Domingo, 27 de Julho de 2008
NOSTALGIAS !...

O café pastelaria, tertúlia , onde navegávamos, metafísicos , na abordagem do conhecimento das coisas novas que, afinal, eram comuns noutras paragens, deixou de existir há muito.

Foi loja de moda, de artesanato e agora é nada. Vazio. Nem a memória das divagações literárias, as fífias juvenis a procurar afirmação de personalidade. Jogos do ser e do nada.

Ao cimo da rua que começa no largo da praça em direcção ao mar. Mar que já esteve mais longe, deixando aos prazeres um extenso areal de areia fina, as dunas salpicadas de cardos e chorões , a esconder, por vezes,  actos de natureza proibida. Só resta, num recôndito do cérebro , o avivar das emoções de quem resiste. E saltam nomes na memória: Pedro, Carlos, Lauri , João,  o Sr. . Farinha, patriarca, as raparigas, Tatiana, as Ginas de Regina e Virgínia Jeni , de Eugénia, Irene...

Onde estão?

O café a meio cêntimo, os nata sem correspondência monetária a um escudo e vinte centavos. As andanças a pé 

Os projectos megalómanos, literatura, artes plásticas, ciência. O futuro com a guerra ali tão próxima e a legião de mulheres de xailes negros sobre roupa negra, que subiam a rua, passavam junto à montra apressadas, canastras à cabeça a ver o peixe chegar, daí a instantes, alheadas das congeminações efabuladas de uma pretensa elite desassossegada.

 Ir à praia a meio da noite e tomar banho desnudos, a luminosidade da água a cada braçada, magia e sedução dos sentidos. O prazer do nu, proibido, preconceituado. A sensação plena de livres.

Pedro, o chouriço roubado na pastelaria do largo, a garrafa de vinho comprada com a reunião dos trocos de cada um, o assalto à residência de Verão dos pais dele o churrasco em álcool , a amizade sem limites.

Foi piloto aviador. Achá mo-nos na Aldeia Formosa, numa manhã quente de África e fez questão de me lançar numa experiência única. Voar.

Um avião de guerra, morte destruição, dor, num dos raros momentos ao serviço da paz.

Pedro brincou com o pequeno T6 no ar rarefeito, subindo a pique, rumo ao infinito e de repente, uma inversão, rodando sobre si próprio, a descida vertiginosa.

Na subida, era como se todas as entranhas quisessem soltar-se do meu corpo miúdo, ao contrário da descida em que o cérebro parecia saltar a todo o momento. Náuseas .

Suicidou-se, poucos anos depois do regresso, com gás doméstico. Não com napalm.

Carlos, o poeta, engenheiro de sistemas, talvez o mais erudito da tertúlia , não terá resistido à pressão. De quê? Suicidou-se em condições misteriosas. Extrema terá sido a sua solidão, entre a mulher  Francesa e as filhas e a Ascenção da carreira. Onde ficava ele?

Irene , a bela e encantadora Irene . A medicina era a sua paixão. Salvar vidas. Aprender e dar tudo de novo. Minorar a dor, de preferência pediatria. Sonhadora, linda. Uma doença súbita e fatal. Um cancro galopante e imparável no sangue. Os sonhos desfeitos de encontro à interrogação que nos acode: Que andamos nós a fazer aqui? Que força é esta que nos impele a lutar, sem tréguas e a cair, desfalecidos, inertes, sem que o possamos impedir.

Regina, artista plástica de mérito, amante sublime do belo e de Lauri. O corpo miúdo, harmonioso Jeni, espalhafatosa, cheinha de corpo, mas lesta na procura do culto da alegria . Vê-la correr, esbaforida, o corpo gingão, Avenida acima para não perder o concerto de ditos de João Villaret . Tatiana, que casou com Pedro e o viu morrer, ou achou morto na banheira um dia, ou não soube evitar, de algum modo, evitar, que a solidão se instalasse .Lauri, Paris a rádio, os romances , o  teatro. A amizade perdida nas tragédias da vida, deslealdades. O irrazoável do teu ponto de vista, do meu que soçobrava .

E os outros?... Que é feito de vós.?...

 

 

 

 

sinto-me:
música: A garrafa vazia/ de Manuel Maria
publicado por NEOABJECCIONISMO às 15:51
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Quinta-feira, 10 de Julho de 2008
JOÃO VILARET - CÂNTICO NEGRO

João Villaret

 

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 Registo aqueles dias à hora do almoço. O S. Jorge imponente nos silêncios.O silêncio do palco iluminando a sombra . O silêncio de quem veio e se senta reverente na plateia que se adensa. O palco adereçado para o espectaculo como se ele estivesse lá. A cadeira, o piano, O facho de luz sobre  o invisivel da imagem.

Tu e eu de mãos dadas. Sustendo-nos de respirar.

Assina -Virginia Bettencourt

 

 Sem dúvida o melhor declamador de todos os tempos, em Portugal. Deu alma à poesia Portuguesa, imortalizou poetas e poemas e este Cântico Negro, de um poeta maldito, eximio de força e de criatividade da arte e dizer. Eximio na afirmação de ser Português.

Nós somos assim. Podem avisar-nos, demonstrar por A mais B que vamos no caminho errado, apontar-nos um outro rumo, que nós dizemos não, "não vou por ai. Só vou por onde me levarem os meus próprios passos" A minha homenagem de culto, ao poeta e ao intérprete

Neo

 

 Gostaria de lembrar um outro aspecto que considero muito importante na personalidade de João Villaret, e que tem a ver com o contributo que ele deu a uma liberdade que ainda vinha longe. Dos palcos dos Teatros do Parque Mayer, quando o homenzinho da censura adormecia, João Villaret aproveitava para dizer todas as verdades que lhe ocorriam sobre o triste país em que vivíamos. Ele ridicularizava Salazar, dizia o que lhe vinha à cabeça, e com isto arriscou a a vida por uma liberdade que para ele já não chegou a tempo. Obrigada, João Villaret.

Assina - Teresa Mascarenhas

 

sinto-me: contemplativo
música: danúbio azul
publicado por NEOABJECCIONISMO às 11:32
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Terça-feira, 8 de Julho de 2008
FRANÇOISE HARDY - 1944

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nota. A imagem perde qualidade á medida que se expande. A voz mantém o tom.

 

 

É uma das mais bela mulheres  do mundo em meados dos anos 60. Uma voz suave melodiosa, romântica e envolta de suaves mistérios. Um encanto total. Uma sedução envolvente de toda a sua coreografia, ela própria. Esbelta.  É a voz e o rosto, no feminino da canção Francesa da época. É a paixão, ou o modelo de muitos jovens em todo o mundo.

As suas canções têm um significado profundo, um romantismo atractivo, sedutor. Mesmo que não se entenda a letra, a voz e a expressão artística que assume no rosto e nos gestos, transportam-nos a mundos subliminares de excepção.

 A sua figura produz um encantamento na sedução do seu olhar.

 Simples, elegante, transmite igualmente, uma imagem da mulher do futuro. Interessante, culta, sem as frivolidades que se associavam ao género feminino.

É uma expressão do sonho de ser mulher.

 

 

  

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sinto-me: romântico
música: Lês Garçons
publicado por NEOABJECCIONISMO às 00:00
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Sábado, 5 de Julho de 2008
FRANK SINATRA - 1915 - 1998

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Foi um dos melhores intérpretes de música pop do século xx. Uma voz poderosa, inserida ou extrapolada de um estilo próprio de grande originalidade.

Goste-se ou não da América e ou dos Americanos, é dificil ficar indiferente ao seu estilo vibrante, à harmonia do canto e da música que nos faz transbordar de emoções de vitória.

 Escolhi estes dois temas, que vos ofereço para um momento de calma e reflexão

 

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"Só se vive uma vez e, do jeito que eu vivo, uma vez é suficiente"

Frank Sinatra

 

 Videos retirados do Yu Tub

 

sinto-me: Faustoso
música: FrancK Sinatra
publicado por NEOABJECCIONISMO às 22:00
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