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NEOABJECCIONISMO

O abjeccionismo baseia-se na resposta de cada um à pergunta: QUE PODE FAZER UM HOMEM DESESPERADO QUANDO O AR É UM VÓMITO E NÓS SERES ABJECTOS?- Pedro Oom .-As palavras são meras formalidades... O NEOABJECCIONISMO, n

NEOABJECCIONISMO

O abjeccionismo baseia-se na resposta de cada um à pergunta: QUE PODE FAZER UM HOMEM DESESPERADO QUANDO O AR É UM VÓMITO E NÓS SERES ABJECTOS?- Pedro Oom .-As palavras são meras formalidades... O NEOABJECCIONISMO, n

01
Abr10

O DESENCONTRO

NEOABJECCIONISMO


foto tirada da net

 

{#emotions_dlg.redflower}

 

estranho era eu sentir real que tu não vinhas

E mesmo assim continuar a ir ao teu encontro

Esperar entre as flores sob o voo das avezinhas

Sonhar o teu perfume doce brisa no meu ombro

 

 

Ouvi a tua voz suave e quente que me arrepiou

Dentro da emoção do doce som

Dizer-me houve um contratempo amor não vou

Quando ver-te sentir-te seria bom

 

 

Talvez mais tarde esperas? E eu ansioso esperei

Até que o sol no ocaso laranja arrefeceu

Os pássaros recolhiam às copas onde me acoitei

Na vã esperança de te ver anoiteceu

 

 

Vieste um dia no silêncio pasmado do meu ser

Falamos docemente horas sem conta

Interpretaste mal o que eu disse ao escrever

E lançaste uma ideia corpo ou alma tanto monta

 

 

Depois partiste meses ausente

Fiquei triste sem saber se amaria o teu odor

ou até se eras alguém que ama e sente

Esqueci se te beijei e dos teus lábios o sabor


 

E eis que surges do vazio tão de repente

Marcar lugar e hora ao meu encontro decidida

Aceitei de novo eufórico a chama quente

Sem tempo de pensar que podia ser a despedida

 

 

Fui louco absurdo enredo este o da loucura

Eras um sonho virtual e não mulher

Depois de me envolveres tenso na ternura

Deixaste a minha alma nua arrefecer

 

 

Do desencontro nasceu crescente a ousadia

De pensar que fui em ti um marinheiro

Em cuja barca por mistério ou arte a poesia

Naufragou e trouxe à tona amor inteiro


 

 

 

 

Autor JRG

 

05
Mar10

ESTRANHO !...

NEOABJECCIONISMO

 

 

foto tirada da net

 

 

 

 

 

 

 

Estranho!...

*

estar em frente do espelho

e o rosto que eu vejo

não é já o meu

é o teu

**

Estranho!...

*

que me tenhas tomado

num ponto algures difuso

e eu te tenha pensado

do pensamento sem uso

**

Estranho!...

*

após o estremecer do medo

esta súbita alegria

o desvanecer do teu rosto o segredo

a tua alma em sangria

**

Estranho!...

*

que dentro da mesma hora

num outro lugar

talvez distante embora

tu me olhes no espelho a pensar

**

Estranho!...

*

ver o teu coração

 a batida nele constante

o sangue o fogo a ilusão

ser dele teu amante

**

Estranho!...

*

ver meu rosto no centro dele

teus beijos salpicos de sangue

sob a mesma fina pele

que nos cobre a alma e expande

**

Estranho!...

*

a suave e pura sinfonia doce paz

ser na tua raiz  estranha víscera

aquietando a dúvida onde jaz

teu medo de ser mulher adúltera

**

Estranho!...

*

*navegar em tuas veias

exuberar-me nos pontos luminosos

arrancar os pontos negros densas teias

sentir anseios vertiginosos

**
Estranho!...

*

esta viagem que não quero tenha fim

dentro da tua alma amorosa

cheirar a essência de teu cheiro de jasmim

ver-te no espelho bela e ditosa

**

Estranho!...

*

a magia que o espelho me transmite

era o teu corpo em mim a penetrar

e por ele se avivou sublime meu apetite

quando voltei de ti a soletrar...

 

a m o - t e...a m o - t e...a m o - t e

 

autor; JRG

07
Fev10

UMA VIDA DE AMOR ENTRE SONS DE GRITOS

NEOABJECCIONISMO

foto:jrg - influência lunar

 

Quando a tua voz na discussão se altera e  grita

Som estridente que gera confusão e fere

Onde a alma amante que te sente e se agita

Saber que é efémera a revolta que o corpo gere

 

Ao discutirmos dilemas palavras malditas

Revolve-se a alma no corpo a quente

Palavras que ecoam entre palavras quase infinitas

Até que a calmaria nos sossega a mente

 

Terá a ver com o momento em que nasceste e eu nasci

O ano o mês os genes que nos dão a consistência

Ou é do saber sem preconceitos que contigo discuti

E do respeito que temos ao sermos na nossa existência

 

Quando discutimos os olhos tensos alvorotados

E nos dizemos os lábios em trejeitos fartos um do outro

Se saímos em busca de solidão amarrotados

Logo a doçura de nós invade o coração afoito e douto

 

Faz quarenta anos que te amo e nos gritamos

Gritos que fortalecem nossos desejos

Depois do grito fazemos sexo e nos beijamos

Entre silêncios gritados nos teus beijos

 

 Quando te calas imagino o som do grito sem gritar

A vida deificada fica suspensa de valor

Inventamos factos discordantes entre o sono e o despertar

Na labareda dos sonhos que alimentam nosso amor

 

Porque te amo sem conscientemente te adorar

Porque te sinto inteira e pura em mim

Sou teu vassalo quando me gritas sem te avassalar

És o meu alimento gritante até ao fim

 

Autor: JRG

 

07
Set09

N A N Y - 3ª PARTE

NEOABJECCIONISMO

 

 

 

 

 

 

 

Doll Dream

 

autor:José Luis Cunha - olhares .com

 

 

 

 

 

Anamar e eu próprio caminhavamos lado a lado por entre a multidão que entretanto  tinha afluído à praia,  na manhã  solarenga a queimar os últimos dias de Verão, indiferentes à chilreada das crianças, aos olhares cobiçosos que a miravam, que a despiam voluptuosamente, tal a beleza que se elevava do seu corpo, da majestade natural do seu andar, como se saltitasse, leve, os seios dela em turrinhas provocantes no meu braço deixado propositadamente a jeito de receber o encosto, sentia os bicos dos mamilos, salientes, isolados do conjunto mamário, por vezes ela abraçava-me e eu sentia toda a totalidade. Despudoradamente deixei de me preocupar com a saliência do meu sexo sob o calção, apenas o acomodei, ao longo da barriga, para que não fosse uma evidência perturbante

 

Anamar falava ainda do livro que ambos tínhamos lido e que nos impressionara pelo rigor estético da abordagem aos amores alimentados no silêncio dos corpos, as carências conjugais, as certezas mentidas a si próprios que alimentam as dúvidas. Nany é um romance de interiores.

_Explica-me isso de ser um romance de interiores, como uma arte decorativa... e soltei uma gargalhada.

_Repara, tudo se desenvolve no ecrã do computador, excepto quando se encontram para o envenenar, ela e o amante autêntico, Artur, por quem ela tinha de facto uma paixão, mandara até emissários para o testar, se ele se interessava dela, se tinha compromissos. Ele apareceu num momento fatídico de exasperação interior dela, do seu eu inconstante, a sonhar devaneios, em desvario, queria sentir a libertação de sensações que se acumularam e aquele personagem, galante, caliente, de palavras cruas e olhar penetrante na alma, encantava-a, como se fosse uma pausa até que o outro estivesse disponível, se vissem cara a cara, como aconteceu.

O livro mexera com ela, Anamar, senti toda a efervescência do corpo, o brilho dos olhos, os apertos que me dava no braço, os seios dela.

A casa tinha uma sala ampla com vista de mar e era limpa duas vezes por semana por uma mulher que colaborava na manutenção da casa e das roupas desde que Adélia morrera.

Adélia era a minha companheira, o grande amor da minha vida e tinham passado 10 anos desde então. Ela disse-me que eu arranjaria outra mulher, fez-me prometer-lhe que o faria e eu fiquei este tempo todo à espera de alguém, sem sexo, sem carinhos, sem calor nem frio, eu ausente em mim, numa parte de mim e agora, Anamar, os pés descalços sobre os azulejos luzidios, uma alma transparente de onde eu via um mundo paradisíaco à minha espera.

_Tenho uma paixão por lingerie, disse ela, naturalmente, no tom suave e quente da sua voz que me soava em melodia.

Eu estava em frente da janela grande, de costas voltadas para o mar e vejo-a subir subtilmente o vestido,   ou a túnica, as pernas, as coxas, a casquinha de cor preta com desenhos rendados de flores e cupidos espetando corações.

_São Lotus...

_Hã...

_Os desenhos...são flores de Lótus e eros caçando seus amores na magia dos aromas. Gostas?

Os nossos olhos não despregam, rutilantes de uma luz que nos inebriava e conduzia de gesto em gesto, as pulsações dos nossos corações, eu ouvia o meu e o dela, ou era apenas o dela ou só o meu, toc, toc, toc, uma vontade crescente de a abraçar, de ser em ela.

Junto à vulva um relevo que me prendia, o corte perfeito, adequado às suas formas.  Erótica, toda ela na sua simplicidade de mulher, os seios saindo da abertura da túnica, apelativos, os dedos compridos nas mãos bem cuidadas, os lábios sequiosos, embora húmidos de se morderem, beijei-a demoradamente, os nossos corpos enleados, a pele electrizante de encontro à minha, um ardor de fogo em toda a volta do corpo,   do lado de fora, a senti-la quente, os olhos fechados por momentos, longos, e quando se abrem dizem tanto da luz que emanam.

Levanto-a do chão com os meus braços e deito-a no tapete grande que há na sala, com motivos de deusas adejando sobre corpos nus de mancebos pujantes de sensualidade.

Fico assim, por um momento, de joelhos a ver o seu corpo a adensar-se na caixa dos sonhos, ou das imagens que edito num recanto da mente, ela olha-me docemente, estende-me os braços e eu debruço-me sobre os seus pés que beijo com toda a ternura que sinto,   ela encolhe-se com cócegas, chama-me doido, seu doido querido e eu sigo o caminho, beijo as pernas, os joelhos e detenho-me ante os cupidos, os corações vermelhos no fundo preto da cueca, o cheiro que me vem de dentro dela que me inunda de prazer, de desejo, de felicidade e beijo o espaço pudico, a vulva por sobre a cueca, ela aperta-me a cabeça, agarra-se aos meus cabelos, afasta as pernas, o meu nariz rasga em movimentos dúcteis a cavidade da vulva, surgem pontinhos luminosos, gotículas de fluidos que se espraiam da vagina, ela aperta-me mais de encontro ao fogo que me exalta e solta ais sumidos, levanto a cueca, uma nesga lateral,   com os dedos afasto os lábios raiados de sangue, a purificação do sangue e absorvo todo aquele odor que se apossa de mim, beijo o clítoris, Anamar puxa-me para cima, ainda me detenho no umbigo, beijo a barriga, as partes laterais do corpo e chego às maminhas, os mamilos evidenciando-se, destacando-se escuros na pele clara e já ela, louca, impaciente, mexe no meu sexo e fá-lo entrar na ânsia que a consome em fogo alucinante, beijamo-nos, as línguas num rodopio de dentro das bocas, revolvendo salivas, sabores de frutos, sinto o meu sexo dentro dela, sinto tudo dela, contracções, espasmos, fluidos que se libertam, de súbito ela atira-me ao tapete e ergue-se sobre mim, metida em mim, sem se soltar, o dorso levantado, as pernas abertas sobre o meu corpo deitado, a mamas balouçando enlouquecidas, os olhos revirados, as minhas mãos nas maminhas dela, os mamilos, os ais dela e meus, e de dentro uma revolução emotiva, absoluta, abrasadora

Anamar caiu sobre mim, exausta, beijámo-nos e ficamos deitados sem dar conta do tempo, inseridos um no outro.

Ao lado, caído no chão, o livro do nosso desassossego, NANY.

 

 autor:jrg

 

23
Ago09

N A N Y - 2ª PARTE

NEOABJECCIONISMO

 

 imagem da net

 

 A minha alma passeou a sua inquietude nos sonhos da noite mal dormida, o corpo dorido, ante o alvor que corria célere e se mostrava  na sua evidência de luz a meus olhos povoados de imagens sombrias, a aclarearem-se.

É um encontro de estranhos, de mim em mim, surpreso de me ver cativo duma mulher. Há quanto tempo o meu coração, a mente, o corpo estável, habituado a amar a única mulher que me amou sentidamente. Era assim, mesmo após a morte, sentia-me desligado de um qualquer enlace que se sobrepusesse ao único e grande amor de toda uma vida.

A imagem de Anamar impunha-se-me insistente, toda ela luz, sabores, cheiros, toda ela uma melodia única nos sons da voz, candidamente doce, pegajosa, a imiscuir-se nos poros da pele, a apelar um entendimento subtil.

Avisto o infinito do mar, de onde me encontro sobre a cama, a planta Tropical tombada sobre a parte direita da janela a toda a largura do terraço, com as portas ao meio, de correr. Há uma bruma à flor da água, flocos níveos como fumo de fogueira mal apagada.

O sol ainda por detrás da falésia, apenas o vislumbre dos seus raios  uniformes que cortam a neblina, as flores que rejubilam amanhecidas, orvalhadas dos néctares nocturnos.

Foi uma noite de inquietação da alma, sem descanso, a mente febril dilacerando-se entre a memória e a realidade a procurar impor-se como uma evidência, a a afirmação de que o ser é sendo, o que ontem era um principio inabalável, hoje aparece em contornos de dúvidas instaladas porque houve uma emoção nos sentidos.

Visto o calção azul escuro que há muito jazia na gaveta e isso é um sinal que o meu ego se prepara para cultivar a aparência, a camisa de xadrez azul claro sobre fundo branco, os chinelos de cabedal abertos ao joanete sobressaindo dos meus pés que me parecem enormes.

A praia ainda semi deserta, esplanadas fechadas, o sol já sobre a falésia, rutilante de luz, caminho ao longo do paredão na direcção do Norte, à minha esquerda o mar de um azul fascinante, as ondas mansas, pessoas que se passeiam cortando a água com os pés, chapinhando-se e penso inevitavelmente nela, esbelta, os olhos doces sobre o meu corpo, o gesticular das mãos que compõem o explanar do seu ponto de vista.

À minha direita o que resta da mata de acácias, os parques de campismo, será que ela vem? Que impressão lhe terei causado? A suficiente para que se dê ao trabalho de vir de novo, na incógnita do que poderá acontecer, no aprofundar de questões da intimidade que aproximam ou afastam, que inibem ou despoletam emoções.

O meu olhar fixa-se, de súbito na silhueta de mulher sentada sobre a pedra grande , à entrada do esporão, o vestido tipo  roupão avermelhado, os óculos escuros, os braços exímios descaídos sobre o corpo e o livro preso na axila do lado esquerdo dela. Sinto toda a harmonia do ser que ela é, ou que se me evidencia como sendo. Aproximo-me , o coração em palpitações de adolescente ante o seu primeiro namoro e penso que é assim sempre que há uma verdade nos sentimentos, um click de sedução consentida, a voz presa na garganta ressequida.

_ Anamar!...

Ela vira-se e deixa-me abismado sobre mim, tirou os óculos e toda a luminosidade dos olhos estavam patentes, como se tivessem estado a chorar, ou uma memória, um sentir que se tivesse soltado de dentro de si e o sorriso, aberto, agradado, agradável.

_João Maria!...

Abraçámo-nos, os seios dela de novo no meu peito, os nossos rostos encostados, tão próximos, perfumes alucinantes vindos dos lábios abertos, apelantes e eu arfante, a sentir o coração dela, a ouvir as batidas aceleradas do meu, tão próximos os lábios carnudos, flores vermelhas humedecidas e afundo-me neles, os meus lábios nos dela, dois toques, frescura e fogo de dentro e embrenho-me e ela embrenha-se, as línguas percorrem-se e ladeiam o interior da boca, as laterais, o céu da boca, salivas entrelaçadas de uma doçura quase extravagante, lábios com lábios, as línguas num devaneio possessivo, os nossos corpos colados, roçando-se, o meu sexo levantado, saltitante e julgo perceber o concavo desenhado do sexo dela  sob o vestido, onde o meu sexo se acoita prazenteiro, despudorado, as minhas e as mãos dela percorrendo a costas em movimentos circulares, respiração contida, arfante e contida a espaços. Loucos.

_Perdoa-me!...o teu poder foi mais forte...

Os olhos dela tremelicaram, ainda mal refeita, passando a língua pelos lábios, voluptuosa, trémula a voz, entre sumida e grave, quase patética se vista de um outro angulo.

_Teria de ser um perdão mútuo porque eu também não me contive, foi um impulso...

Demos as mãos e caminhámos no sentido da esplanada. No areal os gritos agudos das crianças soltando as energias acomodadas desde a cidade. Atiram-se areia uns aos outros e chapinham na água que vem beijar-lhes os pés puros de meninos.

_Digo-te que eu própria me surpreendo. Venho de uma separação conflituosa, como te disse, um homem que se alterou a dado passo da relação, que se assumiu como se tivesse tomado posse de mim, exibia-me, a sua mulher, prendia-me até os pensamentos, o gosto de andar despida dentro da casa, ejacular-se dentro de mim e soltar-se, sem se importar com a minha própria satisfação, alhear-se dos meus anseios, dos meus projectos, possuir-me... _ Deixa-me possuir-te!..._ era como ele me dizia,  ter-me para ele, dócil, submissa.

Aperto-lhe a mão pequenina entre a minha, macia a pele, os dedos esguios, os seios dela batem no meu braço de vez em quando com a oscilação dos corpos no andar e digo-lhe que gostava de ser dentro dela e de a sentir ser dentro de mim

Anamar volta-se e beija-me de leve os lábios.

_És um ser muito querido.

_Acabaste o livro?

_É um livro intenso, de culto pela personagem da mulher, das mulheres todas embutidas na Nany da sua paixão, saída do virtual, deixando-se tomar da paixão dela, ele, um homem velho saudoso da sua juvenilidade, ou da juvenilidade da mulher que é o seu amor de sempre, surpreendido de ser o alvo, o objecto do amor confesso de uma mulher muito mais jovem, bonita, com uma vida confortável, a questionar-se do porquê e do que fazer ao senti-la frágil, ansiosa de o ter como amante.

Anamar fala efusivamente do livro, da substância do livro, percorre os personagens, a entende-los à luz da sua própria imagem.

_E as cenas de sexo, alta madrugada toquei-me ...estou toda molhada...são cenas que saltam do livro e nos colocam dentro da cena, vivenciando-a, depois, toda a teia perversa que ela engendra para acabar a relação, a intriga em volta dele, fazendo-o acreditar que fora um devaneio da sua própria inconstância, o desprezo com que o foi destruindo até que não representasse mais um perigo para a manutenção do seu estatuto de mulher de bem.

E ele, louco, gritando na cidade, julgando que estava à beira do mar: " Nany, Nany!!!..."

 Tomámos o café na esplanada, Anamar de costas para o mar, em frente dos meus olhos, o recorte do tom laranja avermelhado do vestido ou túnica de tecido leve sobre o azul forte do mar e digo-lhe que nos está a acontecer algo de imprevisto, que a estou a sentir como uma célula que brota de mim para fora e que se inclina para reentrar, num ir e vir diáfano que me atordoa que me faz sorrir.

_Estou como que numa euforia em que me apetece gritar, soltar gargalhadas intempestivas sem nada que as justifique, adejar sobre nós os dois, os nossos corpos revolvendo-se, como se te conhecesse há séculos, fazer loucuras, beijar-te, mostrar-te o meu corpo...

Ouço a sua voz melodiosa, o brilho cativante dos olhos, os lábios que se mexem, se mordem a sentir sensações dela, do interior dela, as mãos num rodopio de gestos que procuram completar as palavras, as pernas que se abrem e fecham, o corpo todo em movimento, um movimento que vem de dentro e de súbito, aquele cheiro antigo, há quanto tempo? o cheiro do interior do sexo, absorvente e digo-lhe.

_Podiamos fazer um almoço para nós em minha casa...

Anamar sorri, toda ela, o rosto, o corpo esbelto, um sorriso franco, abrangente, a inteirar-se do meu convite, a sentir que é o momento que secretamente ansiava, secretamente dela própria e faz uma cara preocupada.

_Aceito, mas quero dizer-te que estou no terceiro dia da menstruação.

Dito isto levou os dedos aos lábios e encolheu-se toda na cadeira, como se se desse conta que dissera um disparate, se predispusera a ter sexo comigo, se adiantara em relação ao momento.

_Se não te incomoda eu adoro ser dentro de ti, menstruada, o meu sexo envolto no teu sangue que se purifica, o teu cheiro activo nascido do mais intimo. É isso, a menstruação  altera  o efeito sedutor de mistura com os cheiros da apetência sexual. Torna-os exaltantes a nos sublimarem num absoluto de amor.

Ela ri-se de novo, a alma em redor, a praia "deserta" num repente. Pego na mão dela e vamos...

 

autor:j.r.g.

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