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Foto António Vieira da Silva
*
REVOLUÇÃO CÓSMICA
...
sou mulher!
Ah Ah Ah Ah Ah Ah Ah Ahsou mulher!
cuidem-se os agiotas e outros trafulhas
os políticos e maridos valentões
armados até aos dentes contra cidadãos
mulheres velhos e crianças
sou livre das amarras da história
sarei feridas humilhações
cansei do riso à socapa por me entenderem mais fraca
*
e agora?
*
sou simplesmente mulher
ou fêmea
adúltera bígama polígama lésbica
mas pura
serei o que eu quiser
o instinto de mãe e do prazer
sem luxúria nem lascívia
porque não tenho medo e reúno a coragem do mundo
erguerei bem alto
a bandeira flamejante do ser
*
acabou-se!
*
não há mais trocos nem prostitutas
nem favores
nem violência de estirpe duvidosa
nem a condescendênciazinha das quotas
nem da paridade dos sexos
nem os lugares de estimação por troca de silêncios
nem modas astutas
nem corrupções sensuais
nem trabalhos duplamente esforçados
nem cama mesa e roupa lavada
*
basta!
*
ouviram bem?
*
BASTA!
*
sou a fonte de onde brota a criação
sou a direcção dos ventos
sou o mar salgado a mina de água doce
sou o fogo que espalha fertilidade
sou a terra em movimento nos círculos etéreos da eternidade
sou a força de todo o pensamento
sou a mãe que pariu em dor suprema toda a gente
sou dócil de amor a quem me ama
sou o cheiro e o sabor que há na natureza
sou um animal no reino da animália
*
olhos nos olhos!
*
declaro iniciada a revolução
sobre as mentalidades desumanas mesquinhas
sobre as leis absurdas que escravizam
sobre a organização monoparental das sociedades
sobre todas as lideranças
sobre o medo e a violência dos poderes
sobre a manipulação dos gestos e das palavras
vamos a votos nas ruas
se o estado faliu está em bancarrota
a nação é nossa vamos a ela
***
jrg
poema incluído no livro: "A insurreição das PALAVRAS" de joão raimundo gonçalves, editado por edições Vieira da Silva.
APRENDIZ DE VIVER
*
«««//»»»
*
nada me dá mais gozo de viver
que o começar a coisa nova
a ser do aprender a vida inteira
correr a onda da ideia a crescer
sentir que algo me sorri e me aprova
quando a esperança ganha a dianteira
aprendiz de viver
sou do povo do meio
penso na vida a acontecer
sem da morte ter receio
as palavras são comuns à espécie humana
um sorriso é conversa Universal
a mímica das mãos do corpo dos olhares
são marcas indeléveis até em mente insana
que sulcam sentimentos da memória original
onde o homem se procura além dos mares
nem sou vagabundo
nem excêntrico
nem de sábio sou profundo
dá-me gozo ser autêntico
ser aprendiz convicto na humanidade
de não saber quando ocorre a mudança
nem porque gravita o planeta atracado à luz solar
ser aprendiz de menor ou de maior idade
entender de todo o outro a tempestade e a bonança
eis o homem que sou a madrugar
não sou nem mestre
nem nada que de perto se veja
mal apreendo que me entre
tantas vezes a parte de mim que me sobeja
fui à guerra aprendiz de ser soldado
numa bomba que explodiu
vi a fragilidade humana ante a morte
não matei nem fui matado
mas ganhei esta visão dum povo a quem se mentiu
tão longe à procura do seu norte
com medo de ser e me achar
descobridor do segredo
que me nos pôs neste lugar
masturbante masturbado tão cedo
dei por mim a ser da mulher o mais amante
pouco me importa que seja vento
tufão furacão tornado tempestade tropical
porquê colar a tragédia ao semblante
à alma feminina tão amena se tida em seu contento
Cátia Irene Katrina não é justo é imoral
o bastante e irresoluto
para não deixar morrer
o absurdo o absoluto
que me absorve sem eu saber
quanto de tudo o que vivi é incerteza
ainda é porque todo o passado se renova
os mesmos conceitos que me te nos projectam
na amplitude do sonho a leveza
com que sobrevoo a experiência posta à prova
e redundam em verdades que me rejeitam
ser ainda pensante
tanto de outros que sou
na procura de mim maré vazante
entre sol e lua quem me achou
e agora humanos inteligentes à deriva?
depois da droga da abastança sem medida
conquistadores sem terra ou gente conquistada
regredimos no tempo para acerto da passiva
a dar lugar aos emergentes nova esperança deprimida
que o tempo é de voltar à memória estagnada
partir de toda a memória
genuínos na onda altiva
a soletrar a nossa história
envolta na maré viva
autor: jrg
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