me medo! Mas é uma cara de gente. E isso não é fácil.
Dizia eu: eu quero trabalhar na minha máquina, sozinho, ou rodeado da minha Tribo: os miúdos, uma mulher-criança, grávida. E, às tardes, ir passear pela Avenida Luísa Todi ou na ribeira do Sado. Acho que nem era pedir muito. E para mim, é tudo.
Já pedi trabalho a tanta gente, que já não me custa (envergonha) pedir esmola. Confesso-lhes: até já o fiz, estendi a mão à caridade pública, recebi tostões de mãos desconhecidas, de gente talvez pobre. E tenho pedido emprestado, com a convicção feita que não o poderei pagar. É assim.
Eu para o Luiz Pacheco, repito, não quero nada, não desejo nada, não preciso de nada; mas para os bambinos! E para o bebé que vai nascer! Roupas; leite; pão; um brinquedo velho... Dêem-me trabalho! Ou: dêem-me mais trabalho.
E para findar esta Comunicação, remato já depressa:

Peço uma esmola.

 

(Alocução de Luís Pacheco numa conferência pública)

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A Minha  Reflexão...

Não se pede nem se dá, interioriza-se, sente-se e é como uma mola do interior de nós que se movimenta na direcção da coisa ou ser da nossa atenção.

Dar, não nos dá o direito de exigir vassalagem. Nem de retirar a coisa dada se não for feito o uso para que a demos. Dar é uma emoção dum dado momento que nos satisfaz. É uma necessidade nossa. Quando retiramos o que demos em determinado momento, não nos assiste o direito de retorno de nada. Não existe retorno do que foi gasto em ideia ou uso.Dei-te confiança, fizeste mau uso do meu confiar, logo, retiro-te a confiança. Devolve-ma...

O que é dar confiança?

Dar confiança pressupõe ter recebido confiança suficiente para poder retribuir. Ninguém dá nada a alguém  se não tiver tido um retorno. Madre  Teresa recebia a dádiva da Paz interior pela sua devoção a causas humanitárias. Entre o comum de nós, humanos, o hábito ou o acaso de dar, é sinónimo de ter recebido antes uma contrapartida, ainda que emocional.

Dar é um acto instantâneo face a um recebimento. É  reciproco.  Só possivel quando duas pessoas se cruzam e se sentem. Está dado.

Penso que não é estimável que alguém retire confiança a outrem e o faça anunciando tal decisão. É uma violência psicológica. A pessoa em quem se confia deixou de ser confiável no todo ou em parte, para um alguém, não para o todo, sequer para o todo de quem retira a confiança.

Na conferência de Luís Pacheco, ele explicita-se. Dêem-me trabalho, mas não um trabalho qualquer. Pede pão para os filhos e já agora, sem o dizer, que seja suficiente para o vinho.

É um pedido desesperado que obtém de quem dá duas satisfações de bem estar. A primeira, a emoção do quadro pintado por quem pede e que provoca a reacção de dar , a segunda, a emoção do acto de dar, efectivo. Sem a emoção anterior não há emoção posterior. Sem a dádiva que capta a atenção , não há dádiva de facto.

Falarmos subjectivamente do que nos interessa sem atendermos ao interesse do outro, é uma forma comum de manipulação dos interesses próprios em absoluto.

Pensarmos que é possivel comprar ou subjugar a consciência do outro, a sua liberdade de pensamento,  com actos que consideramos subjectivamente  suficientes para o manter amordaçado, subserviente a nós, é ingenuidade gratuita ou prepotência dos valores de que nos julgamos possuídos.

Eu considero, ainda, que mais grave é o processo Kafquiano de julgar os procedimentos de um individuo, apenas pela avaliação que alguém faz do seu comportamento e dos reflexos que ele pode induzir ou reflectir na sua própria visibilidade, a  do julgador, aos olhos de outros. Como se fosse indissociável um do outro, o que pratica a acção do sujeito que se vê implicito na própria acção.

 

 

 

 

 

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