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NEOABJECCIONISMO

O abjeccionismo baseia-se na resposta de cada um à pergunta: QUE PODE FAZER UM HOMEM DESESPERADO QUANDO O AR É UM VÓMITO E NÓS SERES ABJECTOS?- Pedro Oom .-As palavras são meras formalidades... O NEOABJECCIONISMO, n

NEOABJECCIONISMO

O abjeccionismo baseia-se na resposta de cada um à pergunta: QUE PODE FAZER UM HOMEM DESESPERADO QUANDO O AR É UM VÓMITO E NÓS SERES ABJECTOS?- Pedro Oom .-As palavras são meras formalidades... O NEOABJECCIONISMO, n

17
Dez11

NOCTURNOS..

NEOABJECCIONISMO
foto pública tirada da net
*
NOCTURNOS
*
lembro tantas as noites a orgia nos deleites
quando despida te deitavas
e num abraço dolente a volúpia dos teus beijos
me percorriam o corpo com enfeites
de mel e odores que nos lábios suspiravas
os olhos à procura dos desejos
que no mais profundo da alma fossem aceites
*
lembro o teu corpo nu no meu a atracar
desfeito em tempestade bonançosa
escorregando abrupto na rampa dos prazeres
as voltas que me dás em teu arfar
sussurrando amor na tua força portentosa
e eu efervescente em teus gemeres
deleitado no brilho rutilante do teu olhar
*
lembro os nocturnos sublimes de encantamentos
toques sedutores nos pólos evidentes
sorrisos nas mãos entrelaçadas ou na descoberta
sabores profundos cheiros pensamentos
que se entrecruzam céleres entre chamas ardentes
o fascínio dos teus seios alma desperta
na penumbra do silêncio de efémeros momentos
*
lembro a alma rodeando os corpos lassos
fantasiando noites de prazer
na madrugada dos olhos portais estrelados
procuram na volúpia os traços
que se fixam na memória indeléveis a alvorecer
entre perfumes múltiplos renovados
que se misturam na libido em êxtases devassos
*
lembro o fogo na noite romântica a lavrar
a sensualidade dos teus gestos
as palavras sumidas nos lábios a arder
a saia subida o decote a entrar
por dentro da chama dos seios despertos
que a língua ateia ao lamber
sabor a frutos maduros sabor a doçura de mar
*
lembro os meus olhos no teu corpo a despir
e os teus em mim a sensualidade
a doçura terna dos gestos a magia da espera
a nudez que cada peça provoca ao cair
os lábios que a língua humedece de ansiedade
o odor que se desprende e que gera
uma atracção fascinante uma ânsia a subir
*
lembro onde outros projectam absurdas fantasias
a simplicidade dos corpos se amando
descomprometidos livres do enredo da premeditação
a construírem versos poemas poesias
se sentindo no fundo da alma e a sentir se dando
em batidas cardíacas de grande emoção
lembro os nocturnos de amor das nossas orgias
jrg
26
Jun11

S E R M O S !...

NEOABJECCIONISMO

 

imagem pública tirada da net
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SERMOS

»»»//«««

o teu corpo em movimento
rebolando sobre o meu afogueado
o teu beijo nos meus lábios
as mãos carícias mimo sentimento
mamas coladas a mim suado
percorrendo os teus desejos sábios
*

a tua boca minha delicia de sabores
nossas línguas se enredando
o odor do teu corpo me envolvendo
o beijo os beijos de mil cores
os segredos o teu corpo se revelando
menina bonita me acontecendo

*

o teu e o meu sexo na excitação
do beijo azul que se afunda no desejo
se franqueias a porta da entrada
acelera o ritmo do teu e meu coração
eu surpreso da doçura do teu beijo
que se solta da tua alma apaixonada

*

poder estranho este que nos sentimos
que nos impele a romper a timidez
na procura intensa dum momento novo
sob silêncio de marés que ouvimos
é o chamado da alma audível a nitidez
no beijo azul que me extasia se o provo

*

de súbito o teu e o meu sexo lascivos
passsam a barreira do pudor
se permutam em vai e vem frementes
obedecem a impulsos explosivos
de amizade que se constitui em amor
e nos provoca orgasmos eminentes

*

jrg

03
Jul10

DA JANELA...A PENUMBRA...

NEOABJECCIONISMO

 

I

 

na penumbra da sala
os teus olhos quase negros
doce espera ânsias entre suspiros
de silêncios as mãos as tuas
os seios os bicos flores mimosos
e eu suspenso no parapeito
a entender-te há quanto tempo

na sensualidade das mãos
as tuas que me procuram
um gesto... vem... que medos
o teu corpo e salto
tacteio o silêncio o teu suspiro
o cheiro...de dentro da alma
inundas-me-te na aragem

regredir a um tempo sem espera
quando o sangue afluia
os teus lábios a pele macia
ainda o toque não aconteceu
uma nesga de luz o luar
o teu sexo rubro
sobressaindo do tufo de pelos

o meu corpo nu ante o teu
sem que o tivesse despido ou despi
as mãos leves sobre a pele quente
os teus olhos que me procuram
e acham num instante dos meus
toco-te a sentir-te dentro de mim
do lado de fora da janela

quero dizer um nome uma palavra
romper o silêncio gritante que me impele
aceitas que as mãos te percorram
suspiras quando te toco o sexo húmido
enrosco-me no teu odor
sigo os teus gestos o meu corpo
deslizando sobre o teu tu

a tua boca os lábios a língua
frutos vermelhos que me tomam lascivos
colados os corpos entrelaçados os sexos
quebrado o silêncio que a janela escondia
afãs de entrada e saída apertos
fechados os olhos a sentirmo-nos
no deleite da alma teus ais ser-te

reviras-me sentada sobre o meu corpo
ambas as mãos as minnhas sobre os seios
entras-me entranhas-me chama ardente
como amazona cavalga seu potro
esporeias-me de dentro do teu fogo
elevas-te elevas-me numa paragem do tempo
meu amor é agora que tudo começou...


autor:JRG

13
Fev10

LASCÍVIA

NEOABJECCIONISMO

 

foto tirada da net

 

teus olhos doces lascivos

que dizem tanto de mim

falam de desejos invasivos

na luxúria odorífera do jasmim

 

teus lábios húmidos rosados

fortalezas que se quebram no encanto

quando te ris da graça dos meus achados

ao ver neles os da vulva doce espanto

 

teus seios firmes sob o decote do vestido

separados por um declive tentador

os bicos salientes pronunciados no tecido

carentes de carícias de mim provocador

 

teus pelos que cobrem a vulva ardente

o clítoris  que entumescido neles desponta

os lábios rosados húmidos de fluidos quando me sente

a vagina latejante sedenta do falo que a monta

 

a anca redondinha sedutora

a pele macia lisa delicadamente aveludada

o ânus avelãs pelo caminho bela amadora

vizinho da vagina minha amada

 

teu sexo é um mundo fascinante

te cobre o corpo e a alma de estranha sedução

não há espaço de ti que eu não seja amante

que lenha usas tu amor para atear meu coração?...

 

eu digo que são a maravilha de teus odores

que me atormentam e prendem docemente

sempre que o cio te inquieta agita teus amores

que me penetram a alma eternamente

 

autor: JRG

07
Set09

N A N Y - 3ª PARTE

NEOABJECCIONISMO

 

 

 

 

 

 

 

Doll Dream

 

autor:José Luis Cunha - olhares .com

 

 

 

 

 

Anamar e eu próprio caminhavamos lado a lado por entre a multidão que entretanto  tinha afluído à praia,  na manhã  solarenga a queimar os últimos dias de Verão, indiferentes à chilreada das crianças, aos olhares cobiçosos que a miravam, que a despiam voluptuosamente, tal a beleza que se elevava do seu corpo, da majestade natural do seu andar, como se saltitasse, leve, os seios dela em turrinhas provocantes no meu braço deixado propositadamente a jeito de receber o encosto, sentia os bicos dos mamilos, salientes, isolados do conjunto mamário, por vezes ela abraçava-me e eu sentia toda a totalidade. Despudoradamente deixei de me preocupar com a saliência do meu sexo sob o calção, apenas o acomodei, ao longo da barriga, para que não fosse uma evidência perturbante

 

Anamar falava ainda do livro que ambos tínhamos lido e que nos impressionara pelo rigor estético da abordagem aos amores alimentados no silêncio dos corpos, as carências conjugais, as certezas mentidas a si próprios que alimentam as dúvidas. Nany é um romance de interiores.

_Explica-me isso de ser um romance de interiores, como uma arte decorativa... e soltei uma gargalhada.

_Repara, tudo se desenvolve no ecrã do computador, excepto quando se encontram para o envenenar, ela e o amante autêntico, Artur, por quem ela tinha de facto uma paixão, mandara até emissários para o testar, se ele se interessava dela, se tinha compromissos. Ele apareceu num momento fatídico de exasperação interior dela, do seu eu inconstante, a sonhar devaneios, em desvario, queria sentir a libertação de sensações que se acumularam e aquele personagem, galante, caliente, de palavras cruas e olhar penetrante na alma, encantava-a, como se fosse uma pausa até que o outro estivesse disponível, se vissem cara a cara, como aconteceu.

O livro mexera com ela, Anamar, senti toda a efervescência do corpo, o brilho dos olhos, os apertos que me dava no braço, os seios dela.

A casa tinha uma sala ampla com vista de mar e era limpa duas vezes por semana por uma mulher que colaborava na manutenção da casa e das roupas desde que Adélia morrera.

Adélia era a minha companheira, o grande amor da minha vida e tinham passado 10 anos desde então. Ela disse-me que eu arranjaria outra mulher, fez-me prometer-lhe que o faria e eu fiquei este tempo todo à espera de alguém, sem sexo, sem carinhos, sem calor nem frio, eu ausente em mim, numa parte de mim e agora, Anamar, os pés descalços sobre os azulejos luzidios, uma alma transparente de onde eu via um mundo paradisíaco à minha espera.

_Tenho uma paixão por lingerie, disse ela, naturalmente, no tom suave e quente da sua voz que me soava em melodia.

Eu estava em frente da janela grande, de costas voltadas para o mar e vejo-a subir subtilmente o vestido,   ou a túnica, as pernas, as coxas, a casquinha de cor preta com desenhos rendados de flores e cupidos espetando corações.

_São Lotus...

_Hã...

_Os desenhos...são flores de Lótus e eros caçando seus amores na magia dos aromas. Gostas?

Os nossos olhos não despregam, rutilantes de uma luz que nos inebriava e conduzia de gesto em gesto, as pulsações dos nossos corações, eu ouvia o meu e o dela, ou era apenas o dela ou só o meu, toc, toc, toc, uma vontade crescente de a abraçar, de ser em ela.

Junto à vulva um relevo que me prendia, o corte perfeito, adequado às suas formas.  Erótica, toda ela na sua simplicidade de mulher, os seios saindo da abertura da túnica, apelativos, os dedos compridos nas mãos bem cuidadas, os lábios sequiosos, embora húmidos de se morderem, beijei-a demoradamente, os nossos corpos enleados, a pele electrizante de encontro à minha, um ardor de fogo em toda a volta do corpo,   do lado de fora, a senti-la quente, os olhos fechados por momentos, longos, e quando se abrem dizem tanto da luz que emanam.

Levanto-a do chão com os meus braços e deito-a no tapete grande que há na sala, com motivos de deusas adejando sobre corpos nus de mancebos pujantes de sensualidade.

Fico assim, por um momento, de joelhos a ver o seu corpo a adensar-se na caixa dos sonhos, ou das imagens que edito num recanto da mente, ela olha-me docemente, estende-me os braços e eu debruço-me sobre os seus pés que beijo com toda a ternura que sinto,   ela encolhe-se com cócegas, chama-me doido, seu doido querido e eu sigo o caminho, beijo as pernas, os joelhos e detenho-me ante os cupidos, os corações vermelhos no fundo preto da cueca, o cheiro que me vem de dentro dela que me inunda de prazer, de desejo, de felicidade e beijo o espaço pudico, a vulva por sobre a cueca, ela aperta-me a cabeça, agarra-se aos meus cabelos, afasta as pernas, o meu nariz rasga em movimentos dúcteis a cavidade da vulva, surgem pontinhos luminosos, gotículas de fluidos que se espraiam da vagina, ela aperta-me mais de encontro ao fogo que me exalta e solta ais sumidos, levanto a cueca, uma nesga lateral,   com os dedos afasto os lábios raiados de sangue, a purificação do sangue e absorvo todo aquele odor que se apossa de mim, beijo o clítoris, Anamar puxa-me para cima, ainda me detenho no umbigo, beijo a barriga, as partes laterais do corpo e chego às maminhas, os mamilos evidenciando-se, destacando-se escuros na pele clara e já ela, louca, impaciente, mexe no meu sexo e fá-lo entrar na ânsia que a consome em fogo alucinante, beijamo-nos, as línguas num rodopio de dentro das bocas, revolvendo salivas, sabores de frutos, sinto o meu sexo dentro dela, sinto tudo dela, contracções, espasmos, fluidos que se libertam, de súbito ela atira-me ao tapete e ergue-se sobre mim, metida em mim, sem se soltar, o dorso levantado, as pernas abertas sobre o meu corpo deitado, a mamas balouçando enlouquecidas, os olhos revirados, as minhas mãos nas maminhas dela, os mamilos, os ais dela e meus, e de dentro uma revolução emotiva, absoluta, abrasadora

Anamar caiu sobre mim, exausta, beijámo-nos e ficamos deitados sem dar conta do tempo, inseridos um no outro.

Ao lado, caído no chão, o livro do nosso desassossego, NANY.

 

 autor:jrg

 

23
Ago09

N A N Y - 2ª PARTE

NEOABJECCIONISMO

 

 imagem da net

 

 A minha alma passeou a sua inquietude nos sonhos da noite mal dormida, o corpo dorido, ante o alvor que corria célere e se mostrava  na sua evidência de luz a meus olhos povoados de imagens sombrias, a aclarearem-se.

É um encontro de estranhos, de mim em mim, surpreso de me ver cativo duma mulher. Há quanto tempo o meu coração, a mente, o corpo estável, habituado a amar a única mulher que me amou sentidamente. Era assim, mesmo após a morte, sentia-me desligado de um qualquer enlace que se sobrepusesse ao único e grande amor de toda uma vida.

A imagem de Anamar impunha-se-me insistente, toda ela luz, sabores, cheiros, toda ela uma melodia única nos sons da voz, candidamente doce, pegajosa, a imiscuir-se nos poros da pele, a apelar um entendimento subtil.

Avisto o infinito do mar, de onde me encontro sobre a cama, a planta Tropical tombada sobre a parte direita da janela a toda a largura do terraço, com as portas ao meio, de correr. Há uma bruma à flor da água, flocos níveos como fumo de fogueira mal apagada.

O sol ainda por detrás da falésia, apenas o vislumbre dos seus raios  uniformes que cortam a neblina, as flores que rejubilam amanhecidas, orvalhadas dos néctares nocturnos.

Foi uma noite de inquietação da alma, sem descanso, a mente febril dilacerando-se entre a memória e a realidade a procurar impor-se como uma evidência, a a afirmação de que o ser é sendo, o que ontem era um principio inabalável, hoje aparece em contornos de dúvidas instaladas porque houve uma emoção nos sentidos.

Visto o calção azul escuro que há muito jazia na gaveta e isso é um sinal que o meu ego se prepara para cultivar a aparência, a camisa de xadrez azul claro sobre fundo branco, os chinelos de cabedal abertos ao joanete sobressaindo dos meus pés que me parecem enormes.

A praia ainda semi deserta, esplanadas fechadas, o sol já sobre a falésia, rutilante de luz, caminho ao longo do paredão na direcção do Norte, à minha esquerda o mar de um azul fascinante, as ondas mansas, pessoas que se passeiam cortando a água com os pés, chapinhando-se e penso inevitavelmente nela, esbelta, os olhos doces sobre o meu corpo, o gesticular das mãos que compõem o explanar do seu ponto de vista.

À minha direita o que resta da mata de acácias, os parques de campismo, será que ela vem? Que impressão lhe terei causado? A suficiente para que se dê ao trabalho de vir de novo, na incógnita do que poderá acontecer, no aprofundar de questões da intimidade que aproximam ou afastam, que inibem ou despoletam emoções.

O meu olhar fixa-se, de súbito na silhueta de mulher sentada sobre a pedra grande , à entrada do esporão, o vestido tipo  roupão avermelhado, os óculos escuros, os braços exímios descaídos sobre o corpo e o livro preso na axila do lado esquerdo dela. Sinto toda a harmonia do ser que ela é, ou que se me evidencia como sendo. Aproximo-me , o coração em palpitações de adolescente ante o seu primeiro namoro e penso que é assim sempre que há uma verdade nos sentimentos, um click de sedução consentida, a voz presa na garganta ressequida.

_ Anamar!...

Ela vira-se e deixa-me abismado sobre mim, tirou os óculos e toda a luminosidade dos olhos estavam patentes, como se tivessem estado a chorar, ou uma memória, um sentir que se tivesse soltado de dentro de si e o sorriso, aberto, agradado, agradável.

_João Maria!...

Abraçámo-nos, os seios dela de novo no meu peito, os nossos rostos encostados, tão próximos, perfumes alucinantes vindos dos lábios abertos, apelantes e eu arfante, a sentir o coração dela, a ouvir as batidas aceleradas do meu, tão próximos os lábios carnudos, flores vermelhas humedecidas e afundo-me neles, os meus lábios nos dela, dois toques, frescura e fogo de dentro e embrenho-me e ela embrenha-se, as línguas percorrem-se e ladeiam o interior da boca, as laterais, o céu da boca, salivas entrelaçadas de uma doçura quase extravagante, lábios com lábios, as línguas num devaneio possessivo, os nossos corpos colados, roçando-se, o meu sexo levantado, saltitante e julgo perceber o concavo desenhado do sexo dela  sob o vestido, onde o meu sexo se acoita prazenteiro, despudorado, as minhas e as mãos dela percorrendo a costas em movimentos circulares, respiração contida, arfante e contida a espaços. Loucos.

_Perdoa-me!...o teu poder foi mais forte...

Os olhos dela tremelicaram, ainda mal refeita, passando a língua pelos lábios, voluptuosa, trémula a voz, entre sumida e grave, quase patética se vista de um outro angulo.

_Teria de ser um perdão mútuo porque eu também não me contive, foi um impulso...

Demos as mãos e caminhámos no sentido da esplanada. No areal os gritos agudos das crianças soltando as energias acomodadas desde a cidade. Atiram-se areia uns aos outros e chapinham na água que vem beijar-lhes os pés puros de meninos.

_Digo-te que eu própria me surpreendo. Venho de uma separação conflituosa, como te disse, um homem que se alterou a dado passo da relação, que se assumiu como se tivesse tomado posse de mim, exibia-me, a sua mulher, prendia-me até os pensamentos, o gosto de andar despida dentro da casa, ejacular-se dentro de mim e soltar-se, sem se importar com a minha própria satisfação, alhear-se dos meus anseios, dos meus projectos, possuir-me... _ Deixa-me possuir-te!..._ era como ele me dizia,  ter-me para ele, dócil, submissa.

Aperto-lhe a mão pequenina entre a minha, macia a pele, os dedos esguios, os seios dela batem no meu braço de vez em quando com a oscilação dos corpos no andar e digo-lhe que gostava de ser dentro dela e de a sentir ser dentro de mim

Anamar volta-se e beija-me de leve os lábios.

_És um ser muito querido.

_Acabaste o livro?

_É um livro intenso, de culto pela personagem da mulher, das mulheres todas embutidas na Nany da sua paixão, saída do virtual, deixando-se tomar da paixão dela, ele, um homem velho saudoso da sua juvenilidade, ou da juvenilidade da mulher que é o seu amor de sempre, surpreendido de ser o alvo, o objecto do amor confesso de uma mulher muito mais jovem, bonita, com uma vida confortável, a questionar-se do porquê e do que fazer ao senti-la frágil, ansiosa de o ter como amante.

Anamar fala efusivamente do livro, da substância do livro, percorre os personagens, a entende-los à luz da sua própria imagem.

_E as cenas de sexo, alta madrugada toquei-me ...estou toda molhada...são cenas que saltam do livro e nos colocam dentro da cena, vivenciando-a, depois, toda a teia perversa que ela engendra para acabar a relação, a intriga em volta dele, fazendo-o acreditar que fora um devaneio da sua própria inconstância, o desprezo com que o foi destruindo até que não representasse mais um perigo para a manutenção do seu estatuto de mulher de bem.

E ele, louco, gritando na cidade, julgando que estava à beira do mar: " Nany, Nany!!!..."

 Tomámos o café na esplanada, Anamar de costas para o mar, em frente dos meus olhos, o recorte do tom laranja avermelhado do vestido ou túnica de tecido leve sobre o azul forte do mar e digo-lhe que nos está a acontecer algo de imprevisto, que a estou a sentir como uma célula que brota de mim para fora e que se inclina para reentrar, num ir e vir diáfano que me atordoa que me faz sorrir.

_Estou como que numa euforia em que me apetece gritar, soltar gargalhadas intempestivas sem nada que as justifique, adejar sobre nós os dois, os nossos corpos revolvendo-se, como se te conhecesse há séculos, fazer loucuras, beijar-te, mostrar-te o meu corpo...

Ouço a sua voz melodiosa, o brilho cativante dos olhos, os lábios que se mexem, se mordem a sentir sensações dela, do interior dela, as mãos num rodopio de gestos que procuram completar as palavras, as pernas que se abrem e fecham, o corpo todo em movimento, um movimento que vem de dentro e de súbito, aquele cheiro antigo, há quanto tempo? o cheiro do interior do sexo, absorvente e digo-lhe.

_Podiamos fazer um almoço para nós em minha casa...

Anamar sorri, toda ela, o rosto, o corpo esbelto, um sorriso franco, abrangente, a inteirar-se do meu convite, a sentir que é o momento que secretamente ansiava, secretamente dela própria e faz uma cara preocupada.

_Aceito, mas quero dizer-te que estou no terceiro dia da menstruação.

Dito isto levou os dedos aos lábios e encolheu-se toda na cadeira, como se se desse conta que dissera um disparate, se predispusera a ter sexo comigo, se adiantara em relação ao momento.

_Se não te incomoda eu adoro ser dentro de ti, menstruada, o meu sexo envolto no teu sangue que se purifica, o teu cheiro activo nascido do mais intimo. É isso, a menstruação  altera  o efeito sedutor de mistura com os cheiros da apetência sexual. Torna-os exaltantes a nos sublimarem num absoluto de amor.

Ela ri-se de novo, a alma em redor, a praia "deserta" num repente. Pego na mão dela e vamos...

 

autor:j.r.g.

28
Abr08

ZÉ DO PAPO-O ERRADIO MAL CHEIROSO NUM DIA DE SORTE

NEOABJECCIONISMO

Zé do papo, o vagabundo glorioso que varria, quer dizer, andava por, toda a cidade, mais propriamente as partes mais nobres, da cidade, soletrando palavras obscenas e outras não tanto, em sussurros arfantes pelo cansaço de andarilho, catando aqui ou ali, alimento, objectos que lhe fossem úteis, favores subtis, encapotados de altiva sobriedade.

O que lhe dava mais gozo não era uma foda em qualquer gaja bem parecida que se enamorasse, enjeitada, das sua parcas qualidades atractivas, como ouvia a alguns basófias , nas noites sem chuva. O que lhe dava verdadeiramente um gozo de morrer a rir, de se peidar em jeito de fogo de artificio, era a imagem aflita dum ricaço, em carro de alto gabarito, entreabrindo a janela, um fio de espaço para deixar passar a voz melosa, a pedir-lhe, a ele Zé do papo, que arrastasse aquele caixote do lixo à entrada da garagem, para que a bomba de carro não saísse beliscado, e a corromper a liberdade da sua decisão com uma moeda reluzente, ouro e prata fingidos, por entre os dedos banhosos , da mão direita, sem anéis , no pequeno espaço aberto na medida certa para que os dedos dele não tocassem os do Zé, erradio e do papo. E o aroma dos seu pés não maculassem as ideias que acumulara.

-Zé, chega-me aquele caixote para lá. Tens aqui uma moeda. Olha que são dois euros.

Cabriolou numa reviravolta, sacou a moeda e dum salto lesto de genuína infantilidade, deu um piparote no dito, que se tombou.

E sem mais ligar ao banhoso , Zé do papo, olhos sagazes na procura, uma sandes inacabada e mista, olaré. Catou, catou e não achou mais nada com interesse. Juntou o derrame que meteu no caixote e seguiu adiante, comendo e cantarolando.

Havia uma espécie de tasca, um café avacalhado, como diziam. E foi para lá que foi regar com vinho, do tinto, aquela meia sandes e um coto de banana, ainda com casca que por último quase se perdia.

Zé do papo tinha um aspecto asqueroso à vista e fedia uma mistura de cheiros e aromas de frutas e odores do corpo macerado pelo pó e falta de água potável e sabão.

Tomava um banho de quinze em quinze dias, no abrigo e, quando havia, mudava alguma roupa. A merda no corpo dava-lhe saúde. Dizia por entre os dentes podres, os lábios gretados, grossos.

Saíu da tasca, cambaleando. Apanhou do chão o resto de meio cigarro e dirigiu-se a uma mulher,à porta da loja, a fumar, pedindo lume.

Zé do papo mirou-a bem. Era bonita. Jovem. E tinha um corpo escultural. Uma calça justa ao corpo. A meio, o rego da cona em evidência, entre os lábios fartos, Um papo de cona descomunal. Fazia-lhe o minete , o lambete , o que ela quisesse . Os olhos raiados de luxúria e fixos na imagem que o caracterizava. Zé do papo. Pedindo-lhe lume, se fazia favor e ela, de pronto, oferecendo-lhe o isqueiro,  que ficasse com ele. E a meter-se na loja, a fugir-lhe. Os dentes podres. O sorriso rebarbativo.

Seguiu um cu bamboleante que passava, a cueca entalada no rego entre nádegas rijas, ou bem compartimentadas, a sobressair das calças brancas de tecido fino.

Era outra das suas paixões: os papos de cona e as cuecas à transparência de calças ou vestidos. Havia algumas sem cuecas e era a pintelheira farta o que Zé do papo sorvia nos olhos turvos e atormentava a mente com motivos escabrosos de fodas em turbilhão num qualquer vão de escada.

Caía a noite. Crescia a noite. Mais um copo e outro e outro. Hoje tivera muitas emoções e foi-se deitar, num recanto de prédio, onde guardava os preparos e uma cadela vadia lhe fazia companhia.

Deitou-se. Acendeu um coto de cigarro. A cadela chegou-se a ele, meiga, os olhos doces e tristes. Zé do papo esperava companhia. A Zarolha.

E veio, trôpega, chiando ais. Sentou-se no colchão junto dele, sem  se aperceber do vulto que já lá estava, adormecido. Zé do papo apalpou-a no escuro.

-És tu? Zarolha do caralho ?

-Sou, sou, meu cabrão.

Zé do papo achegou-se a ela, levantou-lhe a farripa de saia, aspirou o ar com sofreguidão, a mistura de cheiros, mijo, espermas ressequidos, sarro e enfiou-lhe o caralho há muito faminto das sórdidas investidas que aplacassem a loucura das visões diurnas.

Ela, a Zarolha, não deu por nada. A cona chocalhando de espermas antigos e recentes. E ele, arfando e peidando-se , adensando o ar de novos perfumes e vapores.

A cadela dormindo.

 

25
Abr08

O HÚMUS DO SEXO EM CHAMAS DE VOLÚPIA

NEOABJECCIONISMO

Estamos na área de fumadores do bar e os olhos dela não param de me fitar. Eu dou por isso porque fixo aqueles olhos de uma luminosidade intensa que me causam calafrios.

Entre dois golos da bebida excitante que tomamos ,meio sentados na berma do banco de tecido vermelho e negro, ela diz-me que o marido é um nojo.

Tinha montado um cenário de tal forma absurdo que ela tivera de recusar participar e saiu enojada.

-Queres contar como foi?

-Havia um tipo nosso conhecido que o enrabava , depois  de envolvidos em cheiros e músicas afrodisíacas . Depois o tipo tirava a picha e o meu marido chupava-lhe a picha .

-E o teu papel, qual era? Ver apenas, masturbar-te ?

Olhou-me, cortante. Os olhos dela são lâminas. Vorazes. Demónios. E os nossos corpos encostavam-se, quando ela teatralizava a conversa com gestos e movimentos de mímica audaz e inconclusiva.

-Não. A ideia era, o tipo enrabar o meu marido, O gajo chupava-lhe a picha e o outro voltava a enrabá-lo . O terceiro acto era onde eu entrava. Bahhhh .

E atirou-se para cima de mim, provocando um choque energético, a sua mão, na minha mão, babando-se de vinho, de mistura com a saliva esbranquiçada, pastosa.

-Eu devia começar por chupar a picha do tipo. Estás a ver o filme?

-Não.

-Oh! pá!

Os olhos vidrados. a boca pastosa. Um aroma fétido. Aposto que se peidoul . o ruído da música, a obrigar-nos a juntar os lábios de um com os ouvidos do outro.

-Ele ia ao cu ao meu marido, o canal da merda e eu chupava de seguida a picha emerdada .

Ri-me sem grande vontade. Mais pela entoação das palavras. Do ar enojado com que as dizia.

-Ah!, bom. Agora compreendo. É um bocadinho porco.

-Um bocadinho? Meu sacana.

E deu-me um encontrão que quase me atirou ao chão. Agarrou-se-me logo de seguida, amparando-nos, os seios dela entesados, não sei se de ordem natural ou silicónica , ou ainda por acção de aperto do sutiã ., encostados, pressionantes , no meu braço livre do copo.

-Ainda se fosse para me enfiar no cu. Sempre era  merda com merda .

Perdida de bêbada . E eu a caminho. A perder o pé ás bebidas já ingeridas. A achá-la bonita. A pensar papá-la em um qualquer recanto. Por mim seria ali mesmo, ensaiando uma dança de introdução fácil, na penumbra das luzes.

A minha mão a percorrer-lhe as pernas, uma e outra, arredando-as do caminho da  cona que me atraí  , oculta, ainda, mas presente na minha libido exaltada pelos vapores da bebida.

Eu, um homem de bem. Formado na academia, director de empresa. Divorciado repetente, à procura de satisfazer o impossível .

Ela, menina de bem e boas famílias. Era o que ela dizia. Putéfia!...  Em busca de emoções inacessíveis no meio desviante em que se inseria o seu casamento.

As cuecas rendadas a transvazar um liquido pegajoso. Húmus vaginal.  Esta gaja tem estado a ter orgasmos sucessivos enquanto fala comigo e se encosta no meu corpo, penso .

Sugar aquele sumo antes que seque. A ideia a fixar-se. A atormentar-me.

Levanto-me e pego na mão dela, com uma vénia real.

-Vamos?

E ela, lânguida pelos espasmos, a deixar-se conduzir. A agarrar-se ao meu braço, os seios duros de encontro ao meu braço. A libido. A minha e a dela em consonância de desejos.

Entrámos no carro, a custo e pouco depois, já no meu apartamento. A cama. O corpo dela em posição atrevida a apelar à minha criatividade. A roupa tirada com sofreguidão e atirada pelo ar  em apoteótica exaltação, os meus lábios beijando o clítoris , os lábios róseos da cona fervente e húmida, excessivamente húmida. As mãos dela agarradas aos meus cabelos, guiando os movimentos, contorcendo-se no fogo em que ardia toda ela. O cheiro do cio a abater-se nas minhas narinas ofegantes, o cu dela, abrindo e fechando em contracções cadenciadas. Oes seios eram mesmos rijos, tamanho médio, apetitosos.

O meu caralho a entrar na cona apetecida, as contracções de orgasmos múltiplos, a sugar-me. Muito dilatada Os meus dedos no cu dela a prepará-lo, a excitá-la até à rendição total.

O cu bem mais apertado, pleno de prazer e volúpia . Os dedos na cona dela, ardente ainda, a percorre-la em afagos calculados. A ejaculação anal, num clímax total, num supremo prazer de a ter tido como troféu da noite e ela a mim, lambendo-me a pila ainda hirta, as minhas mãos nos cabelos negros dela a guiar, agora eu, os seus movimentos oscilatórios. Já vencido, eu, e ela ainda sugando o esperma de mistura com a  sua própria merda .

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