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NEOABJECCIONISMO

O abjeccionismo baseia-se na resposta de cada um à pergunta: QUE PODE FAZER UM HOMEM DESESPERADO QUANDO O AR É UM VÓMITO E NÓS SERES ABJECTOS?- Pedro Oom .-As palavras são meras formalidades... O NEOABJECCIONISMO, n

NEOABJECCIONISMO

O abjeccionismo baseia-se na resposta de cada um à pergunta: QUE PODE FAZER UM HOMEM DESESPERADO QUANDO O AR É UM VÓMITO E NÓS SERES ABJECTOS?- Pedro Oom .-As palavras são meras formalidades... O NEOABJECCIONISMO, n

18
Dez11

MENSAGEM DE NATAL...

NEOABJECCIONISMO

foto: Photobucket

*

MENSAGEM DE NATAL !...

*

natal era

a refeição de carne

os doces os presentes

a magia

de haver um deus igual a mim

*

natal era

rapar os tachos de iguarias

estrear roupa e

bota nova o banho

colher sorrisos de fraternidade

*

natal era

sonhar em cada sobressalto

da madrugada

espreitar o sapatinho à chaminé

a ver se o sonho me acordava

*

natal era 

a matança galinácea

a família a tribo à braseira

as conversas solidárias

à luz dos candeeiros a petróleo

*

natal era

já então a hipocrisia do amor

o beijo comprometido

os brindes a troca dos interesses

dum povo orgulhoso de si só

***

natal passou a ser

um dia virginal de vasto amor

dois dias de descanso

o negócio dos afectos com deus a morrer

vitima do conhecimento

*

o natal passou a ser

a tradição saudosa dos avós

o alimentar de ilusões

nas crianças bajuladas de atenção

famintas de afectos

*

o natal passou a ser

as férias a festa orgásmica fugaz

o ser natal pelas crianças

a exibição de mais ter que parecer

a sentir os outros por rivais

*

o natal passou a ser

o dia de partilhar a solidão

de olhar o outro sem ver nele o estranho

mas atento ao ser demais

de perder na festa o valimento

*

natal passou a ser

dia de boa disposição obrigatória

oferecem flores livros aromas

sobem os juros e mais valias agiotas

dum povo global de euforia

***

natal hoje é

o volte face com deus fora de cena

se não fossem as crianças

intoxicadas pelo fluxo da propaganda

a mesa menos farta de alegria

*

natal hoje é

na ostentação o brilho da tristeza

o medo a perda da ilusão

a exaltar o ânimo do homem como meio

vencido pela técnica e a usura

*

natal hoje é

um compasso de espera na esperança

a dar um tempo à revolta

de toda a fera quando aprisionada

que até a natureza espanta

*

natal hoje é

dia mítico de memória recente

que já não vale a pena de todo engalanar

carente de humanidade

dia festivo dos abutres da rapina

*

natal hoje é

uma festa sem emoção nem tréguas marginal

à beira de total incumprimento

onde o beijo o abraço o sorriso

são manjar de esperança do novo renascimento


*

felizes os pobres de "amor" infectados

será deles o reino do novo humanismo


autor: jrg

26
Out11

C H O V E !...

NEOABJECCIONISMO
imagem pública tirada da net
*
CHOVE!
*
pudera esta chuva já tardia
que fertiliza e renova a natureza
operar na mente humana
corrigindo a tenebrosa fantasia
de mergulhar nossa tristeza
no abismo de que a mentira se ufana

pudera esta chuva à revelia
dos conceitos servis por anedóticos
arrastar na lama da corrente
impelida pela nossa portentosa rebeldia
agentes da desgraça patrióticos
salvadores de pátrias vazias de gente

pudera esta chuva cósmica
fertilizar a alma da indignação
corrigindo a trajectória
da dinâmica que se manifesta harmónica
onde falta a humana ambição
de inverter os desígnios da história

pudera esta chuva úbere
e o cheiro a húmus que dela se eleva agreste
penetrar as mentes que ultrajam
os que procuram no amor quem os lidere
uma mulher uma criança que se preste
a ser maior que os torcionários que nos esmagam

pudera esta chuva ser alegria
tocada de sudoeste pela dança do vento forte
agigantar as ondas do mar revolto
que acordassem os povos da endémica apatia
entregues a mudanças sem norte

pudera esta chuva ser um vómito
que nos acordasse deste pesadelo colossal
como lava saída dum vulcão
inundasse de loucura o pensamento atónito
ante tanta cobardia sepulcral
que nos tolhe o movimento sem acção

pudera esta chuva ser a dinâmica
que acelera o motor e põe em marcha a consciência
à procura de respostas radicais
que confrontem a sordidez da orgia messiânica
arrasadora dos valores da nossa essência
e se erguessem luz e fogo em auroras boreais

autor: jrg
15
Out11

CONTRA O TERRORISMO FINANCEIRO...GLOBALIZAÇÃO DOS POVOS INDIGNADOS!...

NEOABJECCIONISMO

 

 

imagem pública tirada da net

 

*

«««//»»»

**

 

O que nos trouxe a este limiar de mendicidade, além dum conjunto ancestral  de aventuras que alimentaram o sonho de sermos gente, foi, num passado recente, a vergonhosa campanha contra um homem só (José Sócrates) que resistiu à calúnia e à insidia personalizada, enquanto não lhe puxaram o tapete...que apesar da pressão do terrorismo financeiro internacional, defendeu, até ao impossível, a ideia de humanismo que marca o seu pensamento...a ganância de poder, para poderem implementar as medidas abjectas que se preparam para nos aplicar, levou a que se intoxicasse a opinião pública, num desvario de impropérios e desprestigio das pessoas envolvidas, que levou a uma subida galopante de juros sobre a divida pública e ao desacreditar das instituições que nos governam...este caos que se avizinha serve os interesses dos especuladores...dos iluminados que capitalizam lucros sobre a miserabilidade dum povo carismado de mansidão e desmobilizado ante a carência de bens e estímulos à prossecução da sua grandeza entre os demais...
Hoje, 15 de Outubro de 2011, também em Portugal, há várias manifestações públicas de indignação global...a ideia generalizada é a de que nos estão a asfixiar...por nós, pelos nossos filhos, pelos netos, pela humanidade que subsiste sob condições indignas a uma espécie que se auto-proclama detentora da verdade inter-planetária...inundem as ruas de afectos...de indignação...de resistência à rapina que de corte em corte nos reduzirá à mera condição de sobreviventes mecanizados...
Eu digo não...ao terror que este governo, a mando dos interesses do obscurantismo financeiro, faz abater sobre o povo Português...
Eu digo não...a ser arrastado nesta torrente...
Espero por vós!
jrg

na maré
que a lua influencia
de enchente
há um rumor em contra pé
que resiste à atrofia
emergente

autor: jrg
13
Out11

VAGABUNDAGENS...

NEOABJECCIONISMO

 imagem pública tirada da net
**
VAGABUNDAGENS...

***
um teto de madeira
todo pintado de branco
uma clarabóia
aberta no topo do telhado
onde os gatos se abeiram
e marcam
emanações odoríferas
que ondulam
se ampliam determinantes
duma existência vadia

uma casa amputada
sobranceira à sua quietude
na obliquidade
que o tempo tardiamente
arruinou
pátria de formigas
de pequenas aranhas corredias
também no cérebro das pessoas
que nela habitam
numa existência erradia

um espaço infinito
azul à vezes cinzento outras
de negro doirado
onde balança a nave térrea
que sustém a casa
as vidas que nela pernoitam
se constroem sonhos
se esgrimem
desespero e esperança
duma existência vagabunda

uma linha de água
amálgama de microrganismos
torrente líquida cristalina
e de lamas lixos subservientes
que arrastam
se arrastam à velocidade dos ventos
no equilíbrio do abismo
na magia da magnetização lunar
que o expande ou retrai
numa existência transviada

um tempo adúltero
compartimentado em segmentos
de hora minuto segundo
semana mês ano década século
em catadupas de acontecimentos
que se esvaem
ou se fixam e emergem de novo
num mesmo lato estrito conceito
oportunista
duma existência errante

uma estrela guia
que o avanço tecnológico apagou
terá caído? buraco negro
nem deus nem pátria nem amor
apenas um espectro de insolvência
que atravessa o absurdo
das leis físicas ou sobrenaturais
que impelem atracções
erguem barreiras às afinidades
numa existência extraviada

um mar de gente biliões
sitiados pela força da gravidade
nascidos ao acaso
do acaso que limita o tempo da idade
educados para obedecer
desde o berço trabalhar honrar vencer
não importa se a morte
inscrita ou descrita no ADN cósmico
anular o sofrimento
duma existência atribulada

então Zeus imperial
subscreveu o tratado das almas errantes
segundo o qual todos os deuses
e todos os mortais à deriva na paz celestial
cessariam de senso comum
as providências cautelares impostas à humanidade
onde toda a riqueza gerada
pelas artes as ciências e o trabalho
beneficiam do estatuto de bem humanitário
para uma existência sustentável

os mortais ainda indecisos
o ouro das heranças ancestrais
os bens móveis e imóveis topo de gama
as contas bancárias recheadas
uns porque as tinham dentro ou fora bem guardadas
outros porque as almejavam alcançar
e como fazer tão drástica se evidencia a mudança
cessar da vida humana a liderança
da bélica da secreta da religiosa da financeira
que torne a existência sã e amorável

convocarei todo o Olimpo
sobre as ruínas de Atenas à voragem rendida
soprarei ventos moverei terras
entre continentes provocarei terramotos
destruirei bunkers secretos
e todas as mentes de almas criminosas
lançarei a luz do entendimento
para os que de tais acervos fiquem órfãos
varrerei os céus de todos os deuses
para uma existência racionalizada


autor: jrg
09
Out11

HÁ UM SILÊNCIO À DERIVA NA MARÉ...

NEOABJECCIONISMO

 

foto pública tirada da net


*

HÁ UM SILÊNCIO À DERIVA NA MARÉ...

***
hoje ainda
neste quase absurdo
silêncio de viver
dum povo quase inteiro
que não esquece
ouço
um alarido interior
sob o abdómen
de vísceras a arder
a convocar a parte interna
onde milhões
de minúsculos átomos
tardam em amanhecer
*
não tinha havido
em toda a história
nada parecido
talvez Damião de Góis
à pira quase condenado
sob as vaias do obscurantismo
dum deus humanizado
cioso da verdade universal
e confrontado
com a luz de pensamento
quase igual
que acordava o povo
ensimesmado
*
hoje ainda
neste silêncio de trevas
onde cisma a consciência
ouço
a borbulhar instante
o movimento da maré aviltante
poluída
de naufrágios sapientes
que se agarram 
como lapas à fortaleza
dos povos ignorantes
pela falácia
rendidos
*
há um homem
tão simples como um povo
mortal
na pira da insídia
a arder
acossado pela maré emergente
sem piedade
cuja luz ainda cintilante
alerta
para esta atrocidade
que vergonhosamente
nos cativa e amolece
o pensamento
*
hoje ainda
desperto ao som 
dum toque de silêncio
esfrego os olhos
nada
apalpo o corpo
a ver se existo ou sou a ilusão
dum corpo desfeito
na armadilha da guerra
que voltou
para se redimir da mente insana
na deriva da maré
e nada
*
acordo estremunhado
na pele puída
vendedor ambulante
de ideias
que não rendem na bolsa
que silenciam
à espera de mulheres
da mulher
uma alma feminina
que reponha a mátria original
sobre a massa já falida
da máscula agonia
num toque de silêncio
*
hoje ainda
enleado na teia da indecência
maculado na minha dignidade
enlameado na história
dum povo 
às armas gritado
grito 
à mãe da memória
à consciência
à coragem que me abandonou
à esperança escondida
rasguem-me da teia as lianas
porque o silêncio acordou
*
há um silêncio
estranho à espera da maré
gente avulsa fatigada
que reclama
longe dos orgasmos
de quando o cheiro da carniça
atiçava multidões
por meras formalidades
queimando a energia que tinham
sem valimento
hoje reféns da noite de breu
almas mortas
num toque de silêncio
*
hoje ainda
a noite avança 
a compasso
golpe sobre golpe
mais por menos dá mais
menos por menos também
mais menos
os analistas comentam
como se o silêncio
fosse a tábua de salvação
uma no cravo dói
a outra a na ferradura
alivia a tensão
*
quem me meteu 
nesta alhada absurda de viver
sob a benção de um deus 
e do lascivo prazer
nascido da partilha
que inconsciensaliza o homem e a mulher
és maior
faz-te à vida
e eu a fazer-me a crescer
no perde e ganha
povo do meio
sem terra nem mar
só na alma do silêncio
*
autor: jrg

27
Set11

UM SÁBIO SENHOR FINANÇAS...ZÉ POVINHO...E O SAMURAI DO FEUDO...

NEOABJECCIONISMO
UM SÁBIO SENHOR FINANÇAS...
ZÉ POVINHO...
E O SAMURAI DO FEUDO...
imagem pública: obra de Rafael Bordalo Pinheiro

*
1º acto (sábio senhor finanças)
**
um sábio senhor finanças
quer casar o Zé povinho
com forças de outras andanças
julgando o povo parvinho

um sábio que mima a pilhagem
com doses de dramatismo
quer casar a "malandragem"
à sombra do despesismo

um sábio que em palco alheio
se curva subserviente
quer casar o papo cheio
com povinho obediente

um sábio que corta na luz
sobe gás transportes salários
quer casar quem ele seduz
Zé povinho com usurários

um sábio senhor de magia
de aspecto mítico louco
quer sem dote a fantasia
 a casar com filantropo

um sábio assim tão de rico
não merece abstenção
por querer casar o onírico
com a sua maldição

um sábio senhor financeiro
das longas noites refém
não pode perder dinheiro
casando povo e desdém
***
imagem pública:obra de Rafael Bordalo Pinheiro
*
2º acto (zé povinho)
**
sai à rua indignado
Zé povinho de tanta suficiência
não quer ser à força mimado
nem casar por mera conveniência

porque há ainda mais
estagnaram salários pensões
confiscaram os natais
subiram medicamentos com menos comparticipações

gastaram-me as energias
puseram a nu o estafado segredo
quem corre por mordomias
esconde dos outros seu medo

afinal o outro é que era ladrão
mentiroso incompetente
perdeu por insidia vossa a razão
à custa do povo indiferente

o feudo está paralisado
desemprego nem rei nem roque de emoção
sujeito sem predicado
não faz do verbo oração

quem chamou o vento que colha a tempestade
sou Zé povinho à condição
um povo que se deixa casar com a insanidade
perde o seu lugar de livre cidadão

deste modo não me casam não
perdi a maré da vontade
por mais que me empolem de nação
quero a minha liberdade

***
imagem pública: obra de Rafael Bordalo Pinheiro
*
3º acto (samurai do feudo)
**

não te minto agora Zé povinho
são mais dois anos de abstémia financeira
sou eu quem te dá o pão e o vinho
mandei varrer o jardim mais a sua bandalheira

não escutes as vozes estranhas
que falam de novos intensos tornados
nem cuides que são patranhas
quando ameaço os mais indignados

é preciso trabalhar mais e melhor
ganhar menos por emprego
libertar o subsidio para o financeiro mor
que de dinheiro anda sôfrego

os ventos mandam mudar
do social a ventura
somos marinheiros temos mar
e terra de semeadura

não faz sentido ignorar
que conhecimento empanturra
por isso mandei mandar
que se despromova a cultura

nem dá saúde manter
cuidados e descontos exacerbados
melhor será ver morrer
os doentes mais acomodados

casa Zé com esta nova postura
talha a tua vida à maré da boa sorte
que os ventos são de rotura
com o estado previdência a monte sem norte

***
imagem pública: obra de Rafael Bordalo Pinheiro

*
4º acto (zé povinho)
**
indigna-me ser povo e Zé tido por ignorante
basta de insultos à minha inteligência
digam a essa corja que vos manda que sou eu o mandante
não caso com a usura nem com a emergência
sou povo e Zé da arte amante
trabalhador insigne pago com insuficiência

indigna-me ser povo e Zé amedrontado
alvo de arremessos e picardias
não pago mais a corruptos já sou casado
com os de humanidades mais sadias
nem quero ser dos meus direitos mais castrado
o que exijo dos eleitos são valores não cobardias

indigna-me saber que não dormem na voragem
de conjugar o verbo ter com a rapina
não caso a minha humilde sabedoria com a chantagem
sou povo e Zé mas já nem uso a barretina
exijo ser achado no emprego e na saúde não à margem
vou para a rua, já! de palavra e concertina

indigna-me ser povo e Zé na orgia global
onde se discute grão a grão o que cabe a cada um na partilha
a minha pátria é a alma humana Universal
não caso com quem a minha alma omina e não perfilha
antes a definha pelo terror transversal
se o barco vai ao fundo eu Zé não vou na quilha

indigna-me ser presa ingénua de agiotas
que chafurdam legalmente nas minhas frustradas ilusões
promovidas por pérfidos sábios patriotas
conjugados com os outros para encontrarem soluções
não caso basta! sou Zé dentro de portas
mas do mundo inteiro sou a alma cheia d'emoções

indigna-me ser povo e Zé no limiar da pobreza
catalogado de má fé e vadiagem
num feudo onde produzo e não se vê minha riqueza
especulada nas roletas da triagem
onde se definem os lucros maquilhados de esperteza
basta não caso com a bandidagem

indigna-me ser o Zé povinho sempre alegrete
rosto da opinião pública economicamente controlada
na realidade sou de fortuna até pobrete
mas de alma pura empunhando da esperança a alvorada
não caso com a perfídia nem a porrete
sou povo de paz e amor se saio à rua é pela liberdade ameaçada

fim
autor: jrg
25
Set11

A PÁTRIA DO HOMEM É A ALMA HUMANA !...

NEOABJECCIONISMO

 

 

 

 

 


 

 foto pública tirada da net

 

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A PÁTRIA DO HOMEM É A ALMA HUMANA!...

***

Não faz mais sentido

Estudar trabalhar viver sem brincadeira

Levar a sério a adulta consciência

Se o conceito de honra é sempre pervertido

Na partilha do saque pela bandalheira

Que governa a mais-valia em sua conveniência

*

Não faz mais sentido

Cansar adoecer se endividar morrer sem diversão

Atribuindo idade ao crescimento

Sendo maior ser responsável pelo que de outros é devido

Por motivos óbvios cativo dos desígnios da nação

E ver diminuído seu orçamento

*

Não faz mais sentido

Casar ter filhos construir os alicerces da família

E serem todos escravos dos maiorais

Servindo de cobaia passível de ser arguido

Se fizer valer direitos na quezília

Usurpados sem pudor por deveres imorais

*

 Não faz mais sentido

Viver tolhido pela incerteza que transmite o medo

Se a lei permite a legítima defesa

Não se pode condenar um homem perseguido

Nem retê-lo nas teias dum enredo

Se apenas fez bom uso de elementar esperteza

*

Não faz mais sentido

Permitir que nos confisquem os bens e os salários

Em nome de interesses obscuros

Que apenas beneficiam a usura e os salafrários

Cercados de mordomias e monturos

Sem que seja ouvido em uníssono da revolta o rugido

*

Não faz mais sentido

Ouvir e aceitar na dúvida a mentira piedosa

Desta gente que o poder tomou

Sem que se ouça um sussurro um grito um balido

Que afronte a prepotência ruinosa

E devolva a esperança no sorriso que murchou

*

 Não faz mais sentido

Continuar em silêncio angustiado nesta espera

Aos poucos ir destapando a caraça

Da evidência dum sistema de há muito já falido

Que nos oculta as portas da cratera

Onde o abismo sem fundo nos espreita por desgraça

*

Não faz mais sentido

Deixar morrer por incúria de abandono a esperança

Quando ainda resta espaço na memória

O tempo é do conhecimento hoje a ignorante promovido

Escuto o riso inocente duma criança

Que se acendam em todo o esplendor as luzes da história

*

Não faz mais sentido

O suicídio de calar por medo ou indiferença

A revolta de indignação contra a mente insana

É da lei que caçar um homem sem motivo é proibido

A força da vontade em movimento é a sentença

Sendo a pátria do homem a alma humana

*

Autor: jrg

22
Set11

QUE OUTRO PAÍS É ESTE ?...

NEOABJECCIONISMO
foto pública tirada da net
*
QUE OUTRO PAÍS É ESTE?...

«««//»»»

que outro país é este
que ouço tão perto a gritar
se há sondagens que dizem
que há quem confie nesta peste
de governo a governar
mentindo em tudo o que dizem?

olho o silêncio das ruas
leio apelos pungentes desesperados
jovens curvados sem alegria
discursos sem chama palavras nuas
velhos mendigos envergonhados
sem prosa sem amor nem poesia

que outro país é este
que naufraga sem tábua de salvação
se há sondagens que afiançam
que uma maioria celeste
verdade ou pérfida manipulação
aprova que nos empobreçam

procuro entre a bruma entender
dói-me a memória na luz da consciência
estava tudo tão fácil nem pensar havia
o crédito não parava de crescer
esconjuramos o medo sem prever a insolvência
dum sistema condenado à revelia

que outro país é este
sem deus sem pátria nem emoção
se há sondagens que o definem
como uma maioria agreste
que vê neste governo a salvação
para os males que a outros afligem

apetece-me um vómito
até que a bílis amarelada seque a excreção
a entender Pavese Pessoa
e tantos notáveis ou anónimos de fim insólito
enojados desta perversa encenação
que na milenar memória ainda ressoa

que outro país é este
que se deixou por mentes frias penetrar
se há sondagens que o mostram confiante
afogado nas medidas que reveste
a insensível condição de governar
para um abismo do absurdo mais adiante

autor: jrg

03
Set11

"OS V A M P I R O S !..."

NEOABJECCIONISMO

 

"V A M P I R O S!"


Para este governo que hoje governa Portugal, inevitavelmente, a obesidade do estado está concentrada na Educação...na Saúde  e na Solidariedade Social...

na Educação: porquê tanto despesismo para promover a ignorância? já o sabiamos...os povos querem-se obtusos...de preferência com os olhos vendados, para não terem a veleidade de sair dos trilhos agendados...não tarda, os edifícios serão substituídos por locais ermos, frondosos, tipo escola de Platão...com professores messiânicos e alunos de eleição que cultivem a sério a aprendizagem...

na Saúde: pois então...com um sistema que tem vindo a modernizar-se, técnica e cientificamente, onde os profissionais dão o seu melhor, em condições muitas vezes adversas, para manter a saúde dos Portugueses em níveis superiores de humanidade e que por via disso, permite uma maior longevidade e qualidade de vida às populações a ele recorrentes, é preciso cortar nos "excessos" de cuidados...a morte de uns tantos éa sobrevivência do sistema...há demasiados idosos com a morte adiada pelos serviços do SNS...

na Solidariedade Social:  reformas...complementos solidários para idosos...subsidios de inserção social...abonos de família..subsidios de desemprego...são "luxos" inadmissíveis na situação de crise em que o país se encontra..."correram com os herdeiros de Salazar? elegeram governos megalómanos?...não querem trabalhar? levaram as pobres empresas à falência a contar com o subsidio?...agora é tempo de "arrumar a casa"...fazendo uso do mandato que em "consciência" nos sufragaram...

É um cerco concertado em torno da liberdade de movimentos...da liberdade de expressão...da liberdade de apreender conhecimento...pergunto-me: de onde terão surgido estas mentes brilhantes..iluminadas...que em tantos anos que o país está mergulhado em défices orçamentais constantes..não tiveram uma palavra..um gesto solidário para com os que pensavam estar a seguir o caminho certo?...

Uma treta..é o que são...olhos nos olhos...são falsos messias como todos os messias que nos foram profetizados...são insensiveis e trazem no bojo da alma, ideias preconcebidas no luxo dos gabinetes, de como ordenar os insurrectos que se rebelaram contra a velha ordem...

mais do que em qualquer outra situação, faz hoje todo o sentido o poema de Zeca Afonso "Os Vampiros"...se alguém se engana com o seu ar sisudo/ e lhes franqueia as portas à chegada/ eles comem tudo...eles comem tudo/ eles comem tudo e não deixam nada..."

autor: jrg

27
Ago11

A CONSCIÊNCIA DA MEMÓRIA!...

NEOABJECCIONISMO
A CONSCIÊNCIA DA MEMÓRIA
*
«««//»»»
*
lembrar o mundo
quando o tom era cor de rosa
azul ou verde esperança
e não havia esta cor do luto tão profundo
os mitos todos mortos carga grossa
para o entendimento inocente duma criança
*
lembrar a vida
quando o riso cristalino fluía
nas cores do arco-íris cintilante
e a distância do tempo sem medida
entre cada sonho que ruía
na idade dos porquês tão distante
*
lembrar a morte
quando a perda era um absurdo estranho
inatingível à inteligência
mergulhados na dor e no desnorte
descrentes do poder do mito tão tacanho
que nos moldava a consciência
*
autor: jrg

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