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NEOABJECCIONISMO

O abjeccionismo baseia-se na resposta de cada um à pergunta: QUE PODE FAZER UM HOMEM DESESPERADO QUANDO O AR É UM VÓMITO E NÓS SERES ABJECTOS?- Pedro Oom .-As palavras são meras formalidades... O NEOABJECCIONISMO, n

NEOABJECCIONISMO

O abjeccionismo baseia-se na resposta de cada um à pergunta: QUE PODE FAZER UM HOMEM DESESPERADO QUANDO O AR É UM VÓMITO E NÓS SERES ABJECTOS?- Pedro Oom .-As palavras são meras formalidades... O NEOABJECCIONISMO, n

31
Jan10

A LEI DOS CASAMENTOS GAY E O ORÇAMENTO DE ESTADO...

NEOABJECCIONISMO
Os doutos comentadores
 


Ainda não se aperceberam


Que entre engenheiros e doutores


Os gays se antecederam




Primeiro foi aprovado


Entre aplausos do parlamento


O direito antes privado


Dos gays ao seu casamento




O presidente bem que blasfemou


Contra esta lei dita pela igreja contra a natura


Como se fosse um qualquer deus quem aprovou


A constituição dos genes que o corpo apura




Posta a lei em brusco movimento


Logo correram editais


Para que se aprove o orçamento


São precisos dois casais




Muitos se fizeram rogados


Exigiram explicações


Em comunhão de bens ou separados


Ressalvadas as devidas proporções




Litigaram no orçamento a partilha


Entre a despesa e a receita


Quanto fica a dividir pela matilha


Não levando o povo mais desta feita




Houve ciúmes lamentações desavenças


Uns concordaram entre sessões


Outros prometeram dizer sim e não como crianças


Mas concordaram não ser tempo de obsessões




Quem observar a vida quotidiana


Não pode dizer mal da situação


Correm notas paralelas por certo nesta gincana


Os combustíveis sobem aumenta no trânsito a confusão




Nos hipers nas discotecas nos casinos


A euforia não descola seja a crédito ou a pronto salva-se o brio


Não se pode contemplar no orçamento tais desatinos


Em nome do emprego e do orçamental equilíbrio




Sobem livres de taxas os lucros financeiros


Mais-valias criadas por cérebros de engenharia


A corrupção genética ganha companheiros


Ganham num dia o que o povo inteiro não ganharia




 
Já não importa fabricar novos produtos


O importante é a venda fictícia de ilusões


É mais fácil criar ideias fúteis que atributos


Não deixam desperdícios e nas crises geram fusões

 

 
O problema dizem é todo da educação

 
com a iletracia geral do entendimento

 
os sindicatos de professores confundem a Nação

 
o problema não é o estudo a competência é o orçamento




Em última instância inventam-se pandemias


Obrigam-se os povos a contribuírem


Afluem fluxos do tesouro sobem as arritmias


Os povos desesperam sem amor para se unirem




A justiça é uma panaceia viciada


Salvaguardada na superior teia legislativa


É concebida à medida dos crimes de cara lavada


E arbitra livremente a contento toda a comitiva




Há vozes discordantes sobre o modelo da economia


Uns querem que o estado apenas trace as linhas


Que entregue os bens supremos salve da crise a ignomínia


Outros que assuma do poder nossas vidinhas




Ouvido apenas quando se trata de eleger


O comum do povo discute nos bares o futebol


Desenrasca-se como pode da avalanche do poder


Entretém-se a discutir pequenas manchas de lençol




 
Em toda esta circense palhaçada


Só um palhaço será tristemente rico no momento


O jardim colorido da Ilha da Madeira


Ao descobrir no pote e no penico o tesouro do orçamento






Autor: JRG
15
Jan10

PENSAR...O PENSAMENTO...MEDITAR...O ÊXTASE...

NEOABJECCIONISMO

 

foto tirada da net

***

 

 

pensar...o pensamento...meditar...o êxtase...

***

são fases do homem sublimado

 

*****

 

pensar não é antever o que fazer no imediato

a cada partícula de segundo agir obcecado

oscilar entre o prazer ou ficar parado em bom recato

viver toda a vida como um boneco animado

 

o pensamento é olhar o corpo através da alma

é ver para dentro de toda a matéria nublada

ultrapassar o vento ir além do cosmos sentir a mão na palma

perscrutar o ser e nele reflectir o movimento vida gorada

 

meditar é sair do corpo e ser na alma serena exaltação

consolidar o pensamento dar ao tempo o tempo de acontecer

é ir além do saber acumulado o não saber e ser meditação

compor o puzzle sem se deixar da acalmia envelhecer

 

o êxtase apanha a alma num absoluto de solidão

fixa os motivos e os porquês da existência

como uma branca no consciente do ser em doce exortação

convoca todos os sentidos a assumirem de si a evidência

 

do acto de pensar chegámos ao humano pensamento

a meditar no tempo aportamos ao profundo êxtase

um homem uma mulher em subtil encantamento

fazem amor no abismo desde o topo até à base

 

agora quem faz que pensa é a máquina

passamos o tempo na espera ansiosa que ela medite

ela que usufrui do pensamento que a iquina

que nos leva pelo mundo em viagens sem limite

 

tudo o resto é sonho ou devaneio da alma acomodada

um arrufo de namoro uma alegria de alma sofrida

uma cobiça a teimosia de viver a vida em si fechada

e ir na onda da mediocridade aguerrida

 

autor: JRG

 

 

 

 

29
Ago09

EM JERUSALEM

NEOABJECCIONISMO

em jerusalem
há um museu do holocausto
ainda bem

em Jerusalem
há dois povos que se digladiam
e outros que se abstêm

em Jerusalem
há homens virtuosos abastados
e outros que nada têm

em Jerusalem
há um muro das lamentações
que balas não atingem

em Jerusalem
há a esplanada das mesquitas
Judeus e Árabes que discutem

em Jerusalem
há mortos que reivindicam pela paz
e vivos que a diluem

em Jerusalem
há duas culturas antagónicas
que a ONU sustém

em Jerusalem
discute-se a hipocrisia a morte de meninos
surdos e mudos aos apelos de uma mãe

autor:  jrg

11
Jan09

CANTO PARA TI A ESPERANÇA

NEOABJECCIONISMO

O mar estava bravo medonho
erguia ao céu vagas alteradas
como um pesadelo vindo do sonho
ouço a voz das ninfas encantadas

 

O vento rugia assim por sobre o mar
solta flocos de espuma amarelada
poluição é susto, morte, vida a chamar
a consciência de nós bem acordada

 

A chuva investe sobre mim tão feminina
deleita-se no meu corpo de mar e vento
afuguenta de mim o homem imundo

 

A esperança que já foi em ti pequenina
cala em nós  de vez o pérfido lamento
é hora de gritar vitória sobre o mal profundo
 

23
Set08

SER NEOABJECCIONISTA - OU A QUESTÂO DE DAR E TIRAR A CONFIANÇA

NEOABJECCIONISMO

O QUE É O NEO-ABJECCIONISMO


Chamo-me Luiz José Machado Gomes Guerreiro Pacheco, ou só Luiz Pacheco, se preferem. Tenho trinta e sete anos, casado, lisboeta, português. Estou na cama de uma camarata, a seis paus a dormida. É asseado, mas não recebo visitas. Também não me apetece fazer visitas. A Ninguém. Estou bastante só. Perdi muito. Perdi quase tudo.
Perdi mãe e perdi pai, que estão no cemitério de Bucelas. Perdi três filhos – a Maria Luísa, o João Miguel, o Fernando António –, que estão vivos, mas me desprezam (e eu dou-lhes razão). Perdi amigos. Perdi o Lisboa; a mulher, a Amada, nunca mais a vi. Perdi os meus livros todos! Perdi muito tempo, já. Se querem saber mais, perdi o gosto da virilidade; se querem saber tudo, perdi a honra. Roubei. Sou o que se chama, na mais profunda baixeza da palavra, um desgraçado. Sou, e sei que sou.
Mas, alto lá! sou um tipo livre, intensamente livre, livre até ser libertino (que é uma forma real e corporal de liberdade), livre até à abjecção, que é o resultado de querer ser livre em português.
Até aos trinta e sete anos, até há bem pouco tempo ainda, portanto, julguei que podia, era possível, ser livre e salvar-me sozinho, no meio de gente que perdeu a força de ser (livre e sozinha), e já não quer (ou mui pouca quer) salvar-se de maneira nenhuma. Julgava isto, creiam, e joguei-me todo e joguei tudo nisto. Enganava-me. Estou arrependido. Fui duro, fui cruel, fui audaz, fui desumano. Fui pior, porque fui (muitas vezes) injusto e nem sei bem ao certo quando o fui. Fui, o que vulgarmente se chama, um tipo bera, um sacana. Não peço que me perdoem. Não quero que me perdoem nada. Aconteceu assim.
Eu para mim já não quero nada, não desejo nada. Tenho tido quase tudo que tenho querido, lutei por isso (talvez o merecesse). Agora, já não quero nada, nada. Já tudo, tanto me faz; tanto faz.
Agora, oiçam: tenho dois filhos pequenos, o Luís José, que é o meu nome, e a Adelina Maria, que era o nome de minha Mãe. O mais velho tem 4, a pequenita dois, feitos em Fevereiro, a 8. Durmo com uma rapariga de 15 anos, grávida de sete meses, e sei que ela passa fome. É natural que alguns de vocês tenham filhos. Que haja, talvez, talvez por certo, mães e pais nesta sala. Não sei se já ouviram os vossos filhos dizerem, a sério, que estão com fome. É natural que não. Mas eu digo-lhes: é essa uma música horrível, uma música que nos entra pelos ouvidos e me endoidece. Crianças que pedem pão (pão sem literatura, ó senhores!) pão, pãozinho, pão seco ou duro, mas pão, senhores do surrealismo, e do abjeccionismo, e do neo-realismo e mesmo do abstraccionismo! Este mês de Março que vai acabar ou já acabou, pela primeira vez, eu ouvi os meus filhos com fome. E pela primeira vez, não tive que lhes dar. Perdi a cabeça, para lhes dar pão (ainda esta semana). Já não tenho que vender, empenhei dois cobertores, e um nem era meu. Tenho uma máquina de escrever, que é a minha charrua, e não a posso empenhar porque não a paguei; e tenho uma samarra, que no prego não aceitam porque agora vai haver calor e a traça também vai ao prego... Já não tenho mais nada. Tenho pedido trabalho a amigos e a inimigos. Humilhei-me, fiz sorrisos. Senti na face, expelido com boas palavras e sorrisos, o bafo da esperança, da venenosa esperança; promessas; risinhos pelas costas. Pedi trabalho aos meus amigos: Luís Amaro, da Portugália Editora; Rogério Fernandes, de Livros do Brasil; Artur Ramos; Eduardo Salgueiro, da Inquérito; dr. Magalhães, da Ulisseia; e Bruno da Ponte, da Minotauro, aqui presente, decerto. Alguns têm-me ajudado; mas tão devagarinho! tão poucochinho!
Sim, porque eu não faço (já agora, na minha idade!) todos os trabalhos que vocês querem! Só faço, já agora, coisas que sei e gosto: escrever umas larachas; traduzir o melhor que posso; mexer em livros, a vendê-los ou a fazê-los.
Nem quero vê-los a vocês, todos os dias! Ah! Não! Era o que me faltava! Vocês têm uma caras! Meu Deus, que caras que nós temos! Conhecem a minha? Vão vê-la ali ao canto, na folha rasgada do meu passaporte (sim, porque viagens ao estrangeiro (uma...) também já por cá passaram...) Viram? É horrível!... A mim, mete-me medo! Mas é uma cara de gente. E isso não é fácil.
Dizia eu: eu quero trabalhar na minha máquina, sozinho, ou rodeado da minha Tribo: os miúdos, uma mulher-criança, grávida. E, às tardes, ir passear pela Avenida Luísa Todi ou na ribeira do Sado. Acho que nem era pedir muito. E para mim, é tudo.
Já pedi trabalho a tanta gente, que já não me custa (envergonha) pedir esmola. Confesso-lhes: até já o fiz, estendi a mão à caridade pública, recebi tostões de mãos desconhecidas, de gente talvez pobre. E tenho pedido emprestado, com a convicção feita que não o poderei pagar. É assim.
Eu para o Luiz Pacheco, repito, não quero nada, não desejo nada, não preciso de nada; mas para os bambinos! E para o bebé que vai nascer! Roupas; leite; pão; um brinquedo velho... Dêem-me trabalho! Ou: dêem-me mais trabalho.
E para findar esta Comunicação, remato já depressa:

Peço uma esmola.

 

(Alocução de Luís Pacheco numa conferência pública)

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A Minha  Reflexão...

Não se pede nem se dá, interioriza-se, sente-se e é como uma mola do interior de nós que se movimenta na direcção da coisa ou ser da nossa atenção.

Dar, não nos dá o direito de exigir vassalagem. Nem de retirar a coisa dada se não for feito o uso para que a demos. Dar é uma emoção dum dado momento que nos satisfaz. É uma necessidade nossa. Quando retiramos o que demos em determinado momento, não nos assiste o direito de retorno de nada. Não existe retorno do que foi gasto em ideia ou uso.Dei-te confiança, fizeste mau uso do meu confiar, logo, retiro-te a confiança. Devolve-ma...

O que é dar confiança?

Dar confiança pressupõe ter recebido confiança suficiente para poder retribuir. Ninguém dá nada a alguém  se não tiver tido um retorno. Madre  Teresa recebia a dádiva da Paz interior pela sua devoção a causas humanitárias. Entre o comum de nós, humanos, o hábito ou o acaso de dar, é sinónimo de ter recebido antes uma contrapartida, ainda que emocional.

Dar é um acto instantâneo face a um recebimento. É  reciproco.  Só possivel quando duas pessoas se cruzam e se sentem. Está dado.

Penso que não é estimável que alguém retire confiança a outrem e o faça anunciando tal decisão. É uma violência psicológica. A pessoa em quem se confia deixou de ser confiável no todo ou em parte, para um alguém, não para o todo, sequer para o todo de quem retira a confiança.

Na conferência de Luís Pacheco, ele explicita-se. Dêem-me trabalho, mas não um trabalho qualquer. Pede pão para os filhos e já agora, sem o dizer, que seja suficiente para o vinho.

É um pedido desesperado que obtém de quem dá duas satisfações de bem estar. A primeira, a emoção do quadro pintado por quem pede e que provoca a reacção de dar , a segunda, a emoção do acto de dar, efectivo. Sem a emoção anterior não há emoção posterior. Sem a dádiva que capta a atenção , não há dádiva de facto.

Falarmos subjectivamente do que nos interessa sem atendermos ao interesse do outro, é uma forma comum de manipulação dos interesses próprios em absoluto.

Pensarmos que é possivel comprar ou subjugar a consciência do outro, a sua liberdade de pensamento,  com actos que consideramos subjectivamente  suficientes para o manter amordaçado, subserviente a nós, é ingenuidade gratuita ou prepotência dos valores de que nos julgamos possuídos.

Eu considero, ainda, que mais grave é o processo Kafquiano de julgar os procedimentos de um individuo, apenas pela avaliação que alguém faz do seu comportamento e dos reflexos que ele pode induzir ou reflectir na sua própria visibilidade, a  do julgador, aos olhos de outros. Como se fosse indissociável um do outro, o que pratica a acção do sujeito que se vê implicito na própria acção.

 

 

 

 

 

22
Set08

MOVIMENTO PIJAMINHA (PARA O IPO)

NEOABJECCIONISMO

 

Do espaço Astrológico

http://espelhodevida.blogspot.com

Causas de todos

 




Movimento Pijaminha (para o IPO)

São necessários (principalmente) pijamas para as crianças que estão no
Instituto Português de Oncologia a fazer tratamentos de quimioterapia.
Após os tratamentos, os pijamas ficam muito sujos e gastam-se
rapidamente.
Esta ideia surgiu há dois anos e hoje já é apelidada de *Movimento
Pijaminha* pelo sucesso que têm tido os esforços conseguidos!
As necessidades existentes passam pela falta de pijamas, pantufas,
chinelos, meias, robes e fatos de treino.
Para todos a vida não está fácil, mas dentro das possibilidades de
cada um há sempre espaço para participar, comprando ou obtendo junto
de amigos e familiares agasalhos que já não sirvam.
No ano passado foram entregues 76 pijamas e o IPO ficou muito
satisfeito com esta dádiva.
Este ano vamos repetir a façanha, e se possível ultrapassar este número.
Se divulgarem já estão a ajudar!!!

 

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Correspondendo ao apelo veículado pela minha amiga Ana Cristina Corrêa Mendes em

http://espelhodevida.blogspot.com.

As minhas felicitações, a minha solidariedade, a minha partilha de espaço na divulgação.

 

22
Ago08

CRÓNICA DA CIDADE GRANDE

NEOABJECCIONISMO

Vista de onde eu a vejo, a Cidade é  extensa e intensa, dorme de luzes acesas em continuo e tem  a Lua poderosa como estigma dos sonhos.

Estou do outro lado da Cidade grande, descaído para a foz do rio  que a banha vindo de Espanha. Na marginal correm luzes possessas sem destino. Infinitas. Sei quando é o comboio, pelas janelas iluminadas, o som das rodas nos carris de ferro, ou quando é uma ambulância que se esgueira por entre os possessos dos outros, distraídos, a verem de onde vem o som de alarme, de SOS, se é para eles ou para uns outros .

Estou na penumbra da outra margem obscura frente à cidade grande e tive sonhos, tenho sonhos, de ser grande como a Cidade

O brilho da Lua quase ofusca as luzes da Cidade e produz ecos que ressoam na minha memória incandescente. A brisa é fresca, suave, amena e em frente há casa com luzes acesas.

Fixo os meus olhos em uma delas, é como se um pisca-pisca alucinante, como um íman poderoso, distante, me apelasse o registo. Sim, são dois vultos que se movem, parecem lutar pela posse de algo que não vejo ainda bem. Sinto que são um homem e uma mulher, ainda jovens. Acusam-se mutuamente, gritam, choram e agarram-se desesperadamente, soltando palavras que ferem. Culpabilizando-se. E movem-se em contínuos movimentos de vai e vem em roda de um candeeiro de mesa ou de tecto.

_Acreditei nos teus sentimentos. Na tua lealdade. Saíste-me um traste. São palavras da mulher entre soluços de dor profunda._ deixaste de me amar.

_Tu é que só pensas em ti, não tens a noção de projecto conjunto, de espaço. Já não me amas e eu amo-te. Quero amar-te sempre. _São dele, as palavras proferidas  no silêncio aparente da Cidade. Silêncio absurdo sobressaindo dos ruídos.

Percebo, o que eles disputam. É algo invisível que se lhes escapa a cada gesto Disputam amor, algo que sentiram, que sentem, mas que não entendem como se esfuma, se esvai deles que o  querem reter, porque o queriam estanque, à mão de cada zanga, à mão dos desejos quando o desespero de ficar só aperta o sentimento de amar.

Desvio os olhos para a luz azul celeste na negritude da noite. Impaciente perante a passividade, o condutor liga a sirene. Leva uma criança que chora, que arde em febre de origem desconhecida. Um homem e uma mulher trocam olhares de socorro mútuo. Dizem palavras com os olhos, entre si e para a criança que lhes estende os braços. O seu filho. E é amor o que vejo, tanto que me seduz, me pára o pensamento, me encanta de mim, porque são formas de amor distintas que eu vejo naqueles olhos e naqueles olhares. Amores diversos, acutilantes, que se entrecruzam.

Curiosidade geométrica

autor:João Vicente

Gente jovem deambula pelas ruas em busca de mais horas de vida. Garrafas de cerveja nas mãos, risos estridentes, palavreado fácil, inútil. Apenas palavras para se ouvirem. Palavras que procuram projectar alegrias em si e nos outros. Palavras , por vezes amargas, outras obscenas, arrogantes ou simplesmente afectuosas, se são amantes. Palavras para esquecer ao dealbar do dia.
Que fiz? Por onde andei? Que foi que disse ou prometi? E a quem? E amanhã?

Vejo brigas, discussões fúteis que provocam agressões. Assaltos de delinquentes menores.

Capitães da rua, decididos, disciplinados, cheios de vontade de serem maiores, ou tão grandes como a cidade. Seguem em grupo porque sozinhos perdem a força. Caçam como as Leoas, em grupo, escolhem a presa, também a mais fraca, debilitada.

Há gente que trabalha, despudoradamente, trabalha na noite para que a Cidade não estagne. Trabalham para poder pagar tudo o que gastam , que se torna numa justificante, para  continuarem a trabalhar. A apresentação, o carro, a alimentação, a casa própria, o estatuto, a moda.

Vagabundos alienados procuram insistentemente nos caixotes de lixo algo que os reconforte. Têm pressa, antes da recolha que os inibe desse prazer de achar. Vasculham. Lançam impropérios por entre os dentes moídos, descarnados quando se riem.

Ás vezes procuram apenas um pedaço de cartão que lhes sirva de cama, um leito diferente, de cores e cheiros. Discutem uns com os outros, é meu! A garrafa vazia.

A Lua aproxima-se inexoravelmente da linha do horizonte, de onde passará para o outro lado de onde a vemos, estamos, de onde estou. E sei que o seu movimento produz mutações, alimenta desejos. Sei que influi na essência das almas que vagueiam na noite. E nas que dormem, que se disputam nos sonhos.

Estamos no dealbar de uma nova aurora e ainda tenho tempo de olhar a luz fraca, adormecida, do 12º , imponente, do lado de onde o Sol nasce, e aperceber-me dos movimentos exaltados de dois amantes que se entregam, como que na totalidade, tal a fluidez dos gestos e dos aromas que me chegam, os gemidos de prazer, os beijos, os ais do clímax, dum absoluto de amor.

Olho os corpos desnudos, despreocupados, relaxantes que as mãos de um e outro se acariciam ternurentos.

E mais à frente, salteando de janela em janela, os solitários que a insónia mantém vigilantes, desesperados de procuras insistentes sem achado: os amores frustrados, amigos desleais, contas por pagar, o desemprego, os pais que os abandonaram sem afectos, filhos desviados, os objectivos difusos, falhas de amor próprio, procuram, no passado, no seu passado, razões de afectação ao presente e esquecem-se de si, do seu interior onde tudo adormecido podia despertar, onde se asfixiam na amalgama de sentimentos profundos, dolorosos que  se comprimem na ânsia de se soltarem, de uma palavra chave, uma luz, um milagre de si.

Sinto uma mudança brusca na aragem e um clarão ténue de claridade. Vai ser dia.

Ouço as vozes cavernosas dos primeiros pescadores, dos que chegam e dos que partem.

É o momento preciso em que a Cidade perde o brilho entre a bruma opaca da manhã junto ao rio.

Imensa, a Cidade grande, é agora um esboço e regurgita de um outro tipo de vida.

 

 

27
Jul08

NOSTALGIAS !...

NEOABJECCIONISMO

O café pastelaria, tertúlia , onde navegávamos, metafísicos , na abordagem do conhecimento das coisas novas que, afinal, eram comuns noutras paragens, deixou de existir há muito.

Foi loja de moda, de artesanato e agora é nada. Vazio. Nem a memória das divagações literárias, as fífias juvenis a procurar afirmação de personalidade. Jogos do ser e do nada.

Ao cimo da rua que começa no largo da praça em direcção ao mar. Mar que já esteve mais longe, deixando aos prazeres um extenso areal de areia fina, as dunas salpicadas de cardos e chorões , a esconder, por vezes,  actos de natureza proibida. Só resta, num recôndito do cérebro , o avivar das emoções de quem resiste. E saltam nomes na memória: Pedro, Carlos, Lauri , João,  o Sr. . Farinha, patriarca, as raparigas, Tatiana, as Ginas de Regina e Virgínia Jeni , de Eugénia, Irene...

Onde estão?

O café a meio cêntimo, os nata sem correspondência monetária a um escudo e vinte centavos. As andanças a pé 

Os projectos megalómanos, literatura, artes plásticas, ciência. O futuro com a guerra ali tão próxima e a legião de mulheres de xailes negros sobre roupa negra, que subiam a rua, passavam junto à montra apressadas, canastras à cabeça a ver o peixe chegar, daí a instantes, alheadas das congeminações efabuladas de uma pretensa elite desassossegada.

 Ir à praia a meio da noite e tomar banho desnudos, a luminosidade da água a cada braçada, magia e sedução dos sentidos. O prazer do nu, proibido, preconceituado. A sensação plena de livres.

Pedro, o chouriço roubado na pastelaria do largo, a garrafa de vinho comprada com a reunião dos trocos de cada um, o assalto à residência de Verão dos pais dele o churrasco em álcool , a amizade sem limites.

Foi piloto aviador. Achá mo-nos na Aldeia Formosa, numa manhã quente de África e fez questão de me lançar numa experiência única. Voar.

Um avião de guerra, morte destruição, dor, num dos raros momentos ao serviço da paz.

Pedro brincou com o pequeno T6 no ar rarefeito, subindo a pique, rumo ao infinito e de repente, uma inversão, rodando sobre si próprio, a descida vertiginosa.

Na subida, era como se todas as entranhas quisessem soltar-se do meu corpo miúdo, ao contrário da descida em que o cérebro parecia saltar a todo o momento. Náuseas .

Suicidou-se, poucos anos depois do regresso, com gás doméstico. Não com napalm.

Carlos, o poeta, engenheiro de sistemas, talvez o mais erudito da tertúlia , não terá resistido à pressão. De quê? Suicidou-se em condições misteriosas. Extrema terá sido a sua solidão, entre a mulher  Francesa e as filhas e a Ascenção da carreira. Onde ficava ele?

Irene , a bela e encantadora Irene . A medicina era a sua paixão. Salvar vidas. Aprender e dar tudo de novo. Minorar a dor, de preferência pediatria. Sonhadora, linda. Uma doença súbita e fatal. Um cancro galopante e imparável no sangue. Os sonhos desfeitos de encontro à interrogação que nos acode: Que andamos nós a fazer aqui? Que força é esta que nos impele a lutar, sem tréguas e a cair, desfalecidos, inertes, sem que o possamos impedir.

Regina, artista plástica de mérito, amante sublime do belo e de Lauri. O corpo miúdo, harmonioso Jeni, espalhafatosa, cheinha de corpo, mas lesta na procura do culto da alegria . Vê-la correr, esbaforida, o corpo gingão, Avenida acima para não perder o concerto de ditos de João Villaret . Tatiana, que casou com Pedro e o viu morrer, ou achou morto na banheira um dia, ou não soube evitar, de algum modo, evitar, que a solidão se instalasse .Lauri, Paris a rádio, os romances , o  teatro. A amizade perdida nas tragédias da vida, deslealdades. O irrazoável do teu ponto de vista, do meu que soçobrava .

E os outros?... Que é feito de vós.?...

 

 

 

 

08
Jul08

FRANÇOISE HARDY - 1944

NEOABJECCIONISMO

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nota. A imagem perde qualidade á medida que se expande. A voz mantém o tom.

 

 

É uma das mais bela mulheres  do mundo em meados dos anos 60. Uma voz suave melodiosa, romântica e envolta de suaves mistérios. Um encanto total. Uma sedução envolvente de toda a sua coreografia, ela própria. Esbelta.  É a voz e o rosto, no feminino da canção Francesa da época. É a paixão, ou o modelo de muitos jovens em todo o mundo.

As suas canções têm um significado profundo, um romantismo atractivo, sedutor. Mesmo que não se entenda a letra, a voz e a expressão artística que assume no rosto e nos gestos, transportam-nos a mundos subliminares de excepção.

 A sua figura produz um encantamento na sedução do seu olhar.

 Simples, elegante, transmite igualmente, uma imagem da mulher do futuro. Interessante, culta, sem as frivolidades que se associavam ao género feminino.

É uma expressão do sonho de ser mulher.

 

 

  

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29
Jun08

D E S A F I O A DUAS MÃOS

NEOABJECCIONISMO

DESAFIO. Eu Neoabjeccionismo e o Mocho Velho lançamos um desafio a todos, todas, nossos amigos e amigas, ou a quem nos visitar, que achem interessante responder de si a seis questões que julgamos pertinentes, colocadas por nós. E em que os comentários podem ser cruzados por entre todos os intervenientes

 Três destas questões, as colocadas pelo Mocho Velho, serão editadas neste blog. As três outras, colocadas pelo neo, eu próprio, serão colocadas no blog do Mocho Velho.
Esperamos a vossa participação com a alegria que vos, nos é própria:
 
                                        DESAFIO -Questões do Mocho Velho
 
1-.Como encara o suicido ( em geral)...................................................................................................................................
2- Qual é a melhor coisa, (concreta e definida), que uma pessoa pode deixar neste mundo?..........................................................................................................................................
3 -O que mais o (a) horroriza e transtorna no mundo actual?..........................................................................................................................................

 

O desafio está aberto a todos que queiram participar. Para ir a mocho velho: mochovelho

Estamos no dealbar de uma nova era, um nova ordem internacional surge, perfila-se no horizonte..

Os homens mostram-se incapazes de suster a derrocada do Planeta. É tempo das mulheres mostrarem a sua verdadeira face. E de os homens colaborarem com elas.

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