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NEOABJECCIONISMO

O abjeccionismo baseia-se na resposta de cada um à pergunta: QUE PODE FAZER UM HOMEM DESESPERADO QUANDO O AR É UM VÓMITO E NÓS SERES ABJECTOS?- Pedro Oom .-As palavras são meras formalidades... O NEOABJECCIONISMO, n

NEOABJECCIONISMO

O abjeccionismo baseia-se na resposta de cada um à pergunta: QUE PODE FAZER UM HOMEM DESESPERADO QUANDO O AR É UM VÓMITO E NÓS SERES ABJECTOS?- Pedro Oom .-As palavras são meras formalidades... O NEOABJECCIONISMO, n

06
Ago09

O MITO NA SENSUALIDADE FEMININA

NEOABJECCIONISMO

a sensualidade feita poesia
a luz o cheiro os sabores
que das palavras o poema irradia
e me cativa em seus amores

se todo o mundo falasse a mesma língua
e se tivesse da vida a sã visão
o planeta não estaria tão à mingua
dos poucos que lhe estendem sua mão

leio os poemas vontade louca despedida
sangrar poema mão dupla memória
as palavras dúcteis crescendo na subida
ciosas de serem de si a própria história

sigo a vereda poética precisão e poetar
leio enlevado as sobras e a fúria de Gaia
suspenso na noite sonho banhado em luar
e molho o corpo no mar onde ele se espraia

quero abrir os olhos sentir o despertar
descobrir no sonho se estou vivendo a realidade
ou se sou um outro de dentro de mim a voltejar
ouço o teu rir no ventre do jardim que há na cidade

fresca juvenil menina diáfana maravilhosa
de dentro da paixão de viver exibes a rebeldia
o poema vive a metamorfose qual mariposa
e surge esplendoroso ao som da sinfonia

 

porque és da mulher o doce mito

teu olhar espelhado nas palavras sensuais

não és apenas sexo em ti a alma marca o rito

o sexo e o prazer estéril são marginais

 

obrigado, grato, agradecido amiga
que te fizeste humilde para aqui chegar
sendo rainha onde cultivam de ti a arte antiga
pousaste nesta acalmia doce mar

 

 

 

autor:j.r.g.

 

02
Mai08

DISSECAÇÃO DA PALAVRA AMOR

NEOABJECCIONISMO

Pego na palavra amor. Ostento-a num papel branco onde desenhei a várias cores o A o M o O o R. .

Está perfeito. Primeiro em dégradé de cada uma das cores básicas: o vermelho, o verde, o azul, o amarelo, o preto, Depois utilizo folhas de papel coloridas. Coloco-as uma a uma na frente dos meus olhos, com os óculos de dioptria e meia. Fixo a palavra, a cor, a palavra. Soletro-a. Pronuncio-a em voz baixa. A meia voz. Grito-a. Apaparico-a de tons, suaves, quentes, sussurrantes, agudos, raivosos, blasfemos e volto à ternura que a palavra envolve, que ela pretende ser ainda, desde que a criaram e lhe atribuíram uma significação. A M O R. . .

Sirvo-me de um pequeno binóculo. Aumento a palavra. Reduzo. Aumento

Penso nos poemas exaltados, as odes, a lírica ,a epopeia, o  soneto, o verso trepidante a esmo, sem rima, em catadupas de enlevado orgasmo existencial. E na prosa sibilina que génios ou simples escribas de ocasião elevados ao panteão das musas eruditas por lobbies de promíscuas intenções, E em como a palavra resistiu, resiste, no âmago de si própria indecifrável, indetectável o sentimento do sentido, a aferição da grandeza.

Ela, a palavra A M O R. . , continua a ser utilizada por todos na medida das suas conveniências. Mais ou menos ferida de significante erudição.

O amor da mãe pelo seu filho gritado até à exaustão, não a impede de permitir e colaborar na sua violação, do filho, da filha, quando uma outra significação de amor, o próprio ou o carnal, de sexo e orgias consequentes, ou as drogas paradisíacas e ou afrodisíacas ingeridas para suprir a falta de amor e inventar um novo, artificial e efémero, amor que basta no momento e acalma o frenesim da solidão de si, de se não ter, de se não achar.

O amor de amigo, falso, misericordioso. Envolto em enredos desculpabilizantes. Em evasões de raciocínio denso e mirabolante .

O amor de pai como só ele sabe amar. Intransigente. Austero na aplicação das leis primárias e a utilizar a palavra na medida do querer ser ou parecer, como pilar da união, cada vez mais perene, da família e a delegar na mulher dele, mãe dos filhos ou madrasta, a administração do amor quanto baste.

01
Mai08

AS PALAVRAS ANDAM TODAS LIGADAS

NEOABJECCIONISMO

As PALAVRAS alinhadas no absurdo da memória são em si mesmas, apenas palavras, caracteres com significados e intenções e leituras subjectivas. Têm força e vida própria mas precisam de emissor e receptor para se afirmarem como fundamentais.

A PALAVRA mãe. Mulheres que exultam de alegria, que se doam inteiras, que abdicam dum todo que as fazia ser mulher. Que se desencontram abjectivamente do ser e do estar, dos objectivos que um dia se colocaram. E se dedicam inteiras aos filhos, aos filhos dos filhos.

A PALAVRA  amor. Amor de amigo, amor de sexo, amor de mim, amor da vida. E ninguém sabe o que é. Como se define, caracteriza. Porque sendo um estado ambivalente do ser, que congrega em si as frustrações e a consistência da consumação, a ira e a ternura, a felicidade e o desdém, o mito e a realidade , a banalidade e o ênfase .

A PALAVRA dinheiro. Em nome do qual se chacinam pais, amigos, filhos e se renega o amor. Direi que é a palavra mais cínica do alfabeto conhecido. Incita a ódios e a vinganças. Ninguém escapa à estrábica visão do dinheiro. A traição, o crime, a abjecção de tudo o que mexe e implique dinheiro. Até os padres de todas as religiões.

A PALAVRA religião. Antes da invenção das palavras, os seres hominídeos já fornicavam entre si para a proliferação da espécie. Não tinham deuses nem santidades instituídas . Mas tinham medos. Simplesmente medos. As religiões vieram suprir essa carência de remédios contra o medo. A exemplo do combate ao fogo pelo fogo, elas vieram trazer a expurgação do medo com novos e mais exaltantes medos: Deus e o Diabo e numa ordem decrescente, os pais, os amos e senhores, que da terra se foram apoderando para garantirem a protecção dos mais fracos.

A PALAVRA sexo. Quantas desgraças, angústias, morticínios e vilanias. Juras desfeitas ao sair a porta da casa comum. O sexo da gaja do vizinho é melhor do que o da minha. O gajo do lado tem uma picha mais comprida e olha-me com olhos gulosos, é porque sou boa.

Enlamear-se em sexo. Chafurdar. Inventariar posições e desvarios conseguidos. Mentir e seguir para outra. Dizer amo-te quando já não há nada para amar. Só o sexo adivinhado nos lábios trémulos de prazer. Na ilusão de imagens trabalhadas para atrair.

A PALAVRA sonho. Estudada ao pormenor por especialistas da ilusão. A tentativa de nos fazer crer na bondade de uns e maldade de outros. Como se a palavra, desprendida de si própria, subsistisse. Fosse. E se tornasse numa realidade que objectivamos com o frenesim próprio dos incrédulos. Sonhamos no sono e dentro do sonho acontecem sonhos. Sonhamos acordados. Não é cisma. É sonho.

A PALAVRA democracia. Todos os regimes vivem em democracia, mesmo os totalitários.

Chamamos democracia a um estado onde as pessoas são todas inscritas como rebanho, com variantes de cor e tamanho. Ciclicamente chamam-nas a votos. Digladiam-se os grupos em promessas e programas de circunstância. Atraem com sedutoras miragens de bem estar. Cada vez são menos os que votam, Desenganados. E vamo-nos aproximando das democracias totalitárias. Só um grupo activamente interessado e conivente vai aos votos e elege os confrades que melhor lhes retribuirão a paga.

 

30
Abr08

ZÉ DO PAPO - E OS AUMENTOS

NEOABJECCIONISMO

Sou vagabundo e estou-me cagando para o preço dos combustíveis . Tanto se me dá que subam três ou vinte cêntimos.

O governo também, apesar da fingida preocupação. Porque isto de automóveis para todos foi chão que já deu uvas. Vão-se foder . O governo já subsidia os transportes públicos.

 Quem não tem dinheiro que ande a pé, como eu. Nem percebo o porquê de tamanho alarido, hoje, logo pela manhã, nas rádios dos automóveis que passam. Três cêntimos de aumento é uma ninharia. Em dez litros não dá para um copo de vinho.

Quando eu tinha carro e estava incorporado na sociedade das boas práticas, se havia um aumento de combustíveis , formavam-se bichas, eu disse bichas? Pois, agora diz-se filas, para não ofender. Mas se bichas é o feminino de bichos e nós somos bichos, qual é o problema?

Agora, as pessoas nem dão pelos aumentos. É preciso ser amplamente divulgado, chamadas de atenção nas primeiras páginas. Entrevistas.

-Não. não dei por nada.

Pagam e não bufam. Nunca houve tanto dinheiro em circulação por tantas mãos. Bichas nas pontes. Bichas nas cidades maiores. Férias no estrangeiro e nem conhecem bem o bairro onde vivem.

Estamos a chegar ao fim duma etapa, mas eles não querem acreditar, continuam a foder -se uns aos outros. Isto da sociedade da abundância já não estica mais. Começa a não haver onde arrumar tanto desperdício , lixo, escória.

Os gajos tramam as gajas, as gajas tramam os gajos e chafurdam todos na mesma merda de sobes tu subo eu e que se fodam os sentimentos.

Por mim os preços podem subir todos até lhes tirar a tesão das grandezas. Só me preocupa o aumento de vagabundos. Aqui está uma inflação que me preocupa.

É endividarem-se. Os agiotas autorizados nunca ganharam tanto dinheiro e têm o apoio das instituições públicas.

Quando eu era parte, os agiotas levavam, por lei, um juro de oito por cento ao ano. Hoje, a agiotagem leva trinta por cento ao mês. Tudo facilidades. No fim é que é o caralho , na hora de pagar as várias facturas. E há gajas que têm que vender a cona para continuar a ter as mordomias e gajos que se deixam enrabar . Cada vez mais difícil , porque com tanta cona , no mercado da oferta e da procura, e pelos mais diversos motivos que vão da simples tesão ao endividamento insustentável, até as putas têm que variar a qualidade do serviço se querem sobreviver.

 

29
Abr08

IMAGEM DO DIA

NEOABJECCIONISMO

Alberto João Jardim, afogueado, vermelho o rosto balofo, estremecendo como gelatina de morango, a anunciar solenemente a uma selecção de jornalistas, que até dia  X dirá se vai ser candidato a presidente do PSD.

Os vagabundos do povo, aterrados, esperam que seja mais um bluf. Que não vai acontecer, e não acontecendo, não há hipótese de ganhar, e não ganhando, as cidades, as vilas e aldeias ficarão imunes à sua megalomania faustosa de transformar tudo em riqueza de e para grupo.

Até os vagabundos.

28
Abr08

O VÓMITO

NEOABJECCIONISMO

Um tipo, agoniou-se. Vomitou e atingiu um transeunte. Tirou a camisa e apressou-se a limpar o vómito. Voltou a vomitar e foi empurrado. Caíu de bruços. A cabeça nas pedras da calçada.

O sangue e o vómito misturados numa massa viscosa.

Um cão faminto lambe apressado a massa disforme que ameaça alastrar para a sargeta.

Alguém o tenta afastar. O cão revira o dente e rosna.

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