Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

NEOABJECCIONISMO

O abjeccionismo baseia-se na resposta de cada um à pergunta: QUE PODE FAZER UM HOMEM DESESPERADO QUANDO O AR É UM VÓMITO E NÓS SERES ABJECTOS?- Pedro Oom .-As palavras são meras formalidades... O NEOABJECCIONISMO, n

NEOABJECCIONISMO

O abjeccionismo baseia-se na resposta de cada um à pergunta: QUE PODE FAZER UM HOMEM DESESPERADO QUANDO O AR É UM VÓMITO E NÓS SERES ABJECTOS?- Pedro Oom .-As palavras são meras formalidades... O NEOABJECCIONISMO, n

31
Jan10

A LEI DOS CASAMENTOS GAY E O ORÇAMENTO DE ESTADO...

NEOABJECCIONISMO
Os doutos comentadores
 


Ainda não se aperceberam


Que entre engenheiros e doutores


Os gays se antecederam




Primeiro foi aprovado


Entre aplausos do parlamento


O direito antes privado


Dos gays ao seu casamento




O presidente bem que blasfemou


Contra esta lei dita pela igreja contra a natura


Como se fosse um qualquer deus quem aprovou


A constituição dos genes que o corpo apura




Posta a lei em brusco movimento


Logo correram editais


Para que se aprove o orçamento


São precisos dois casais




Muitos se fizeram rogados


Exigiram explicações


Em comunhão de bens ou separados


Ressalvadas as devidas proporções




Litigaram no orçamento a partilha


Entre a despesa e a receita


Quanto fica a dividir pela matilha


Não levando o povo mais desta feita




Houve ciúmes lamentações desavenças


Uns concordaram entre sessões


Outros prometeram dizer sim e não como crianças


Mas concordaram não ser tempo de obsessões




Quem observar a vida quotidiana


Não pode dizer mal da situação


Correm notas paralelas por certo nesta gincana


Os combustíveis sobem aumenta no trânsito a confusão




Nos hipers nas discotecas nos casinos


A euforia não descola seja a crédito ou a pronto salva-se o brio


Não se pode contemplar no orçamento tais desatinos


Em nome do emprego e do orçamental equilíbrio




Sobem livres de taxas os lucros financeiros


Mais-valias criadas por cérebros de engenharia


A corrupção genética ganha companheiros


Ganham num dia o que o povo inteiro não ganharia




 
Já não importa fabricar novos produtos


O importante é a venda fictícia de ilusões


É mais fácil criar ideias fúteis que atributos


Não deixam desperdícios e nas crises geram fusões

 

 
O problema dizem é todo da educação

 
com a iletracia geral do entendimento

 
os sindicatos de professores confundem a Nação

 
o problema não é o estudo a competência é o orçamento




Em última instância inventam-se pandemias


Obrigam-se os povos a contribuírem


Afluem fluxos do tesouro sobem as arritmias


Os povos desesperam sem amor para se unirem




A justiça é uma panaceia viciada


Salvaguardada na superior teia legislativa


É concebida à medida dos crimes de cara lavada


E arbitra livremente a contento toda a comitiva




Há vozes discordantes sobre o modelo da economia


Uns querem que o estado apenas trace as linhas


Que entregue os bens supremos salve da crise a ignomínia


Outros que assuma do poder nossas vidinhas




Ouvido apenas quando se trata de eleger


O comum do povo discute nos bares o futebol


Desenrasca-se como pode da avalanche do poder


Entretém-se a discutir pequenas manchas de lençol




 
Em toda esta circense palhaçada


Só um palhaço será tristemente rico no momento


O jardim colorido da Ilha da Madeira


Ao descobrir no pote e no penico o tesouro do orçamento






Autor: JRG
04
Out09

CAIU A ULTIMA MÁSCARA AO PRESIDENTE DA MADEIRA...

NEOABJECCIONISMO

Caiu a máscara que restava ao senhor da Madeira. E não se pense que tal se deve a uma consistente afirmação por outros valores, mais soltos na defesa dos interesses reais da região, como seja a difusão da cultura, a progressão do ensino, a evidência como povo que pensa e decide pela sua própria cabeça, não! Como disse um sábio estratega politico do século XX, Mao Tsé Tung, "uma faúlha pode incendiar a pradaria", assim, um movimento de opinião, intimamente minoritário, entre a população regional, usando uma estratégia de gota a gota, de incómodo persistente pela sombra, o gesto mudo, a fixação na realidade oculta, fez extravasar o pouco de decoro face à violência efectiva que vinha caracterizando o discurso e a postura do senhor presidente da Madeira.

Ninguém é insensível ao riso que provoca um balão, um dirigível, sobre as cabeças concentradas na figura e no discurso do senhor presidente da Madeira.

Ninguém é insensível à presença dum carro funerário, ao redor dos fiéis que de uma qualquer forma, não sei qual, que magia, que feitiço, se juntam para prestar vassalagem ao senhor presidente da Madeira.

Ninguém é insensível ao movimento de pessoas com objectivas na mão, que lhe fixam a imagem, o ódio a transparecer nas bochechas coradas, vá lá saber-se de quê, o sangue da ira?!...O medo da descoberta, da nudez dos princípios, da falácia das palavras ante a evidência de uma realidade cada vez mais loquaz.

E é então que, imponente na sua arrogância de mandador sem lei, ferido na sua impotência ante a minoria silenciosa que ousa afrontá-lo no seu próprio reino, o senhor presidente da Madeira, inchado como um sapo prestes a explodir, incita a populaça, já que as policias não podem fazer nada, porque são a lei do Continente, já que Deus o abandonou nesta Santa Cruzada pelo bem estar do bom povo da Madeira, é hora de o povo agir, de fazer justiça pelas próprias mãos!...

E o inevitável aconteceu, ou ia acontecendo, mas fica a previsão de que pode acontecer numa ocasião mais favorável...

Perante os incidentes que vieram nas noticias destes últimos dias, na região autónoma da Madeira e protagonizadas pelo seu Presidente, seria de esperar uma atitude do Senhor Presidente da República, repudiando as atitudes de incitamento à violência das populações, é anticonstitucional, na linha das suas preocupações com a segurança das instituições, mas o senhor presidente da República, "aos costumes disse nada" e segue a novela até que seja o tempo de deitar contas à vida.

Saúdo a coragem, a ousadia, o humor saudável, o atrevimento de afrontar a asfixia da Madeira, do Movimento da Nova Democracia, cujos princípios ideológicos não defendo, mas que considero um marco importante no despertar do povo da Madeira para a vergonha que é ser conotado com tal espécie de pessoas na orientação dos seus destinos.

autor: JRG

26
Jun09

DIA INTERNACIONAL DO COMBATE ÀS DROGAS-Blogagem Colectiva ( II )

NEOABJECCIONISMO

neo - j.r.g  a minha participação ( II )   

 

 in

 CD - Lado B  blogagem colectiva

 

 

 

A TRAGÉDIA DA MODERNIDADE-A DROGA

 

Era de noite e vieste, silenciosa como um felino, de manso caminhar por entre escombros, ruínas, da velha cidade adormecida. Tu e eu, num recanto da rua mal iluminada.

Os teus olhos ainda grandes, mal me olham, assustados. A pele do rosto descuidada e manchada pelo cisco das poeiras adejando por sobre o teu corpo, em volta da alma. Magra, diria escanzelada, enferma de carinhos e de ambição.

O sistema traiu-te e tu trais o sistema. Pagar  na mesma moeda.   Dente por dente. Sem olhar atrás nem para a frente nebulosa do caminho. Para ti, chegaste ao termo da etapa que para outros ainda é princípio.

Amparas-te no meu braço enquanto caminhamos lado a lado como dois amantes estranhos que tivessem combinado encontrar-se a esta hora, no momento estremo em que deambulavas na ânsia de encontrar algo, alguém que te bastasse o consumo da tragédia que já és, um pouco de pó, a volúpia da seringa penetrando-te as veias enormes onde ainda subsistem e o teu corpo treme ante a iminência de o conseguires.

Congregas o absoluto da tragédia. É isso que eu penso nesta loucura de ter correspondido ao teu apelo, aos teus olhos que me fitaram de uma forma absolutamente irrecusável.

Deixo-te sentada no carro e volto à porta do bar. Não ao Bar. Apenas a porta, onde um tipo de assobio saltitante,  a barba indigente, puxa fumaças agressivas de uma espécie de cigarro.

Compro três tomas do produto que me indicaste e regresso ao carro em passos decididos. Tenho pressa.

Estás inclinada para a frente e uma humidade indecisa a bailar-te, escorrendo dos lábios entreabertos. Cai sobre o banco.  Tremes alucinações. Balbucias palavras inteligíveis.

Arranco com o carro, tenho pressa, enquanto preparas o produto e o injectas numa das veias disponíveis, sob o meu olhar de soslaio.  Imagens correm desabridas. Bem sei que estou só, que posso decidir de mim, de todos os meus actos, mas imbuído de uma força transcendente que me conduz, uma força ancestral, talvez das origens do homem, talvez não tenhamos sido sempre predadores de nós mesmos.

Chegamos, a casa não tem adornos nem vistas. É soturna, com livros e papeis espalhados sem critério. Ainda se o tivesse, se escolhesse o sítio onde o livro tal num determinado lugar do chão, ou o papel em relevo, atirado num momento de raiva ou de simples abstracção, ou a sensação de ter poder.

Olho para ti, o teu corpo ainda de criança, mal cresceste, rodeado de feridas provocadas em improvisos da tragédia.

Agarro-me a esta palavra: TRAGÉDIA, ao seu significado linguístico quando incluída num contexto, a esmiuçá-la quanto à significação da palavra em si e o que representa para ti e para mim, necessariamente emoções contrárias e não porque sejas mulher e eu homem, mas por força de outras eminências do ser e do não ser neste momento.

Olhas para mim enquanto despes, peça a peça, com falsa volúpia nos meneios do corpo, tentando induzir-me em eróticos fluidos inexistentes.  Os olhos mortiços, apagados, sem brilho, sem luz, mas olhos e com um certo tipo de visão, evasiva, turva, de onde vislumbro uma ténue claridade de vida

Atiras-me a cueca mal cheirosa. Mijo e esperma de momentos antigos. Há quanto tempo a tua sujidade?

No quarto de banho a água morna sobre o teu corpo. Deixas que as minhas mãos o percorram em movimentos lentos com a esponja embebida em gel e a espuma abundante a cobrir a pele, as chagas ainda não completamente abertas. Os meus dedos penetram o canal anal em movimentos suaves retirando a merda acumulada. Há quantos dias, meses, anos. Desde quando. Dilatado o teu cu por enrabadelas consentidas em sôfregas investidas de gente tão sem ser como tu. O teu sexo original. Que te fizeram?   Queimada com cigarro? elástica pelo uso sem nexo e a violência da irracionalidade.

 Os teus pés tão delicados, gretados e as pernas que foram belas e agora encanecidas de veias duras, chagadas. As mamas estão como dois balões que se foram esvaziando. Espremidas, a carne, as glândulas, a seiva.

Seco o teu corpo com a toalha grande de todos os banhos e estendo-te a camisa de dormir da última mulher que amei. Escovo o teu cabelo. Abraço-te para te sentir. Para que me sintas. O teu corpo está frio e é um misto de rijo e mole.

-Estou limpa, vá. podes-me foder . Soltas gargalhadas, as mãos em desequilíbrio volteando sem nexo.

Olho para ti de novo. estás limpa por fora. Quase linda. Se tu quisesses! Se tu quiseres!

Preparo uma refeição para nós dois. Bifes grelhados e batatas fritas. _Faço sumo de laranja ou queres leite, pergunto.

Sentados em frente, os meus olhos nos teus olhos até que me fixas e te deixas fixar. _Prefiro o sumo.

Falas-me do desacerto da família. As carências de amor e de ódio. Apenas indiferença que dói, manipula a pessoa e a degrada. As noitadas sem registo, o desinteresse de tudo. A venda dos sentidos por momentos alucinantes de loucura e as ressacas são uma outra espécie de prazeres ocultos que nos inibem de nós e nos transportam para o outro lado do ser, o não ser. Onde já ninguém se importa de nós, até que um dia, Bah. Apaga-se.

Perdeste os modos de comer. Tens fome e fastio. Sem pressa e enquanto experimento sondar o que resta do teu eu, da essência que resta, que a droga não extinguiu.

-Gostava que ficasses aqui.

-O quê? Viver contigo?

-Não. Ficares aqui, simplesmente e deixares que te reaprenda e que tu própria reaprendas a pessoa que há em ti. Que tu és.

Choras. As lágrimas escorrem desalinhadas pelo teu rosto que vem ganhando alguma cor, após a comida quente.

Abraço-te e levo-te para a cama. Vejo que ficas na expectativa do que vou fazer a seguir e ensaias as posições aprendidas na tragédia.

-Fazemos um tratado.

-O que é isso?

-Um acordo de princípios. Vou colocar as duas doses que restam ali, ante ti. Para que os teus olhos as vejam quando acordares. Em cima da mesa das fotos de família. E tu vais resistir-lhes. Que dizes?

Viras-me o cu. E momentos depois, emocionada, a voz embargada numa aura de esperança, envolta em amor, como por magia, sem palavras, o sentido diáfano do conceito de amor, amar o quê? A quem?

-Porque esperas? Acaba com isto de vez. Faço tudo o que quiseres, Na cona, no cu, na boca. E deixa-me seguir o caminho. Podes ficar com a merda da droga. está pago.

Ela disse as palavras sem me olhar. a cabeça enterrada na almofada, a aspirar os aromas lavados há tanto esquecidos.

Levanto-a docemente da cama. Ele, o corpo dela a exalar os cheiros que cativam encantos. Resquícios entranhados na pele.

-Esquece tudo. Apaga. Agora és uma outra pessoa, sem passado, ou de passado ausente, e de presente suspenso. Não há igualmente futuro, apenas este presente suspenso. Chamo por ti, longe e quero que assines um compromisso, que te assumas em responsabilidade, que te chames de onde estás e voltes.

Um silêncio exasperante cortado por um ataque de tosse súbito. Ia cuspir no chão. Olhou-me com doçura, a mão estendida por um lenço.

-Estou aqui para te amar num pleno de intenções e conceitos da palavra. Não quero ter nada contigo do que dizes. Não quero foder.  Quero-te num todo onde tu também és querer. O que eu quero agora é amar-te por todos os que não te amaram. Amar-te sobretudo a alma de cujo destino o corpo é alheio.

As palavras a ecoarem no vácuo do cérebro. Sentia-se bem, a dose acalmara os tremores, as ânsias, a refeição era a primeira completa e bem confeccionada desde que se lembrava, ou mais precisamente, como se fosse a primeira desde sempre. Sentia aquele homem diferente, tratando-a como uma princesa e propunha-lhe um pacto, um compasso de espera entre a razão e a irracionalidade. Sabia que não seria capaz. Logo que doesse rasgaria o pacto. Que se fodesse, mas arriscou.

-Ufa! Queimas-me. Onde é que eu assino.

 

 A RESSACA

 

Sou um quadro superior, considerado importante. Pode dizer-se, um alto quadro de empresa farmacêutica, com direito a assessores  e outras mordomias instituídas.

Telefono a antecipar um período de férias por quinze dias

O dia amanhecera fresco, com o sol de uma cor amarelada a despontar por sobre a falésia, enquanto em frente o   mar de infinito, a cor verde adensada, espelhada numa larga extensão até que a linha de horizonte, como um traço fino de lápis afiado, se esbatia abruptamente no alcance da visão.

Dormitei na cadeira em frente da cama onde o corpo dela meio despido se espraiava em movimentos lentos, quase doces, por vezes convulsivos. E acordava, eu,  em cada instante, sobressaltado, olhando de imediato o volume pequeno mas visível dos 2 panfletos de droga em cima do pequeno móvel das fotografias.

Será que vou ser capaz? Interrogo-me no silêncio do quarto amplo e meio na sombra dos cortinados corridos que escondiam a luz, prolongando a ideia de noite.

O corpo da mulher jovem e talvez bela um dia, ainda, que já fora. Parecia-me mais cheio. Que a carne ressequida voltava a ocupar, muito lentamente, os espaços escavados pela fome de anos. Um corpo de mulher na minha cama de desimpedido, livre de grilhetas legais.

Eu e ela como um só, o pensamento a vogar num sentido, enquanto o dela imerso em sonhos de afogada salva no último instante, parecia permanecer inacessível a qualquer apelo da razão

Pensava na essência do amor, O sentido presente da significação da palavra enquanto entidade que proporcionava uma oportunidade de redenção. A cama, onde vivi noites fatídicas de orgasmos múltiplos com mulheres carenciadas de afectos, perfumadas de aromas exóticos e que ao acordar pela manhã se mostravam na verdade puras de odores incompatíveis com a minha genética do cheiro.

Não havia perfumes adulterados naquele corpo de mulher e no entanto, o ar do quarto estava purificado pela maresia que entrava na fresta da janela e nos inundava num amplexo terno e sedutor.

Levantou a perna, ela,  num gesto descuidado descobrindo a púbis luzidia, os pelos emaranhados mas soltos, leves, seco de pruridos ou corrimentos o sexo de crostas ainda agarradas no clítoris engelhado, como sem vida.  

Levanto-me aturdido pela imagem dum ontem que procurava esquecer, partir de uma nova situação e com um sorriso ainda tímido nos lábios carnudos, fui preparar o pequeno-almoço.

Estava acordada, quando voltei de tabuleiro recheado, e o melhor dos sorrisos, a dizer a palavra bom dia.

Recomposta, esclarecida  da nova situação, mastigando cada pedaço, rebuscando na memória escaldante, justificações quase pueris.

Os pais separados. A preocupação com a carreira de cada um. O irmão que era a glória da família. Namoricos desinteressantes de adolescente fugidia. Uma mudança de escola intempestiva. Amigas igualmente descontinuadas, como ela, um pai austero que surpreendera a ser repreendido por um senhor que fora lá a casa, que se recusara a esclarecer o que se passava, porque tinham de mudar de casa. A mãe indefesa, descrente, preocupada em ter elogios no emprego que era o tema de todas as conversas e da falta de tempo para ir à festa da escola, à reunião de pais, sequer a ouvir as suas dúvidas, as inquietações crescentes que a incomodavam.

-Seria melhor avisá-los que estás bem?

-Não. Puseram-me fora, acreditaram nas palavras de psicólogos imbecis. Que eu havia de me cansar da rua. Quando o que eu precisava era que me amassem sem reservas. Que atendessem ao eclodir de mim como pessoa. Que se confiassem em mim.

Parou. Os olhos febris e suores pelo rosto. Os olhos castanhos, chocolate, a olhar os panfletos em cima da mesa dos retratos. O corpo a contorce-se em espasmos incontroláveis.

-O que foi? Coloquei todo o  mel possível na voz, quase ciciando as palavras.

Os olhos dela nos panfletos, a levantar-se, encolhida, agarrada a si própria, os braços magros em volta do corpo, a chegar à mesa, a poisar a mão no objecto de toda a fixação, o sonho, a libertação afrodisíaca. Um gesto brusco e o ar desvairado na procura, de quê, ainda.

Os meus olhos em ela, como que guiando o sentido da vontade.

-Não! O tratado! O Pacto! Ou lá o que foi que assinei. Quase um grito alucinado, a fugir do nada que não sendo é quase tudo.

Voltou, deixando os panfletos no local exacto onde estavam. Não já para a cama, mas deixando-se escorregar em tremuras, num canto do quarto, o mais escuro dos quatro, continuamente agarrada a olhar aquele homem que eu sou que não a quisera ter como tantos outros e a perguntar-se porquê. Que fazia ela ali, a sofrer dores insuportáveis. Se bastava uma simples dose do produto. E outra. E outra até à finitude de toda a matéria que ainda era.

Foram oito dias das férias. Fechados os dois, no quarto amplo de cortinas corridas. O comer encomendado pela Net. a langerie umas roupas bonitas para que se gostasse, os sapatos. Todos os dias um banho, as minhas mãos sobre o seu corpo a ganhar forma.

Três dias a implorar, ela, em delírios lancinantes.   Por mais de uma vez segurara os panfletos entre as mãos trémulas e por entre soluços os largara.

Ao oitavo dia, eu tinha adormecido, por um momento. Acordei ao bater de palmas repetidas. O primeiro olhar foi para a mesa dos retratos. O coração em estrondos de batuques frenéticos. Desapareceram. Os panfletos de droga não estavam lá.

 Olhei em volta e na expressão de espanto dos seus olhos, a imagem raiada de luz, em catadupas de luz, como um sol dos princípios do mundo, intenso, espalhando sonoridades na luz. como se um coro de meninos entoasse uma canção de amor.

O vestido vermelho cingido no corpo renovado de carne. Os olhos com uma expressão tão viva de felicidade. Sobretudo os olhos. Castanhos chocolate.

O vermelho sangue do vestido. O cabelo brilhante caído a raiar os ombros a descoberto pela cava do vestido.

Olhou a mesa. os panfletos que haviam desaparecido. E o riso dela, cristalino, aberto, confiante a levantar a moldura de criança em cima da mesa, deixando ver os pacotinhos. o papel branco sujo.

Levantou-se, os olhos toldados e abraçou aquele corpo bem cheiroso de aromas únicos, naturais, as mãos dele nas faces da menina bonita que ela se transformara, macias agora,   os braços, os seios a voltarem a uma normalidade estranha ao corpo de antes.

Abraçou o corpo em êxtase.

-Minha menina! Minha menina! Como tu estás linda e vistosa. Bela na tua totalidade.

Como eu amo o que tu és agora. Um amor diferente de todas as espécies de amor. Um amor da ideia que consubstancias na forma do teu ser absoluto. Um amor da ideia de amor que é este sentir o outro a mexer dentro de nós, como sendo uma parte visceral chipada num lugar inacessível, porque é alma. Vou amar-te sem limites e mimar-te até ao fim de todos os fins

E a caminhada ainda é tão longa.

 

 

 

 

 

 

 autor:  neo -  jrg

 

26
Jun09

DIA INTERNACIONAL DO COMBATE ÀS DROGAS-Blogagem Colectiva ( I )

NEOABJECCIONISMO

 a minha participação: neo- jrg   ( I )     

 

 

 

 

 

 in

 CD - Lado B  blogagem colectiva

 

Que bom ver-te, meu menino! E como estás bonito!

Há quanto tempo não te via, os olhos brilhantes e o rosto cheio de carne sadia. O falar fluente, a alegria, o abraço forte, o beijo.
Fico a olhar os teus gestos decididos a desfazer a mala. A arrumar tudo meticulosamente.
Há vinte anos que te não via e só guardava a tua imagem de menino. Lindo, de olhos grandes, castanho-escuro, os caracóis em revolta na cabeça de sonhos. E o sorriso. O brilho do teu olhar sobre o sonho.
Voltaste a sorrir, como quando jogávamos à bola na mata em frente, tão perto do mar, e te fazia perder para ouvir os teus protestos, porque só querias ganhar. Ganhar sempre, ser o primeiro e pergunto-me porquê? porque de deixei ir?, porque te deixaste ir?, que forças te arrastaram na enxurrada da indignidade?
Que bom ver-te meu amor. Sentir que não te levaram de todo. Que ainda resistes e estás mais determinado do que nunca em vencer.
Bem podias  ter vindo mais cedo. A minha mão esteve sempre estendida do lado de fora do mundo em que caíste.   Em frente de ti. E sempre que te via, acenava-te. Gritava o teu nome. Filhoooo !!!...no silêncio que me doía, na angústia da tua ausência, tu, ali tão perto e longe, longe...
As novidades? Estamos bem, como vês. Chegou uma menina encantadora que cresce plena de felicidade. A neta, tua sobrinha. O pai está desempregado A mãe, continua batalhadora. Estamos bem, como vês. Endividados, nas mãos de agiotas legalizados,  mas havemos de chegar a porto seguro, estamos bem, como vês, porque tu és vivo e estás de novo do lado em que estamos.
Que bom ver-te com a esperança embandeirada. O hino de confiança. A paz que regressou ao teu coração desfeito em rotura com o mundo. O fulgor rutilante dos teus olhos, de novo.
Que bom ver-te, fruto de um grande amor , quando já desesperava de te ver.
Bem-vindo a casa e fica, se vieste para ficar. 
 
( palavras de pai para filho acabado de chegar da comunidade terapêutica, para se fazer à vida) neo-jrg
 
A matemática, esse quebra-cabeças dos Portugueses em geral, não é uma ciência mítica só ao alcance de alguns iluminados, mas porque é manipulada  ao sabor de interesses que ainda persistem e consideram que  "em terra de cegos quem tem olho é rei", continuamos a navegar em teorias de combate ao insucesso , condenadas a manter os níveis aceitáveis de cegueira colectiva.
Actualmente a proliferação do consumo de drogas por amplas camadas de juventude de todo o mundo, tornou-se num flagelo que nenhum governo tem conseguido estancar.
Desde sempre houve consumo de drogas, que não eram proibidas, nem atingiam os preços a que são vendidas nas ruas, nem geravam fabulosos lucros. Em consequência, quem sofria de stress por drogas comprava-as onde era possível ou optava pelo vinho. Era uma minoria, contestatária, talvez, das regras de convivência que se iam alterando. Sinais de rebeldia que prenunciavam mudanças radicais.
Eu penso que a partir da eclosão do Maio de 68, se espalha a ideia reivindicativa de que vale tudo. É proibido proibir tudo. Amor livre. Abaixo os poderes instituídos . A inalação de drogas pelo fumo avança em todas as direcções. As democracias tentam resistir, mas rapidamente os senhores da finança vêm ali um filão inesgotável, e são eles que financiam o estado e que o controlam. É para eles que as leis são manipuláveis, no esgrimir de interpretações por magistrados e advogados que as leis permitem. O legislador pondera os riscos da descapitalização e no meio dos artigos que condenam, há sempre uma alínea que descriminaliza. Não há crimes de colarinho branco nem lavagens criminosas de dinheiro derivado de produtos considerados ilícitos, porque o dinheiro é muito e compra tudo o que se apresente como obstáculo, é uma teia sem aranhas. O povo diz:"quem cabritos tem e cabras não cria de algum lado lhe vem..."
Aqui, em Portugal ,o consumo de drogas disparou com o advento da Democracia, não por culpa da Democracia, antes por uma coincidência de tempo, porque estamos sempre atrasados na ventura e na desgraça.
O consumo e o tráfico são proibidos e condenados com pena de prisão.
Milhares de famílias são assoladas por esta praga, Adolescentes instigados ao consumo sobre os mais variados pretextos de afirmação pessoal, de desinibição. de ser mais forte. Jovens, meninas, lindas que foram, agora enrugadas, prostituídas, devassadas.
Os pequenos cartéis de tráfico organizam-se. No interior das prisões superlotadas continuam a traficar e a consumir. Nas ruas os chamados pequenos delitos. A saga da moedinha para o arrumador que surge, do nada quando já tínhamos quase arrumado o carro.
Roubam os pais, a família, os amigos. Vendem tudo o que tem comprador e há quem compre É um negócio de lucros fabulosos, onde se vende tudo até a dignidade.
O estado, nós todos, financiamos as medidas ditas profiláticas que o governo implementa, de apoio financeiro às comunidades terapêuticas de reinserção, aos tratamentos em ambulatório, com resultados deficitários de recuperação efectiva e duradoira, nascem novas clínicas especializadas , criadas por psiquiatras e outros técnicos terapeutas, algumas possivelmente financiadas por dinheiro proveniente da venda de drogas e destinadas a uma camada da população financeiramente desafogada.
As polícias investem na formação especializada no combate ao tráfico. Os criminosos detidos em resultado das investigações são postos em liberdade. Presos são os consumidores, por consumirem e por roubarem. A droga e dinheiro apreendido nas operações, desaparece em circunstâncias misteriosas.
Os verdadeiros agiotas do tráfico continuam impunes. Participam, até, na discussão. Influenciam politicas. Corrompem influências. E seguem na matança intelectual e física do que melhor tem um povo, uma nação.
Surgiu o HIV, as hepatites B e C proliferam.
As famílias a lutar contra a insolvência absoluta. Sem ajudas oficiais, dependentes da força que os catapulta para a frente, da ajuda de uns poucos amigos e familiares que a dinâmica vai gastando,  a ganharem tempo. 
Condenadas, até, por não terem sido capazes de evitar a desgraça.
Alguns países adoptam medidas para liberalizar o consumo de drogas, que passa a ser disponível em farmácias e locais apropriados criados para o efeito.  As noticias sobre a eficácia: se aumentou-reduziu-estagnou, não são distribuídas na mesma dimensão.
Por cá, e não só, os arautos tentam explicar-nos em equações algébricas e outras engenharias matemáticas, que a liberalização não é possível. Iria criar mais dependências, facilitar a transacção entre estados!?...aumentar o consumo, etc.
E nós a percebermos que dois e dois são quatro em qualquer circunstância e que somados sucessivamente, chegamos aos milhões da ganância, que matam e morrem pela ganância de viverem na abastança erguida sobre o sofrimento, a dor e a desdita de quem vê um adolescente primoroso ser arrastado impunemente nas águas sórdidas da mentira.
Toda a gente com bom senso sabe que a solução é só uma: liberalização. Tratamento eficaz com disponibilização de todos os meios, clínicos, ambulatórios, psiquiátricos, de entreajuda e acompanhamento de proximidade. Informação desde os primeiros anos de escola, a consciencialização de professores e auxiliares de educação. Todos, de uma forma organizada, que UTOPIA, nem o facto de alguns dos filhos dos poderosos da droga serem atingidos pelo problema os desarma, em todas as frentes.
Tanto os que são contra como os que são a favor, os que só tem a perder com os negócios das drogas, sabem que a liberalização, a venda livre dos produtos em farmácia, acabaria com o tráfico. A determinação dos estados, onde a droga é produzida, para reconverter as culturas, é outra Utopia, sabendo como há estados totalmente dependentes do comércio de drogas.
O problema está no que está em jogo: dinheiro, poder, ganância. A vida e a morte. O filão é imenso e corre a favor  das máfias que controlam e dinamizam o comérico de todas as drogas. Há uma crise mundial de valores. O Planeta debilitado pela poluição e pelas atrocidades cometidas ao longo dos dois últimos séculos. A falência dos sistemas financeiros. O desemprego generalizado e a falta de alternativas.
É só imaginarem a quantidade de gente que beneficia com a proibição e crime sobre o consumo. A corrupção das consciências, a coacção sobre as vitimas e as famílias.  O tráfico de influências.
Os argumentos dos que são contra a liberalização do comércio das drogas: Paraíso para os traficantes. Mentira, tudo palavras de conveniência
E quanto aos traficados? Crianças, jovens, famílias!.. engajadas neste esgrimir de posições, tratados em subserviência, com listas de espera nos espaços de reinserção, sem um programa consequente que os insira no mercado de trabalho, deixados à sua sorte num mercado à míngua. Estigmatizados. Frágil é a esperança que alimenta a auto-estima em reconstrução.
Consciencializar, difundir  pelo mundo a palavra de ordem de não às drogas, ser cada um um transmissor de esperança, não aproveitando-se, por exemplo, duma menina que se oferece para a prática de fantasias sexuais para satisfazer à ressaca, mas estender a mão à esperança com esperança.
 
 autor: neo - jrg
01
Mai08

AS PALAVRAS ANDAM TODAS LIGADAS

NEOABJECCIONISMO

As PALAVRAS alinhadas no absurdo da memória são em si mesmas, apenas palavras, caracteres com significados e intenções e leituras subjectivas. Têm força e vida própria mas precisam de emissor e receptor para se afirmarem como fundamentais.

A PALAVRA mãe. Mulheres que exultam de alegria, que se doam inteiras, que abdicam dum todo que as fazia ser mulher. Que se desencontram abjectivamente do ser e do estar, dos objectivos que um dia se colocaram. E se dedicam inteiras aos filhos, aos filhos dos filhos.

A PALAVRA  amor. Amor de amigo, amor de sexo, amor de mim, amor da vida. E ninguém sabe o que é. Como se define, caracteriza. Porque sendo um estado ambivalente do ser, que congrega em si as frustrações e a consistência da consumação, a ira e a ternura, a felicidade e o desdém, o mito e a realidade , a banalidade e o ênfase .

A PALAVRA dinheiro. Em nome do qual se chacinam pais, amigos, filhos e se renega o amor. Direi que é a palavra mais cínica do alfabeto conhecido. Incita a ódios e a vinganças. Ninguém escapa à estrábica visão do dinheiro. A traição, o crime, a abjecção de tudo o que mexe e implique dinheiro. Até os padres de todas as religiões.

A PALAVRA religião. Antes da invenção das palavras, os seres hominídeos já fornicavam entre si para a proliferação da espécie. Não tinham deuses nem santidades instituídas . Mas tinham medos. Simplesmente medos. As religiões vieram suprir essa carência de remédios contra o medo. A exemplo do combate ao fogo pelo fogo, elas vieram trazer a expurgação do medo com novos e mais exaltantes medos: Deus e o Diabo e numa ordem decrescente, os pais, os amos e senhores, que da terra se foram apoderando para garantirem a protecção dos mais fracos.

A PALAVRA sexo. Quantas desgraças, angústias, morticínios e vilanias. Juras desfeitas ao sair a porta da casa comum. O sexo da gaja do vizinho é melhor do que o da minha. O gajo do lado tem uma picha mais comprida e olha-me com olhos gulosos, é porque sou boa.

Enlamear-se em sexo. Chafurdar. Inventariar posições e desvarios conseguidos. Mentir e seguir para outra. Dizer amo-te quando já não há nada para amar. Só o sexo adivinhado nos lábios trémulos de prazer. Na ilusão de imagens trabalhadas para atrair.

A PALAVRA sonho. Estudada ao pormenor por especialistas da ilusão. A tentativa de nos fazer crer na bondade de uns e maldade de outros. Como se a palavra, desprendida de si própria, subsistisse. Fosse. E se tornasse numa realidade que objectivamos com o frenesim próprio dos incrédulos. Sonhamos no sono e dentro do sonho acontecem sonhos. Sonhamos acordados. Não é cisma. É sonho.

A PALAVRA democracia. Todos os regimes vivem em democracia, mesmo os totalitários.

Chamamos democracia a um estado onde as pessoas são todas inscritas como rebanho, com variantes de cor e tamanho. Ciclicamente chamam-nas a votos. Digladiam-se os grupos em promessas e programas de circunstância. Atraem com sedutoras miragens de bem estar. Cada vez são menos os que votam, Desenganados. E vamo-nos aproximando das democracias totalitárias. Só um grupo activamente interessado e conivente vai aos votos e elege os confrades que melhor lhes retribuirão a paga.

 

30
Abr08

ZÉ DO PAPO - E OS AUMENTOS

NEOABJECCIONISMO

Sou vagabundo e estou-me cagando para o preço dos combustíveis . Tanto se me dá que subam três ou vinte cêntimos.

O governo também, apesar da fingida preocupação. Porque isto de automóveis para todos foi chão que já deu uvas. Vão-se foder . O governo já subsidia os transportes públicos.

 Quem não tem dinheiro que ande a pé, como eu. Nem percebo o porquê de tamanho alarido, hoje, logo pela manhã, nas rádios dos automóveis que passam. Três cêntimos de aumento é uma ninharia. Em dez litros não dá para um copo de vinho.

Quando eu tinha carro e estava incorporado na sociedade das boas práticas, se havia um aumento de combustíveis , formavam-se bichas, eu disse bichas? Pois, agora diz-se filas, para não ofender. Mas se bichas é o feminino de bichos e nós somos bichos, qual é o problema?

Agora, as pessoas nem dão pelos aumentos. É preciso ser amplamente divulgado, chamadas de atenção nas primeiras páginas. Entrevistas.

-Não. não dei por nada.

Pagam e não bufam. Nunca houve tanto dinheiro em circulação por tantas mãos. Bichas nas pontes. Bichas nas cidades maiores. Férias no estrangeiro e nem conhecem bem o bairro onde vivem.

Estamos a chegar ao fim duma etapa, mas eles não querem acreditar, continuam a foder -se uns aos outros. Isto da sociedade da abundância já não estica mais. Começa a não haver onde arrumar tanto desperdício , lixo, escória.

Os gajos tramam as gajas, as gajas tramam os gajos e chafurdam todos na mesma merda de sobes tu subo eu e que se fodam os sentimentos.

Por mim os preços podem subir todos até lhes tirar a tesão das grandezas. Só me preocupa o aumento de vagabundos. Aqui está uma inflação que me preocupa.

É endividarem-se. Os agiotas autorizados nunca ganharam tanto dinheiro e têm o apoio das instituições públicas.

Quando eu era parte, os agiotas levavam, por lei, um juro de oito por cento ao ano. Hoje, a agiotagem leva trinta por cento ao mês. Tudo facilidades. No fim é que é o caralho , na hora de pagar as várias facturas. E há gajas que têm que vender a cona para continuar a ter as mordomias e gajos que se deixam enrabar . Cada vez mais difícil , porque com tanta cona , no mercado da oferta e da procura, e pelos mais diversos motivos que vão da simples tesão ao endividamento insustentável, até as putas têm que variar a qualidade do serviço se querem sobreviver.

 

29
Abr08

IMAGEM DO DIA

NEOABJECCIONISMO

Alberto João Jardim, afogueado, vermelho o rosto balofo, estremecendo como gelatina de morango, a anunciar solenemente a uma selecção de jornalistas, que até dia  X dirá se vai ser candidato a presidente do PSD.

Os vagabundos do povo, aterrados, esperam que seja mais um bluf. Que não vai acontecer, e não acontecendo, não há hipótese de ganhar, e não ganhando, as cidades, as vilas e aldeias ficarão imunes à sua megalomania faustosa de transformar tudo em riqueza de e para grupo.

Até os vagabundos.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
Estou no blog.com.pt - comunidade de bloggers em língua portuguesa útil - home - pesquisa avançada - últimos posts - tops / estatísticas direito de resposta - área de utilizador - logout informação - ajuda / faqs - sobre o blog.com.pt - contacto - o nosso blog - blog.com.pt no Twitter - termos e condições - publicidade parceiros e patrocinadores