Quinta-feira, 23 de Agosto de 2012
E SE DE REPENTE ME FECHASSE PARA BALANÇO?

imagem pública tirada da net
**
E SE DE REPENTE
ME FECHASSE PARA BALANÇO?
***
de repente
enquanto à volta os meus passos
movimentam
tudo o que em mim é movimento
acho-me a pensar
que não tenho mais nada a dizer
depois do que disse
de tanto dito que li em meu redor
já só me falta não ser
na imensidão do mar eu abismo
sem sol nem luar
*
de repente
um desejo impetuoso de parar
ficar quieto
como uma maioria absoluta
a definhar
olhando sem ver o louco a louca
vicejando ao alvorecer
em cada esquina da vida a decantar
aforismos poemas
e causas tremendas horríveis
a doer-me de amar
*
de repente
tudo o que disse me soa a nada
vácuo vão inútil
de tanto pensar ensandeci de amor
pedra pesada
que não chega ao cimo da montanha
a meio descamba
e arrasta o que me resta de ter sido
coragem esperança
com a memória ainda em sangue
tão desventrada
*
de repente
não tenho deus nem pátria
nem família ou amigos
pés ou mãos que me aconcheguem
todos me calam
na profundidade de absurdos segredos
e se escudam
na promiscuidade da minha evidência
árida estéril imbecil
a propagar que já não tenho medos
para onde fugir
*
de repente
se um doce veneno uma picada indolor
um terramoto uma avalanche
de ideias consecutivas me acudissem
sem ter que perder
nem explicar-me a decisão de sair
de não mais dizer
que abomino o clamor deste silêncio
de onde teimo gritar
aos meus próprios passos que me sitiam
a alma surpreendida
*
de repente
uma vontade indomável de apagar
o que me identifica
lunático a acreditar na falsa esperança
que amar é dor que amor alcança
e a não querer ver a materialização fatal
que me e nos condena
à servil condição de sonhadores
de criar sonhos especular
sabendo de antemão que não vale mais a pena
viver nesta agonia a adiar
*
de repente
desligo o botão que me liga à máquina
e permito que o meu silêncio
seja também ele um grito fantástico
a ecoar nas almas em espertina
ninguém dará por nada tão de súbito
como a luz que se apaga
fica ainda a claridade do apagão a confundir-nos
sinto a leveza da queda
neste abismo que é o não ser em absoluto
depois volto à normalidade de viver
**
como se nada tivesse acontecido!!!
autor: jrg
sinto-me: nada
música: A Formiga No Carreiro..de José Afonso
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publicado por NEOABJECCIONISMO às 00:20
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Sexta-feira, 17 de Agosto de 2012
M Ã O S !!!


imagem pública tirada da net

**

MÃOS!...

**

mãos ansiosas

mãos de calos

mãos rugosas

mãos de artista

mãos vincadas

mãos de loucos

mãos poderosas

mãos de leme

mãos solidárias

mãos que afagam

mãos que apertam

mãos que pedem

mãos que dão

mãos que sustentam

mãos que atiram

mãos de gente

mãos de pessoa

mãos de mulher

mãos pequeninas

mãos de amor

mãos que guiam

mãos que suam

mãos de velhos 

mãos de novos

mãos que roubam

mãos que devolvem

mãos que apelam

mãos de carícia

mãos de fogo

mãos de medo

mãos de esperança

mãos coragem

mãos sensíveis

mãos que dividem

mão que unem

mãos que ferem

mãos que matam

mãos que curam

mãos que sofrem

mãos que riem

mãos que amam

mãos que salvam

mãos que repartem

mãos que morrem

mãos de gestos

mãos sensíveis

mãos dormentes

mãos!

mãos de fome

14 biliões de mãos!

mãos carentes

unidas em cadeia

mãos potentes

por um novo humanismo

mãos!!!

jrg
sinto-me: alerta
música: por esse rio acima--Fausto
publicado por NEOABJECCIONISMO às 22:54
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Sábado, 4 de Agosto de 2012
GOSTAVA DE SER POETA !


Ilha de Paquetá-ou Ilha da Poesia-foto pública

*

GOSTAVA DE SER POETA

**

gostava de ser poema

regaço de flor mulher

preso à alma por algema

forrada de malmequer

*

que lábios tão belos

que beijos tão doces excitantes

sinto o teu peito arfando

arrepiam e suam os meus pelos

tua alma e minha amantes

o absinto do cálice entornando

amo-te dos pés aos cabelos

*

gostava de ser poesia

vai e vem onda do mar

preso a ti de fantasia

barco de amor a vogar

*

que olhos tão penetrantes

que brilho do teu rosto emana

sinto a alma a palpitar

de teus encantos perturbantes

do sorriso luz humana

que inunda de cor meu respirar

ondas de mar ondulantes

*

gostava de ser soneto

ou canto maior de poeta

da tua vida amuleto

em cada verso um alerta

*

que seios tão redondos

sonhos firmes d'anseios arfando

a cada passo arrojados

botões de flores tão me queridos

toco leve porque apertando

temo que por excesso apalpados

flácidos te fiquem horrendos

*

gostava de ser na rima

aberta fechada ou profunda

o que na alma apruma

o amor maior que te inunda

*

que corpo d'alma beleza

que cheiros sabores tacteados

carácter bondade doçura

sorrisos que abalam a tristeza

dos dias apunhalados

porque não há vida sem loucura

nem amor sem realeza

*

Gostava de ser poeta

de te rimar paixão sem pudor

se me chamassem pateta

corava de orgulho e de amor



jrg
sinto-me: fascinado
música: Bethânia
publicado por NEOABJECCIONISMO às 01:26
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